Inovação

small-tiles Jackson Kam | 11 jul 2019

A próxima crise financeira mundial está prestes a surgir? Se sim, será que ela será muito diferente da última crise? E existe a possibilidade de o contágio vir dos atuais mercados emergentes, como China, Turquia ou Argentina? Embora o futuro seja incerto e fora de controle, você pode dar passos calculados como um líder executivo para se preparar agora para o que pode vir adiante. As economias de mercados emergentes estão em ascensão   A força das economias de mercado emergentes foi uma das várias preocupações importantes dos líderes em 2018, segundo o estudo Mercer Global Talent Trends e continua sendo uma preocupação atualmente. Enquanto a Ásia, América Latina e África assumem o lugar das economias centradas no Atlântico Norte como os mecanismos mundiais de crescimento, a economia mundial vem sofrendo impactos cada vez maiores devido à sua força crescente. Ardavan Mobasheri, diretor-executivo e diretor de investimentos na ACIMA Private Wealth, acredita que o bastão da liderança mundial será totalmente passado para as economias de crescimento mais rápido até 2030. Ele diz: "É provável que a transição seja concluída até o final de 2030, com as âncoras do crescimento econômico mundial localizadas no Pacífico e no hemisfério sul". Porém, à medida que o mundo se adapta à força cada vez maior das economias de mercado emergentes, ele também deve se adaptar aos "quebra-molas" inevitáveis dessas economias. Os "quebra-molas" estão começando a se formar mundialmente   Os ativos dos mercados emergentes estão agora recuando em face dos ventos contrários em suas regiões geográficas, tais como a desaceleração da produção, aumento da dívida, índices de inflação mais altos e quedas nas moedas.1 "O contágio nos mercados emergentes acontece por meio de diferentes canais e tende a ser maior em períodos de aperto monetário em mercados desenvolvidos", afirma Pablo Goldberg, estrategista sênior de renda fixa na BlackRock, para a CNBC.2 "A liquidez é um problema. Os investidores vendem o que conseguem". Desmond Lachman, membro do American Enterprise Institute (Instituto de Empresas Americanas) e ex-diretor suplente do Departamento de Análise e Desenvolvimento de Políticas do Fundo Monetário Internacional, escreveu em um artigo que os economistas e estrategistas políticos americanos estão ignorando os riscos impostos pelas economias emergentes por sua conta e risco. "Eles não conseguem ver que os anos de alta expansão no balanço geral do Fed e as taxas de juros zero criaram as condições mais facilitadoras possíveis de empréstimo para os mercados emergentes", relata Lachman. "Fazendo isso, eles acabaram com a disciplina das políticas econômicas dessas economias e permitiram que se desenvolvessem grandes desequilíbrios econômicos, principalmente nas finanças públicas". Agora que há mais capital voltando para os ativos americanos considerados mais seguros do que os dos mercados emergentes, começam a ser vistas as fortes vulnerabilidades econômicas acumuladas nas economias de mercados emergentes durante os anos do dinheiro "fácil". Se ignoradas, é provável que essas vulnerabilidades continuem crescendo e se espalhando mundialmente, aumentando ainda mais suas implicações nos próximos anos. Os líderes executivos podem se adaptar — veja como   Para se preparar melhor para um futuro financeiro incerto e evitar essas amplas repercussões, primeiro é melhor você observar as consequências da última crise financeira, ela pode lhe ensinar algumas lições importantes sobre como funcionam a economia e o sistema financeiro mundial. Por exemplo, segundo o relatório da Mercer "10 anos após a crise financeira mundial: 10 lições para aprender", uma das lições mais importantes de 2009 mostra que as políticas dos estrategistas políticos americanos, os recordes de queda nas taxas de juros das políticas, a ampla liquidez injetada no sistema bancário e o considerável alívio gerado produziram resultados inesperados em todo o mundo. Embora as políticas monetárias não tenham sido inflacionárias em termos de preços ao consumidor, elas foram inflacionárias em termos de preços de ativos. Agora as taxas políticas estão aumentando em algumas economias, mas as consequências completas do resultado da última crise em todas as economias mundiais ainda são desconhecidas, até mesmo hoje. Com isso em mente, como líder executivo, você pode seguir estes três passos para se preparar para a próxima crise: 1.  Não abandone a diversificação, amplamente conhecida como "a única refeição grátis no investimento". 2.  Seja dinâmico e esteja preparado para deixar os ativos com altas recordes se eles se tonarem indesejados uma vez que os investidores perceberem que suas valorizações podem não ser baseadas em fundamentos sólidos, como o aumento subjacente nos lucros. 3.  Não abandone o gerenciamento ativo, pois as condições mudarão inevitavelmente.   Ao seguir esses três passos simples você terá agilidade e flexibilidade suficientes para se adaptar a qualquer situação, até mesmo uma crise financeira. À medida que os mercados enfrentarem várias metamorfoses, lembre-se dessas lições e tenha em mente essas dicas para preparar sua organização para qualquer crise iminente. Fontes: 1. Teso, Yumi e Oyamada, Aline, "Emerging Markets Retreat Amid Global Growth Concerns: EM Review", Bloomberg, 15 de fevereiro de 2019, https://www.bloomberg.com/news/articles/2019-02-15/emerging-market-rally-abate-as-trade-concern-returns-em-review./ 2. Osterland, Andrew, "Emerging markets, despite strengths, still get no respect", CNBC, 1 de outubro de 2018, https://www.cnbc.com/2018/10/01/emerging-markets-despite-strengths-still-get-no-respect.html. 3. Lachman, Desmond, "We ignore risks posed by emerging economies at our own peril", American Enterprise Institute, 17 de setembro de 2018, http://www.aei.org/publication/we-ignore-risks-posed-by-emerging-economies-at-our-own-peril/.

Previdência

small-tiles Anil Lobo | 27 jun 2019

Os planos de aposentadoria complementares podem oferecer segurança e estabilidade para os idosos que já não recebem um contracheque mensal — e o Sistema Nacional de Pensões da Índia (NPS) pretende fazer exatamente isso. O NPS é um plano de pensão complementar com Contribuição Definida e sua adesão é voluntária por natureza. Assim como na maior parte do mundo, a população da Índia está envelhecendo e a expectativa de vida está aumentando. Devido às melhores condições de saúde e saneamento, a expectativa de vida mundial deve aumentar de uma média de 65 anos em 1990 para 77 anos até 2050.1 Para a maioria das pessoas, viver mais significa mais anos sem trabalho para desfrutar. Mas, considerando o aumento da população em todo o mundo, manter uma renda suficiente para viver confortavelmente durante esses anos de folga será um desafio. Não só a maioria dos idosos já não recebe uma renda, como à medida que os anos avançam, o custo de vida e a inflação continuam subindo. Enquanto os líderes governamentais em todo o mundo pensam em maneiras de ajudar os cidadãos a se preparar para a aposentadoria, eles podem ver o NPS da Índia como um modelo para melhorar a poupança de aposentadoria e ajudar os trabalhadores a evitar a pobreza durante a terceira idade. Os fundamentos básicos do Sistema Nacional de Pensões da Índia   Em 2004, o governo da Índia lançou seu Sistema Nacional de Pensões com o objetivo de oferecer uma renda de aposentadoria para os cidadãos.2 O sistema busca instituir uma reforma pensional e promover o hábito de poupar para a aposentadoria. À principio, o programa foi disponibilizado somente para os funcionários públicos, mas, em 2009, o NPS tornou-se disponível de modo complementar para todos os cidadãos indianos entre 18 e 60 anos de idade. A conta NPS nível I (conta obrigatória que oferece benefícios fiscais) foi projetada de tal forma que desencoraja o saque precoce até que o titular da conta atinja a idade de aposentadoria. Se o titular da conta quiser retirar o montante antes da idade de aposentadoria, ele poderá retirar somente 20% e o saldo deverá ser usado para adquirir uma previdência. O NPS oferece um bom benefício fiscal para seus participantes — as contribuições são feitas antes de aplicar impostos — mas uma parte dos saques está sujeita a impostos. Ao atingir a idade de aposentadoria, pode-se retirar 60% do acumulado, que é isento de impostos, e o saldo de 40% deve ser utilizado para adquirir uma outra previdência com instituições aprovadas. Pode-se abdicar do saque e manter o investimento até os 70 anos ou continuar fazendo novas contribuições, se desejado. As contas NPS nível II oferecem opções voluntárias de poupança sem penalidades rígidas por saída ou carências. Existe uma proposta para oferecer alguns benefícios fiscais no NPS nível II, que exigiria um período de carência de três anos; no entanto, essa proposta ainda deve ser confirmada. Desde o lançamento do sistema, o governo indiano criou programas de previdência social adicionais para incentivar a poupança para a aposentadoria, principalmente entre a classe trabalhadora pobre. Em 2010, o plano governamental Swavalamban Scheme comprometeu-se em depositar 1.000 rúpias nas contas de cada um que contribuísse com 1.000 a 12.000 rúpias em sua própria conta anualmente e que não recebesse uma pensão do governo ou de empregador. Porém, em 2015, o plano foi inutilizado em prol do Atal Pension Yojana (APY), que garante distribuições pensionais definidas durante a aposentadoria para aqueles que se encaixam em determinadas qualificações com base em suas contribuições. O APY também ofereceu uma contribuição governamental de 50% do total contribuído pela pessoa ou 1.000 rúpias por ano, o que for menor, por um período de cinco anos (de 2015 a 2020). O NPS da Índia passou por algumas alterações e continua evoluindo, mas o plano está ajudando a promover a poupança para aposentadoria entre os cidadãos do país. Também está mudando as expectativas dos cidadãos: em vez de depender dos familiares mais jovens para o sustento na terceira idade, vários estão agora adaptando suas economias e preparando-se para se sustentar durante os anos de aposentadoria. Além disso, o NPS é um dos produtos de investimento mais baratos. Os custos gerais do NPS são muito menores do que os de outros produtos, e talvez ele seja o produto de pensão mais barato disponível. Três lições que você pode aprender com o modelo da Índia   Para os líderes de organizações de todo o mundo, o experimento da Índia ao fornecer um programa de pensão nacional para todos os cidadãos oferece inúmeras lições valiosas. 1. A dívida nacional insustentável requer novas soluções   Muito antes de o NPS ser lançado, os funcionários públicos federais e estaduais da Índia tinham a cobertura de um programa de pensão com benefícios definidos, financiado por impostos, que oferecia um salário substituto de 50% na aposentadoria, com ajuste vinculado à inflação. Nos meados dos anos 80, esse programa custou ao país menos de US$ 0,5 bilhão por ano, mas, até 2006, com as pessoas vivendo mais, o preço subiu para mais de US$ 600 bilhões por ano.3 Manter o programa ficou insustentável e os líderes perceberam que eles precisavam desenvolver um programa substituto para garantir aposentadorias bem-sucedidas para os futuros trabalhadores e para proteger as finanças do país. Desde o lançamento do NPS, todos os funcionários públicos novos foram incluídos nele, promovendo a responsabilidade entre os trabalhadores de se preparar para a própria aposentadoria e de impedir que o governo continuasse acumulando uma dívida pensional insustentável. 2. Os benefícios fiscais são importantes nos planos de aposentadoria complementares   A maioria dos participantes escolhe investir no NPS devido aos benefícios fiscais. No entanto, alguns cidadãos indianos relatam que eles não optaram por participar do NPS porque perceberam que alguns instrumentos de fundo mútuo e órgãos privados de poupança para aposentadoria têm maior potencial de ultrapassar o mercado e também de oferecer melhores benefícios fiscais. Para incentivar os cidadãos e promover o NPS, o governo desenvolveu três categorias de opções de economia fiscal. A terceira delas é exclusivamente para funcionários assalariados cujas contribuições são feitas por meio do modelo corporativo do NPS. Todas as três categorias podem ser utilizadas em conjunto ou separadas. Além disso, houve uma atenuação recente no limite de saques isentos de impostos do capital permitido no momento da aposentadoria (de um limite anterior de 40% para 60% do capital). Originalmente, embora fosse permitido retirar 60%, o saldo de 20% era taxado a tarifas normais, e isentá-lo totalmente de impostos tornou-o ainda mais atrativo. Embora alguns executivos sêniores possam ter acesso a outros planos de aposentadoria, tais como os planos de Contribuição Definida patrocinados pelo empregador, a maioria da população (principalmente entre a classe trabalhadora) não tem acesso a outros planos; sendo assim, as vantagens fiscais inerentes ao NPS são um incentivo crucial para que comecem a poupar para a aposentadoria. 3. Os cidadãos precisam conhecer os benefícios do modelo   Embora o NPS ofereça diversos benefícios aos participantes, o índice de adesão permanece relativamente baixo.4 Alguns entrevistados de uma pesquisa recente revelaram que não compreendem a importância de poupar e as vantagens dos juros compostos pode ter influenciado na opção de não aderir. Os líderes do NPS usaram diversos métodos para informar e explicar o sistema à população. Por exemplo, foram realizados programas pilotos em duas regiões geográficas oferecendo oficinas, encontros e grupos voltados para os trabalhadores de setores não organizados e principais envolvidos. As informações também foram divulgadas em redes de televisão a cabo, rádio, publicidade móvel em vans, seminários e apresentações itinerantes. A Índia continua medindo o sucesso de seu programa de aposentadoria e pode fazer mais mudanças no futuro. Vários países estão lutando para resolver o desafio em potencial da pobreza na terceira idade, mas o NPS da Índia é uma iniciativa motivadora voltada para a proteção do futuro de muitos de seus cidadãos, e vale a pena olhar o modelo para obter inspiração. Fontes: 1. Nações Unidas: Departamento de Relações Econômicas e Sociais, "World Population Prospects — 2017 Revision: Global life expectancy", United Nations: Department of Public Information, 21 de junho de 2017, https://www.un.org/development/desa/publications/graphic/wpp2017-global-life-expectancy./ 2. "National Pension System — Retirement Plan for All", National Portal of India, 22 de outubro de 2018, https://www.india.gov.in/spotlight/national-pension-system-retirement-plan-all. 3. Kim, Cheolsu; MacKellar, Landis; Galer, Russel G.; Bhardwaj, Guatam, "Implementing an Inclusive and Equitable Pension Reform", Asian Development Bank and Routledge, 2012, https://www.adb.org/sites/default/files/publication/29796/implementing-pension-reform-india.pdf. 4. Zaidi, Babar, "5 Reasons Why Investors Stay Away From NPS. But Should You?" The Economic Times, 27 de dezembro de 2018, https://economictimes.indiatimes.com/wealth/invest/5-reasons-why-investors-stay-away-from-nps-but-should-you/articleshow/61890679.cms.

Inovação

small-tiles Eduardo Marchiori | 27 jun 2019

A migração no mundo dos negócios evoluiu para uma troca mundial complexa de força humana e intelecto entre os países com diferentes culturas e necessidades de força de trabalho. Esse equilíbrio contínuo entre capital humano e necessidades econômicas continua causando impacto na geopolítica do mundo. No entanto, a transformação digital e a Quarta Revolução Industrial estão mudando bastante o papel e o valor das forças de trabalho migrantes. Dos músculos para as placas-mãe   As máquinas e os computadores são cada vez mais capazes de desempenhar trabalhos antes realizados por forças de trabalhos migrantes de baixa qualificação — com maior eficiência e menores custos também. Esse desenvolvimento mundial apresenta desafios inéditos para os trabalhadores migrantes, para os países e para a economia mundial uma vez que a automação e a tecnologia continuam substituindo o trabalho humano em diversos setores, tais como agricultura, automóveis e manufatura. O aumento em potencial no número de desempregados com perspectivas de salários menores mantém vários países preocupados com a ampla agitação econômica e caos político. Como será o mundo, exatamente, quando a automação da Quarta Revolução Industrial substituir as profissões de 258 milhões de migrantes internacionais que se sustentam viajando para locais que oferecem desemprego não qualificado? A promessa do desconhecido   Assim como nas revoluções industriais anteriores, a Quarta Revolução Industrial terá diferentes significados para diferentes pessoas. A transformação digital facilitou o acesso a praticamente qualquer informação via internet e ofereceu a populações inteiras (principalmente aos trabalhadores migrantes) novas oportunidades de obter educação e aprender novas habilidades, negócios e profissões. Os países que antes eram impedidos pela pobreza e isolamento econômico estão abraçando essas novas oportunidades. Por exemplo, a Índia, com 1,3 bilhão de habitantes, espera que seu mercado de transformação digital atinja US$ 710 bilhões até 2024.2 Para os trabalhadores migrantes, o aprendizado de novas habilidades e o desenvolvimento profissional são cruciais para manter o emprego. Vários países e governos já reconheceram a necessidade de oferecer aos cidadãos as habilidades e o conhecimento necessários para competir na era da automação, e isso começa com os trabalhadores tendo acesso a essas tecnologias para criar seu valor e negociabilidade em um mundo competitivo. No entanto, em países como Argentina, Brasil e Estados Unidos, as pessoas sentem fortemente que seus destinos dependem delas mesmas, e não dos governos, e sentem que têm a responsabilidade individual de lidar com as mudanças arrebatadoras da transformação digital.3 Para alguns, isso significa migrar para países e economias que oferecem perspectivas melhores do que as circunstâncias atuais. Um mundo de diferentes necessidades   Conforme visto durante a história, os trabalhadores migrantes são levados para regiões onde há disponibilidade de empregos adequados. Em um mundo definido pela automação e tecnologias computacionais, surge uma nova era de necessidades. Em países desenvolvidos, como Japão, Coreia do Sul, Espanha e Estados Unidos, as taxas de natalidade estão caindo em uma velocidade extraordinária.4 Um problema em particular que afeta a Coreia do Sul e o Japão é o envelhecimento da sociedade, onde o número de idosos está aumentando drasticamente enquanto as taxas de natalidade caem — a escassez de jovens capazes de cuidar da população mais velha e gerar impostos tão necessários por meio de empregos para fundos de aposentadoria para idosos já é uma realidade. O Japão e a Coreia do Sul estão utilizando robôs e automação para cuidar das necessidades físicas, psicológicas e emocionais dos idosos, mas essas tecnologias não são capazes de oferecer os recursos financeiros e serviços domésticos que essas nações precisam para continuar funcionando. O primeiro ministro japonês, Shinzo Abe, apresentou amplas reformas, chamadas geralmente de "Abenomia", que propõem afrouxar as antigas restrições culturais, colocando mais mulheres no mercado de trabalho em diferentes níveis de poder. Entretanto, o aspecto mais controverso da Abenomia é a intenção de abrir o Japão para os trabalhadores migrantes de modo a reduzir as deficiências internas de força de trabalho que exigem recursos exclusivamente humanos — uma medida que muitos cidadãos japoneses consideram ser uma ameaça à sua identidade cultural.5 Porém, sem trabalhadores jovens para estabilizar a economia, o Japão talvez não tenha escolha. A Quarta Revolução Industrial está mudando o jogo e diversos países precisarão de trabalhadores migrantes para preencher as lacunas entre os papéis em evolução do homem e máquina. Por muitos séculos, os migrantes trabalharam duro para satisfazer suas necessidades pessoais que, por sua vez, também satisfazem as necessidades dos países empregadores que exigem sua mão de obra. Nesse cenário econômico moderno, a automação e a tecnologia forçam as mudanças nas funções de trabalho, mas a necessidade de capital humano permanece. Fontes: 1. "International Migration Report," United Nations, 2017, https://www.un.org/en/development/desa/population/migration/publications/migrationreport/docs/MigrationReport2017_Highlights.pdf。/ 2."India Digital Transformation Market to Reach $710 Billion by 2024: P&S Intelligence", Prescient & Strategic Intelligence, 5 de março de 2019. https://www.globenewswire.com/news-release/2019/03/05/1747720/0/en/India-Digital-Transformation-Market-to-Reach-710-Billion-by-2024-P-S-Intelligence.html。 3. Wike, Richard and Stokes, Bruce, "In Advanced and Emerging Economies Alike, Worries About Job Automation," Pew Research Center, September 13, 2018, https://www.pewglobal.org/2018/09/13/in-advanced-and-emerging-economies-alike-worries-about-job-automation/。 4. Kotecki, Peter, "10 Countries at Risk of Becoming Demographic Time Bombs," Business Insider, August 8, 2018, https://www.businessinsider.com/10-countries-at-risk-of-becoming-demographic-time-bombs-2018-8。 5. Yoshida, Reiji, "Success of 'Abenomics' hinges on immigration policy," https://www.japantimes.co.jp/news/2014/05/18/national/success-abenomics-hinges-immigration-policy/#.XJr1GK2ZOgR。

Investimentos

small-tiles Sean Daykin | 13 jun 2019

O Private Equity (PE) está se tornando cada vez mais importante no Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) devido ao recente enfoque na diversificação econômica e esforços de desenvolvimento. Ele surge como uma classe relativamente nova de ativos na região, com interesse no "capital de crescimento" em vez do PE mais tradicional de "compra", visto nos mercados desenvolvidos dos Emirados Árabes e Europa Ocidental, no qual os gestores dos fundos têm participação majoritária. De fato, o capital de risco viu uma explosão na arrecadação de fundos após o sucesso de gigantes de capital de risco da região, como a Careem, e a compra da Souq.com pela Amazon. O Private Equity pode desempenhar um papel importante na geração de crescimento econômico. Fatores como o aumento da riqueza da região, recentes reformas econômicas importantes e fortes iniciativas regionais do governo para fortalecer o empreendedorismo e promover as pequenas e médias empresas tornam os investimentos de PE bastante atraentes. Os governos locais estão tentando fomentar um crescimento ainda maior no capital de risco, criando incubadoras e núcleos regionais com menos regulamentações para incentivar os empreendedores a se estabelecerem na região. Esse empenho acabará gerando crescimento econômico sustentável, maior prosperidade e mais empregos de alta qualificação. No entanto, após o caso amplamente divulgado do Grupo Abraaj1 , o setor tem exigido governança corporativa mais forte na região. Os gestores locais de PE vêm sofrendo um controle bem maior já que os investidores estão começando a prestar mais atenção no modo como seus fundos são administrados.  Os investidores regionais estão solicitando maior compreensão da medição do desempenho de mercados privados. Os compradores e investidores querem fundamentar suas decisões para entrar no mercado de PE com informações testadas e comprovadas, considerando fatores como desempenho passado e com a devida diligência sobre investimentos e operações. Embora seja essencial medir o desempenho absoluto e relativo dos mercados privados, ele apresenta fortes nuances. Como a "criação de valor" é um aspecto importante na história do Private Equity, a medição não deve ser só precisa, como também significativa. Assim como com todos os investimentos, a avaliação do desempenho passado é sempre um fator importante na hora de optar ou não pela inclusão do Private Equity na alocação geral de ativos de um portfólio. No entanto, os investidores de PE devem olhar mais a fundo para saber o verdadeiro desempenho de um fundo, usando rigorosa e devida diligência. Uma combinação de métricas e medidas qualitativas é importante para oferecer uma compreensão holística do registro de acompanhamento do fundo e de seu potencial de desempenho futuro. Em termos de métricas quantitativas, as três mais usadas são: Taxa Interna de Retorno (TIR), relação do Valor Total Pago (TVPI) e relação do valor Distribuído para Integralizado (DPI). A TIR é a métrica mais citada para avaliação do desempenho de um investimento do mercado privado. É uma avaliação baseada no tempo que leva em consideração o investimento feito e adquirido durante um período. Quanto mais tempo o investimento levar para amadurecer (ou vender a um determinado preço), mais cairá uma determinada TIR global anualizada. A segunda medida, TVPI, considera o total do valor recebido dos investimentos (por meio de dividendos e da venda no final) comparado ao investimento inicial realizado. A medida final é a relação DPI, que mede o retorno do capital inicial (por meio de dividendos ou outros pagamentos) comparado ao investimento inicial realizado. O DPI é um barômetro do valor realizado, não do valor total. Todas essas três métricas exercem um papel importante para ajudar os investidores a avaliarem o desempenho histórico de um fundo de Private Equity. Embora não haja uma resposta única para avaliar de modo completo e preciso o desempenho de um fundo de Private Equity, essas métricas, quando utilizadas em conjunto, podem ajudar a obter uma melhor compreensão sobre ele. A medição do desempenho passado de um fundo não lhe diz muito sobre o desempenho do próximo fundo de Private Equity. Essas obrigações possuem uma vida longa e, sendo assim, é necessário considerar outros fatores relacionados ao investimento. Entre eles estão a estabilidade da equipe de investimento, observando como ela busca negócios ou como cria valor nas empresas do seu portfólio. Depois do caso do Grupo Abraaj, a avaliação de gerentes e operações de back-office tornou-se uma medida essencial de devida diligência. Controles internos eficazes, sistemas reforçados e uma equipe operacional bem montada também são fundamentais para que o fundo de Private Equity tenha sucesso. A avaliação do desempenho do mercado privado é, com certeza, mais complicada do que a avaliação do desempenho do mercado público. Ela requer uma visão clara das métricas e metodologias relevantes, é fundamentada por várias perspectivas e demanda especificidade da análise. Além disso, pode ser subjetiva, propensa à manipulação e representa, no final das contas, uma avaliação imperfeita do sucesso de um investimento no mercado privado. No entanto, é provável que a avaliação do desempenho do mercado privado continue evoluindo e acabe diminuindo suas deficiências atuais. "O segredo dos investidores é identificar os talentos capazes de gerar sólidos investimentos de modo contínuo com o passar do tempo". Embora o desempenho passado seja útil para avaliar o histórico de acompanhamento de um gerente, ele não garantirá resultados futuros. Portanto, o investidor precisa realizar investimentos "qualitativos" profundos juntamente com a devida diligência operacional para avaliar a probabilidade do sucesso do investimento futuro. Para saber mais sobre como a Mercer pode ajudar nas suas estratégias de investimento, clique aqui. Fontes: 1Ramady, Mohamed, "Abraaj Capital: The Rise and Fall of a Middle East Star," Al Arabiya, July 3, 2018,https://english.alarabiya.net/en/views/news/middle-east/2018/07/03/Abraaj-Capital-The-rise-and-fall-of-a-Middle-East-star.html#.

Escolhas do editor

Inovação

O futuro do blockchain: o poder que vem dos dados pessoais
Vineet Malhotra | 17 abr 2019

Músicos, poetas e filósofos passam a vida se perguntando: "Quem sou eu?". Em um futuro não tão distante, a resposta a essa pergunta poderá estar armazenada nos seus perfis pessoais de blockchain, ou seja, "baús" digitais que guardam os detalhes de cada decisão, ação e compra realizada desde o dia em que nascemos. Dê adeus à sua certidão de nascimento, passaporte, currículo e histórico médico, e conheça o futuro do blockchain: seu perfil de blockchain. Sua resposta exclusiva à pergunta "Quem é você?" será um registro cronológico, hiperdetalhado e imutável que afirma com uma certeza inédita "Eu sou assim". O blockchain não estará nos nossos pensamentos, emoções, sonhos ou pesadelos. Tampouco captará as confissões íntimas escritas em diários ou ditas ao espelho pela manhã. No entanto, o blockchain jamais se esquecerá que você quebrou o braço aos 5 anos (enquanto escalava um corrimão), como seu coração disparou quando você conheceu a pessoa amada (e deixou seu drink cair no chão) ou que você pagou taxa de entrega expressa em um par de sapatos pretos (para o casamento da sua prima). O blockchain pode não ser o "eu" que os filósofos gregos tinham em mente, mas será o "eu" que o resto do mundo vê — na melhor das hipóteses, com a sua permissão. Conheça seus direitos no mundo digital   As empresas querem ter acesso às suas decisões. As informações que detalham por que você escolheu passar férias no Vietnã, come mexilhões no seu restaurante italiano favorito toda terça-feira à noite ou só usa escovas de dentes com cerdas médias têm grande valor para empresas que querem vender passagens aéreas, frutos do mar e escovas de dentes para você e para pessoas como você. Todas as decisões e ações que você realiza online são dados que revelam parte da sua personalidade e dos seus processos de pensamento. Nos últimos anos, o mercado e os políticos têm debatido o grau de acesso que as empresas devem ter nas decisões pessoais de cada indivíduo, especialmente sobre o que se lê, onde se clica e o que se compra online. Embora haja forças poderosas querendo controlar os dados que as pessoas geram ao usar serviços virtuais, os ventos estão mudando e os órgãos regulatórios estão começando a trabalhar mais a favor da pessoa física. Em maio de 2018, a União Europeia fez história com o General Data Privacy Regulation (GDPR), regulamento que estabelece rigorosamente os direitos básicos sobre privacidade, propriedade, controle, consentimento e portabilidade de dados para todos os seus cidadãos, independentemente de onde seja a residência deles.1 Nos EUA, a HIPAA Privacy Rule estabelece padrões nacionais para proteger registros médicos e outras informações de saúde de pessoas físicas.2 Essas normas têm o objetivo de proteger cidadãos contra organizações que podem querem usar dados pessoais para fins diferentes dos para os quais foram coletados ou que desviam do consentimento explicitamente dado no momento da coleta e, para isso, preveem instrumentos para aplicar vultosas multas a quem as descumprir. Em uma era de transformação digital, é essencial que todos deem valor a seus dados pessoais e à amplitude de seus direitos à privacidade. À venda: hábitos de sono e rotina de atividades físicas   Agora, os dados pessoais fazem parte da dinâmica oferta/procura que move as organizações capitalistas. Além do poder de compra, os consumidores também têm acesso a pensamentos e atividades que antecedem determinadas compras. Essas informações têm um valor incomensurável para empresas que aplicam estratégias orientadas por dados para vender seus produtos e serviços para o público-alvo. Antes da tecnologia blockchain, não era possível ter um registro tão abrangente, capaz de acompanhar as compras e os comportamentos de alguém no contexto de tudo o que está acontecendo em sua vida. Mas agora isso é possível. Hoje, o blockchain possibilita que as pessoas tenham um perfil imutável com detalhes inimagináveis, que começa no dia em que nasceram e as acompanha por toda a vida, registrando tudo, desde quando perderam o primeiro dente até os nomes de seus netos. Cada consulta médica, cada pergunta respondida no dever de casa, cada clique do mouse, cada página visualizada. As empresas, naturalmente, desenvolverão inúmeras maneiras de incentivar que todos permitam o acesso a seus dados. Com direitos individuais estabelecidos como o padrão jurídico, os consumidores terão o poder neste relacionamento, podendo monetizar os dados ao alugar o acesso a diversos aspectos de seus perfis de blockchain, desde os hábitos de sono até a rotina de atividades físicas. À medida que mais acessos forem concedidos e mais fontes de dados estiverem conectadas, os comportamentos poderão ser previstos com mais precisão, aumentando o valor do perfil de uma pessoa. De fato, as pessoas conseguirão se identificar como alvos de marketing, pondo à venda perfis abrangentes e detalhados em um mercado emergente digital de dados pessoais, uma evolução que alterará drasticamente os setores de publicidade, pesquisas e análise de dados.Um mundo de 8,5 bilhões de personalidades Estima-se que a população mundial chegue a 8,5 bilhões de pessoas em 2030. Até lá, a tecnologia blockchain pode ser capaz de organizar, de forma coerente, confiável e segura, os dados sobre as pessoas que formam as comunidades e nações. Isso torna as sociedades centradas na pessoa humana tecnicamente possíveis, nas quais as ações e comportamentos dos cidadãos ficam digitalmente registradas em suas "personalidades", um registro imutável que funciona como uma única fonte da verdade para suas experiências e sensibilidades. Em essências, as pessoas gerarão dados de forma regular e em tempo real, adicionando-os cronologicamente a seus perfis coletivos, que conterão registros de saúde, histórico educacional, credenciais profissionais, registros eleitorais, carteiras de habilitação, antecedentes criminais, situação financeira e quaisquer outros aspectos notáveis que compõem a identidade de alguém. Essa personalidade pode se tornar o registro universalmente aceito ao qual todas as informações relacionadas à identidade podem estar atreladas. Todos os processos que costumamos usar para validar a identidade de alguém serão substituídos por um perfil individual e abrangente de blockchain. A commoditização dos dados pessoais terá um impacto profundo na forma como as pessoas se relacionam entre si e com empresas. Será que o fato de sermos responsáveis pela nossa própria personalidade — e sabermos que os detalhes das nossas vidas estarão registrados para sempre em nosso perfil de blockchain — mudará o nosso comportamento? Será que as tentativas para aumentar o valor da nossa personalidade se transformarão em uma extensão da tentativa de melhorar nossas próprias vidas? Ou vice-versa? A ascensão da personalidade pode alterar o nosso entendimento coletivo de propriedade de maneiras inéditas para a raça humana desde a concepção dos direitos individuais à propriedade. Os desafios do futuro para um mundo do blockchain   Avanços tecnológicos avassaladores sempre têm um lado negativo. Com a proliferação da tecnologia blockchain e a valorização dos dados pessoais, as sociedades correm o risco de ficar ainda mais polarizadas em termos financeiros e de classes sociais. Quem tem mais poder de compra naturalmente tem dados que valem mais para empresas que vendem produtos e serviços ou para instituições públicas que poderiam se beneficiar com o apoio financeiro ou influência dessas pessoas. Quem não tem dinheiro ou acesso a tecnologias modernas enfrentará profundas desvantagens, a menos que os governos (especialmente nas economias em desenvolvimento) implementem normas que impeçam que cidadãos vulneráveis sejam deixados para trás. As economias em desenvolvimento também precisam encontrar formas para integrar intermediários que lutarão contra a perspectiva da tornarem-se obsolteos à medida que as tecnologias de blockchain ganham popularidade. Embora seja difícil prever o futuro e os desafios que as mudanças nos trarão, a História nos mostra que a tecnologia sempre vence quando se cria valor. De uma forma inédita, o futuro do blockchain dá à raça humana a oportunidade de se entender tanto no âmbito coletivo quanto individual. Ao apresentar novos insights sobre os comportamentos humanos, relacionamentos e interações de consumo, podemos aprender uns com os outros e oferecer melhores condições para todos. Talvez os dados da tecnologia blockchain até mesmo demonstrem de forma convincente à humanidade como todos nós somos parecidos. No futuro, a pergunta mais importante que as pessoas se farão não será "Quem sou eu como indivíduo?", mas "Quem somos nós como sociedade?". A resposta para essa pergunta poderá criar o tipo de civilização que existe apenas nos sonhos de músicos, poetas e filósofos. Para saber mais sobre como a tecnologia blockchain , leia Mercer Digital’s Blockchain 101 Overview. 1Palmer, Danny. "What Is GDPR? Everything You Need to Know About the New General Data Protection Regulations." ZDNet, https://www.zdnet.com/article/gdpr-an-executive-guide-to-what-you-need-to-know/. 2"The HIPAA Privacy Rule." Office for Civil Rights, https://www.hhs.gov/hipaa/for-professionals/privacy/index.html.  

Investimentos

4 ameaças às economias em desenvolvimento da região Ásia-Pacífico
Peta Latimer | 21 mar 2019

As economias da região Ásia-Pacífico (APAC) passam pelas flutuações da economia mundial de maneiras muito peculiares, pois cada uma delas é definida por circunstâncias próprias em termos geográficos, sociais e financeiros. No entanto, o ritmo acelerado da transformação digital e o acirramento das tensões geopolíticas conectam os destinos de todas as economias em desenvolvimento da região APAC aos efeitos onipresentes da globalização. Embora as economias da região tenham uma projeção de crescimento sólido de 5,6% nos próximos dois anos, esta previsão otimista está sujeita a graves vulnerabilidades.1 As áreas de exposição podem ser organizadas em quatro categorias: econômica, geopolítica, técnica e ambiental. Vejamos cada uma dessas categorias e como elas podem criar desafios para as nações prontas para crescer no curto prazo. 1. Economia: dívidas e habitação   Em 2016, a região APAC superou a América do Norte como a maior parcela na dívida mundial. De fato, a região é responsável por 35% da dívida mundial, mantendo um crescimento notavelmente regular desde a crise financeira de 2008. Essa dívida deixa as economias regionais suscetíveis a taxas de juros mais altas e uma possível crise de inadimpléncia. Cada economia tem áreas específicas de exposição. Na China, por exemplo, as dívidas de corporações não financeiras e das famílias estão subindo, enquanto no Japão, a maior preocupação é a dívida pública que expõe seu mercado de títulos soberanos. A Índia também está enfrentando o impacto de seus US$ 210 bilhões em gastos com empréstimos de liquidação duvidosa. Os preços de imóveis residenciais em toda a região APAC vêm subindo em ritmo mais acelerado do que o da renda desde 2010, especialmente em lugares como Hong Kong, Austrália, Nova Zelândia e Índia, onde as famílias em Mumbai praticamente não conseguem encontrar imóveis a valores acessíveis. Embora o alto preço da moradia deixe a região alerta à possibilidade iminente do estouro de uma bolha imobiliária, cada país tem seus próprios mecanismos de crédito e números de dívidas familiares que determinam seus níveis de risco. Essas economias precisam se atentar às lições aprendidas com a crise do mercado imobiliário dos EUA em 2008, em que as famílias inadimplentes contribuíram para uma crise econômica mundial que assombra até hoje o setor bancário internacional. De fato, a Austrália apresenta hoje um dos mais altos níveis de dívida familiar do mundo. Considerando que os portfólios dos bancos australianos se baseiem majoritariamente em empréstimos hipotecários — que hoje estão em níveis bem mais elevados do que o mercado imobiliário americano imediatamente antes da deflagração da crise de 2008, muitos investidores americanos e internacionais estão mais inclinados a fazer um hedge do mercado australiano. 2. Geopolítica: protecionismo e desigualdade   Em uma economia global interconectada, todas as regiões são afetadas pelas dinâmicas e tarifas do comércio internacional. A crescente guerra comercial entre a China e os EUA ameaça cadeias de suprimento em toda a região APAC, e uma tendência protecionista pode se infiltrar na intrincada rede de economias de lá, considerando que alguns países têm mais dificuldades do que outros. O dinamismo dos acontecimentos geopolíticos gera incertezas. Essa ansiedade geralmente leva empresas e políticos a restringir e isolar a exposição de suas economias a consequências negativas. De fato, enquanto a China e os EUA redefinem suas prioridades, as nações da região APAC são forçadas a decidir onde e como elas se encaixam neste cenário inconstante. Da Austrália à Índia, as economias da Ásia-Pacífico precisam lidar com as complexidades da cooperação e a concorrência com outras nações sem criar indisposição entre parceiros comerciais nem sacrificar oportunidades de crescimento. Embora a região APAC busque estabilidade em um cenário geopolítico caótico, muitas economias estão passando por enormes mudanças demográficas internas em decorrência do comércio global. O acesso a portos marítimos preparados para operações comerciais, hubs tecnológicos e vagas para profissionais altamente qualificados fez nascer metrópoles e megacidades. A ininterrupta migração das gerações mais novas para zonas urbanas com infraestrutura, culturas e ideias inovadoras está marginalizando a periferia e as zonas rurais. Esta crescente disparidade entre privilegiados e desprivilegiados pode gerar desigualdade de renda e riqueza, disseminar a indignação e causar um mal-estar civil. Os políticos estão tentando administrar as atitudes e as regulamentações predominantes que moldam o gerenciamento de capital humano na região APAC. Josephine Teo, a Ministra do Trabalho de Cingapura, abordou recentemente que os cidadãos do país precisam ir para países vizinhos para trabalhar e pediu para seus conterrâneos não descartarem possibilidades de trabalho em outras economias em desenvolvimento na região APAC, especialmente agora que Cingapura está estreitando seus laços comerciais com a China.2 3. Tecnologia: milagres e ameaças   A tecnologia moldará o futuro da economia mundial. O ritmo de desenvolvimento de novos dispositivos e tecnologias é mais acelerado do que a regulamentação pelos governos, e esta falta de fiscalização criará oportunidades inéditas de crescimento econômico, inovações e crimes. A tecnologia ajudou a região APAC a aumentar a produtividade de sua força de trabalho, a avançar nas reformas sociais e a dominar a sustentabilidade ambiental. O impacto da transformação digital para as nações que formam a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) é impressionante, especialmente no setor de comércio eletrônico, no qual os membros da ASEAN responderam por 40% do volume de vendas mundial no primeiro trimestre de 2017. Só no Sudeste Asiático, espera-se que a quantidade de pessoas com acesso à Internet e a todas as suas possibilidades triplique até 2025, passando de 200 milhões para 600 milhões de usuários.3 Embora alguns postos de trabalho sejam extintos com a chegada de novas tecnologias, elas mesmas devem criar muitas vagas novas. De fato, muitas empresas que criam sistemas de inteligência artificial descobriram que trabalhadores humanos têm um papel ativo no projeto e na execução dessa tecnologia.4 A História também mostra que a inovação gera empregos. Peguemos o surgimento do computador, por exemplo. Embora a demanda por datilógrafos possa ter diminuído, a informática criou novas funções relativas ao desenvolvimento de softwares, operação dos computadores e programação. No entanto, esses prós também trouxeram desafios modernos. Hackers extremamente habilidosos de todas as partes do mundo continuarão atrás de pontos fracos de governos, instituições e empresas de todos os portes. À medida que os dados e a informação passarem a ser recursos cada vez mais valiosos e naturais, os ataques cibernéticos entre países aumentarão em frequência e complexidade. A confluência de alianças entre governos e multinacionais terá ramificações que mudarão a vida das populações e de seus direitos à privacidade. Considerando que cada país tem suas próprias políticas de direitos humanos e acesso a dados pessoais, uma nova geração de leis que regulamentam o ambiente digital emergirá para definir proteções e mitigar a falibilidade humana à medida que as pessoas estão cada vez mais conectadas à tecnologia. 4. Meio ambiente: desastres naturais e soluções criadas pelo ser humano   Os fatores ambientais determinarão as perspectivas econômicas e a qualidade de vida em geral para a região APAC. Geograficamente, ela é a região do planeta mais propensa a desastres. Intercorrências naturais, como inundações e ciclones tropicais, causam danos imensos às zonas litorâneas, onde há maior concentração de pessoas, infraestrutura e instituições. A imprevisibilidade de desastres naturais geralmente causa mortes repentinas — e, às vezes, em massa —, desalojamento de populações e caos socioeconômico. Após traumas tão grandes, cada cidadão e a sociedade em geral precisam lidar com o peso emocional e a desestabilização dos serviços de saúde até que o governo e outras entidades consigam prover meios de alívio. A região APAC precisa ser proativa na implementação de políticas e sistemas integrados capazes de mitigar a devastação que os desastres naturais causam a seus povos e a suas economias. Isso já está acontecendo: mercados mais maduros, como Hong Kong, aumentaram radicalmente sua capacidade de alinhar recursos e responder de forma rápida a fenômenos naturais, como furacões. Conforme as tecnologias e os interesses comerciais continuarem conectando ainda mais a região APAC, os governos precisarão decidir quais são exatamente suas responsabilidades perante outras nações e a região. Dados da UNESCAP   Em uma escala global, a região APAC tem um importante papel no controle de poluentes e emissões danosas. Infraestruturas antigas e regulamentações pouco rigorosas precisam ser substituídas por tecnologias e políticas modernas. No entanto, essa mudança pode ser lenta e cara. Muitas economias da região APAC ainda dependem de recursos energéticos tradicionais, como o carvão e outros combustíveis fósseis. Mesmo assim, um grande progresso tem acontecido nas esferas regionais e locais. A China, por exemplo, já teve um avanço notável ao implementar tecnologias de combustível verde para substituir o carvão e o petróleo e reduzir os poluentes atmosféricos.5 As novas iniciativas da China para trocar os combustíveis fósseis por recursos limpos, como as energias solar e eólica, resultaram em uma melhora significativa da qualidade do ar em cidades como Pequim, sem prejudicar a economia do país. De fato, a China considera que os recursos sustentáveis são o futuro da energia e está fazendo investimentos agressivos em negócios verdes, como painéis solares de alta tecnologia (dois terços dos painéis solares do mundo são fabricados na China) e veículos elétricos, superando até mesmo a Tesla com uma projeção de vendas anuais de 7 milhões de unidades até 2025.6 A região APAC também fez acordos sobre estruturas e novas tecnologias que promovam fontes de energia renovável para combater a poluição atmosférica e a escassez de água, problemas que se enquadram como ameaças diretas e imediatas. Equilibrar o desenvolvimento e o progresso econômico com iniciativas relacionadas ao clima e à sustentabilidade será desafiador, mas necessário. As mudanças climáticas, assim como outros desafios da região, exigirão uma nova era de cooperação entre as nações, governos e forças de trabalho locais. Com a saída dos EUA da Parceria Transpacífica (PTP) em janeiro de 2017, os países da Ásia-Pacífico se viram obrigados a considerar uma abordagem mais regional para solucionar problemas globais. Os líderes da APAC, no entanto, insistiram e, em 2018, assinaram uma nova versão do acordo da PTP e firmaram compromissos com Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Japão, Nova Zelândia, Malásia, México, Peru, Cingapura e Vietnã. O novo acordo, chamado Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífica (AAPPTP), representa cerca de 14% do PIB mundial (menos do que os 40% que a PTP original representava) e, além de detalhar novas dinâmicas comerciais e regulamentações de fiscalização entre os países-membros, também prevê o cumprimento de leis de proteção ambiental de acordo mútuo. Algumas das cláusulas sobre propriedade intelectual, arbitragem e solução de conflitos sobre investimentos foram deixadas de fora do novo tratado para manter a confiança na colaboração multilateral em questões específicas e intervenções locais por parte de governos individuais necessárias ao interesse público. O novo tratado não regula a migração de trabalhadores na região, e os países-membros confirmaram o interesse em proteger seus setores agrário e de serviços. O foco cada vez mais nacionalista dos EUA pode obrigar a região APAC a estreitar suas relações internas, abrindo mais espaço para oportunidades comerciais, intercâmbio de mão de obra e participação conjunta na transformação digital mundial. Com a maioria dos membros pronta para ratificar o novo tratado, este é um bastião do livre comércio em meio a uma crescente retórica protecionista presente em todo o mundo. Há muitos motivos para se ter otimismo quanto ao futuro da região APAC. A transformação digital oferece às economias da região APAC oportunidades inéditas de crescimento e a possibilidade de conectar suas forças de trabalho ao crescimento global da demanda de avanços tecnológicos, empreendedorismo e inovação. A necessidade premente de abordar questões ambientais e contratempos financeiros está gerando um senso de urgência em toda a região. A abertura à colaboração para resolver os problemas é um bom sinal para o futuro da Ásia-Pacífico, à medida que suas lideranças comprometidas e organizações locais coordenam seus pontos fortes coletivos para gerar prosperidade para toda a região. Com a evolução da economia mundial, a região APAC está pronta para desempenhar um papel cada vez mais influente. Leia o relatório 14 Shades of Risk da Marsh & Mclennan na Ásia-Pacífico para saber mais. 1Evolving Risk Concerns in Asia-Pacific:, http://bit.ly/2APQVlZ. 2Lee, Pearl. "Ties with China Multifaceted and Strong: Josephine Teo." The Straits Times, 2 Mar. 2017, www.straitstimes.com/singapore/ties-with-china-multifaceted-and-strong-josephine-teo. 3"Asean the 'next Frontier' for e-Commerce Boom." Bangkok Post. https://www.bangkokpost.com/business/news/1249798/asean-the-next-frontier-for-e-commerce-boom. 4Mims, Christopher. "Without Humans, Artificial Intelligence Is Still Pretty Stupid." The Wall Street Journal, https://www.wsj.com/articles/without-humans-artificial-intelligence-is-still-pretty-stupid-1510488000?mod=article_inline. 5Song, Sha. "Here's How China Is Going Green." Fórum Econômico Mundial,, www.weforum.org/agenda/2018/04/china-is-going-green-here-s-how/. 66Jeff Kearns, Hannah Dormido e Alyssa McDonald.. "China's War on Pollution Will Change the World." Bloomberg, www.bloomberg.com/graphics/2018-china-pollution/.

Carreira

3 segredos para participar da megaurbanização da Índia
Pearly Siffel | 30 mai 2019

A explosão no crescimento da população gera um repositório maior de talentos e, junto com ele, maior pressão sobre os municípios, empresas domésticas e multinacionais para acomodar esse influxo. De que modo as organizações podem aproveitar os benefícios da rápida urbanização e garantir que as necessidades de força de trabalho estejam sendo atendidas? Além disso, qual é a melhor estratégia de entrada no mercado? Atualmente, cinco em cada dez pessoas vivem em centros urbanos na Ásia, o que representa 54% da população urbana mundial1. Nas próximas duas décadas, espera-se que mais um bilhão de pessoas se mude para centros urbanos asiáticos; isso significa um milhão de pessoas chegando toda semana. Em breve, o continente abrigará 60% das megacidades mundiais. Na Índia, essa tendência é ainda mais acelerada, com mais de 200 milhões de pessoas migrando em busca de uma qualidade de vida maior e melhores perspectivas financeiras. Os centros urbanos da Índia terão crescimento exponencial nos próximos anos e a maior parte do PIB do país deverá vir das cidades. E, com o ritmo de crescimento das cidades indianas, o país logo será sede de novas megacidades e centenas de cidades. Em uma viagem à Índia, fica evidente o amplo crescimento do país, bem como seu dinamismo e vitalidade, estimulante e impressionante ao mesmo tempo. A festa de cores, sons, sabores e cheiros (desde os mercados ao ar livre e vendedores de rua ao agito dos saguões de hotel e salas de reunião) invade os sentidos. E no coração de tudo isso está o povo. O crescimento rápido, no entanto, cria desafios enormes às cidades (tanto para as antigas quanto para as novas), às cidades altamente conectadas (ou "inteligentes") e às empresas "startups", locais e multinacionais. Para compreender melhor os obstáculos e as oportunidades, a Mercer realizou um amplo estudo, People First: Driving Growth in Emerging Megacities, que oferece uma análise da vida e trabalho nas cidades em crescimento emergente. O estudo coletou perspectivas de funcionários e trabalhadores em 15 cidades do mundo todo, sendo quatro delas cidades em rápido crescimento na Índia: Ahmedabad, Chennai, Hyderabad e Kolkata. Os resultados oferecem insights práticos para os possíveis beneficiários da urbanização da Índia. A seguir estão nossos três resultados e orientações principais. 1. Saber o que as pessoas mais valorizam   O estudo explora a expectativa dos habitantes de cidades e de que modo elas estão atendendo ao que eles consideram mais importante. Em nível mundial, houve uma lacuna de 30 pontos entre a expectativa de qualidade de vida dos trabalhadores e a maneira como a cidade está satisfazendo essas necessidades. Em todo o mundo, os três fatores principais que afetam o modo como as pessoas sentem a cidade em que moram e trabalham são: segurança e ausência de violência (primeiro), acesso à moradia (segundo) e transporte, trânsito e mobilidade (terceiro). Os resultados da Índia são muito semelhantes; entretanto, existem algumas diferenças regionais. Os habitantes de Kolkata sentem a falta de oportunidades de carreira suficientes (lacuna de 25 pontos). Os habitantes de Ahmedabad e Chennai, enquanto isso, querem que suas cidades apresentem melhores resultados na gestão da qualidade/poluição do ar e da água (lacuna de 14 e 19 pontos, respectivamente); e os salários/benefícios apareceram como o principal desafio em Hyderabad (lacuna de 10 pontos). Para garantir que as cidades possam atender melhor às necessidades dos habitantes de centros urbanos com superpopulação e restrição de recursos, os governos e as empresas devem se unir em um esforço conjunto. O estudo revelou que os trabalhadores não esperam que nenhum grupo seja responsável por resolver os problemas sistêmicos de uma cidade em grande escala. Pelo contrário, eles querem uma colaboração eficaz entre a cidade ou governo local (77%) juntamente com o suporte do governo nacional ou federal (62%) e grandes empresas (53%). Nenhuma entidade pode resolver as necessidades de infraestrutura, talentos ou pessoas de uma cidade em rápido crescimento. Isso pode e deve ser feito por meio de colaboração, interesses em comum e união de esforços. 2. Preparar para o futuro do trabalho   As cidades são geralmente a base de teste das tecnologias de automatização emergentes, e o local de trabalho é normalmente uma das primeiras áreas a sentir o benefício de seus efeitos. Na Índia, a "conectividade" é um modo de vida (mais do que em outras economias globais) e as plataformas digitais são amplamente usadas. Segundo estimativas, mais de 40% das compras sofrerão alta influência digital até 2030.2 A Índia é um dos líderes mundiais na criação de uma estratégia nacional de inteligência artificial; ela está na vanguarda da adoção da tecnologia blockchain e é pioneira no uso de drones. Nossa pesquisa detectou que tanto os funcionários (45%) quanto os empregadores (52%) acreditam que o trabalho será mais eficaz com a automatização e a inteligência artificial. Em nível mundial, 62% dos trabalhadores preveem que a inteligência artificial substituirá pelo menos metade de suas tarefas nos próximos cinco a dez anos. Na Índia, a automatização deve ter um papel maior: 61% dos empregadores e 8% dos funcionários preveem que a tecnologia assumirá mais de 50% da sua função. Como consequência, somente uma em cada cinco pessoas acredita que não perderá o emprego nos próximos cinco anos, o que significa um chamado para que as organizações se preparem para o futuro do trabalho e para as habilidades e funcionários que o futuro exigirá. Há um caminho pela frente. Nosso estudo revela que, atualmente, somente 30% da força de trabalho da Índia nas cidades do futuro possui acordos flexíveis de trabalho. À medida que a tecnologia continua multiplicando os recursos humanos em um ritmo cada vez mais rápido, as empresas não só precisarão planejar onde o trabalho será feito, mas também como será feito. Elas precisarão explorar fontes alternativas de talentos e novas habilidades, além de atribuir importância ainda maior a qualidades claramente humanas para obter um diferencial competitivo contínuo como, por exemplo, solução de problemas complexos, criatividade, atendimento superior ao cliente, colaboração intercultural, juízo e empatia. Na verdade, as empresas serão favorecidas ao colocar as pessoas no centro da tecnologia, e não o inverso. 3. Seja indiano, compre produtos indianos, seja parceiro da Índia   Conforme as empresas internacionais buscam dimensionar suas operações e expandir globalmente, elas seriam negligentes se ignorassem a Índia. Até 2025, o número de lares indianos triplicará em tamanho, sendo 80% deles compostos por famílias de classe média. E, com a classe média crescente, surge a demanda por uma melhor qualidade de vida, das necessidades básicas ao luxo e todas as formas de serviços, desde melhores níveis de moradia, educação e saúde a transporte e segurança mais robustos. À medida que as empresas mundiais bem cotadas na bolsa de valores expandem para a Índia, elas precisarão elaborar estratégias bem fundamentadas e relevantes. Para algumas, o melhor modo de entrada pode ser estabelecendo uma parceria com empresas locais com profundo conhecimento e experiência em como lidar com as normas culturais, com o ambiente regulamentar e com as práticas de negócios. A expansão também significa uma mudança de mentalidade, que antes considerava a Índia como uma rota para o trabalho barato, para uma fonte valiosa de pessoas talentosas e educadas com poder aquisitivo cada vez maior. Resumindo, significará deixar para trás modos tradicionais de trabalho e adotar parcerias locais, práticas e liderança. Ser paciente e constante na busca por crescimento sustentável agregará valor a longo prazo. Por fim, é importante que todos tenham em mente que antes que muitos de nós nos aposentemos, a Índia ultrapassará a economia americana e é provável que se torne o segundo maior mercado mundial.3 O crescimento, assim como o tempo, não espera. Se realizado corretamente, existe potencial de crescimento nos lucros com a rápida expansão urbana da Índia. Sendo crítico, para que todos se beneficiem, é preciso colocar as pessoas em primeiro lugar. Para obter mais insights e conselhos práticos sobre como as empresas e municípios podem acelerar suas estratégias de pessoal e obter ganhos comerciais, faça download de People First: Driving Growth in Emerging Megacities. Fontes: 1U.N. Economic and Social Council, "Urbanization and sustainable development in Asia and the Pacific: linkages and policy implications," March 7, 2017, https://www.unescap.org/commission/73/document/E73_16E.pdf. 2Ojha, Nikhil and Zara, Ingilizian, "How India Will Consume in 2030: 10 Mega Trends," World Economic Forum, January 7, 2019, https://www.weforum.org/agenda/2019/01/10-mega-trends-for-india-in-2030-the-future-of-consumption-in-one-of-the-fastest-growing-consumer-markets. 3Wang, Brian, "World GDP Forecasts for 2030," Next Big Future, January 14, 2019, https://www.nextbigfuture.com/2019/01/world-gdp-forecasts-for-2030.html.

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