CARREIRA

Três traços de liderança fundamentais para o futuro do trabalho

25 de abril de 2019
  • Sophia Powe

    Sócio Sênior e Líder de Serviços Globais de Transações de M&A, Mercer

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"Inteligência emocional e habilidades interpessoais deveriam ser prioridade para os líderes que querem ter sucesso no futuro do trabalho."

A constante evolução da economia global é um reflexo das grandes mudanças que estão acontecendo na população. As economias antes deixadas de lado por correntes políticas, má infraestrutura e forças de trabalho subutilizadas, passaram a usar tecnologias digitais e acesso a recursos interconectados para gerar riqueza e influência sem precedentes.

Mas as economias em crescimento estão fazendo mais do que somente se atualizar com os mercados tradicionais. Elas agora lideram uma onda de profundas mudanças no futuro do trabalho e em toda a economia global. A Índia superou os Estados Unidos e o Japão na liderança das tecnologias de inteligência artificial (IA, artificial intelligence) e automação de processos robóticos (RPA, robotic process automation);1 a antes estagnada economia da América Latina espera um crescimento estável em 2019;2 e o poder aquisitivo da classe média chinesa mudou para sempre o comércio eletrônico e o modo como os consumidores encontram, compram e adquirem produtos e serviços.3

É compreensível que os líderes sintam-se dominados pelo ritmo e âmbito das mudanças atuais e pelo que elas significam para suas organizações e dinâmica da força de trabalho. Estas três qualidades podem ajudar a orientá-los para o sucesso em um futuro incerto.

1. Demonstrar inteligência emocional e habilidades interpessoais

 

"Aprendi que as pessoas esquecem o que você diz, esquecem o que você faz, mas não esquecem como você as faz sentir". — Maya Angelou

Os líderes devem ser verdadeiros com seus sentimentos ao mesmo tempo que reconhecem os sentimentos dos outros. A época de emprego vitalício e planos de aposentadoria garantidos está terminando em diversas regiões, o que significa que os funcionários em todo o mundo agora têm receios sobre a segurança do trabalho e sobre o bem-estar financeiro no longo prazo. Além disso, o relatório 2018 Global Talent Trends da Mercer mostra que os funcionários estão cada vez mais buscando cargos que lhes permitam trabalhar com um propósito, aumentando a pressão sobre os líderes de se conectarem de modo mais aprofundado com seus funcionários. Os líderes executivos que internalizam essa realidade e tomam medidas significativas para reduzir a ansiedade de seus funcionários ganham o respeito dos trabalhadores.

A sinceridade é o pilar da verdadeira comunicação. Os líderes devem tentar desenvolver os quocientes de inteligência emocional (EQ) e habilidades interpessoais de modo que possam inspirar os funcionários e todas as equipes falando diretamente com suas emoções e expressando a verdade. A realidade sempre prevalece. As pessoas respeitam os líderes que as tratam com respeito e as preparam com informações que terão impacto em suas vidas.

Inteligência emocional e habilidades interpessoais deveriam ser prioridade para os líderes executivos que querem ter sucesso no futuro do trabalho. Conseguir identificar-se com as aspirações, sensibilidades e desafios de outras pessoas requer um esforço conjunto para escutar, compreender e tomar medidas. À medida que as forças de trabalho (principalmente em países em crescimento) mudam de áreas rurais para megacidades emergentes, os líderes devem atender suas preocupações em encontrar creche e transportes acessíveis, ter acesso a oportunidades de investimento financeiro e buscar programas de desenvolvimento profissional.

As habilidades interpessoais permitem que os líderes comuniquem, e não "ditem" informações. Essa conexão fomenta relações fortes e produtividade entre os funcionários, que, por sua vez, se sentem peças fundamentais para os objetivos e sucesso do negócio. Porque, na verdade, eles são. A verdadeira valorização é um poderoso fator motivacional.

2. Ter paixão pela tecnologia

 

Os líderes que acham que o sucesso está garantido estão fadados à desatualização. A imagem de um líder em um escritório grande com equipes de funcionários cumprindo ordens e divulgando seus comunicados está se tornando obsoleta. A tecnologia está sempre evoluindo e os líderes executivos não podem contar com os outros para preencher a lacuna quando se trata de saber usar dispositivos digitais, plataformas e estratégias modernas.

Aprender novas tecnologias exige tempo e, para muitos líderes, o tempo é um bem precioso. A transformação digital, no entanto, exige que os líderes executivos se envolvam ativamente no desenvolvimento de inovações tecnológicas e tendências que causem impacto nas operações comerciais, no engajamento com os clientes e nas estratégias de vendas.

O futuro do trabalho requer que os líderes tenham habilidade técnica para se comunicar nos mais novos ecossistemas digitais e canais de mídia. Essa visão demonstra sua compreensão de como a tecnologia está evoluindo e de como ela conduz os negócios em um mundo hiperinterconectado. Os líderes executivos devem pedir com frequência aos funcionários e fornecedores externos (até mesmo os concorrentes) para "mostrar-lhes" ou "ensinar-lhes", pois essas perguntas denotam uma paixão por aprender e uma inteligência emocional que valoriza a necessidade de se manterem informados e atualizados.

Ter conhecimento tecnológico também permite que os líderes façam conexões em termos de recursos operacionais, conjuntos de habilidades da força de trabalho e necessidade de alternar entre prioridades e investimentos em crescimento. Em caso de dúvida, não é vergonhoso perguntar como se usa o mais novo aplicativo ou dispositivo. O futuro não espera por ninguém.

3. Saber que todo o conhecimento é global

 

Pense no seu smartphone. Ele provavelmente contém lítio do Chile, índio da China e coltan de Ruanda.4 Até mesmo o negócio mais local depende da economia global, e os líderes que conseguem contextualizar oportunidades de negócio com uma mentalidade internacional estão prontos para o sucesso no futuro do trabalho.

Em 2025, a população mundial será de 8,1 bilhões de pessoas — o que representa um nível histórico de oportunidades de negócios, mercados inexplorados e fontes de renda esperando para serem descobertos.5 O crescimento é o resultado de iniciativas visionárias que planejam o caminho futuro do negócio. Enquanto as economias ocidentais continuam enfrentando dificuldades com a turbulência política (desde a implementação do Brexit até dinâmicas incertas de comércio internacional dos EUA), as economias em crescimento conseguem exercer maior influência em todos os setores.

Os líderes voltados para o crescimento, no entanto, enfrentam o desafio de obter consenso e de garantir a adesão dos vários envolvidos. Desde os executivos e funcionários de alto escalão até investidores e acionistas, os líderes devem conseguir comunicar uma visão e estratégia que capture o potencial do futuro do trabalho. Os líderes devem sempre pensar em termos de uma economia globalizada, pois é aí que reside a oportunidade: nos corações, mentes e necessidades de uma população em expansão. Isso continuará impulsionando os negócios no futuro, desde que os líderes mantenham uma visão de avanço.

As economias em crescimento oferecem mais do que mercados de vendas lucrativos aos líderes executivos. Elas oferecem importantes cadeias de suprimentos e oportunidades de investimento em ativos que vão desde a infraestrutura e fabricação até o capital humano e tecnologias digitais. Em um mundo globalizado, o futuro do trabalho pertence aos líderes que compreendem que as oportunidades virão de economias em crescimento e que entendem a influência exercida pela inteligência emocional, tecnologia e mentalidade global em sua capacidade de ter sucesso.

1Some, Kamalika. "India Leads US and Japan in Driving RPA and AI Based Technologies." Analytics Insight, 2 Oct. 2018, https://www.analyticsinsight.net/india-leads-us-japan-driving-rpa-ai-based-technologies/.
2
"Latin America Outlook 3Q18." BBVA Research, https://www.bbvaresearch.com/wp-content/uploads/2018/08/Latin_America_Outlook_3Q18.pdf.
3
Riming, Nie. "How China's Middle Class Will Dictate the Future of E-Commerce." Sixth Tone, 16 Jan. 2018, https://www.sixthtone.com/news/1001560/how-chinas-middle-class-will-dictate-the-future-of-e-commerce.
4
Olingo, Allan. "Minerals in Your Mobile Phone." The East African, https://www.theeastafrican.co.ke/business/Minerals-in-your-mobile-phone-/-/2560/2739730/-/xveeqw/-/index.html
5
Olson, Alexandra. "U.N.: World Population to Reach 8.1B in 2025." USA Today, Gannett Satellite Information Network, 13 June 2013, https://www.usatoday.com/story/news/world/2013/06/13/un-world-population-81-billion-2025/2420989/.

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David Anderson | 22 ago 2019

A cidade viva. A cidade conectada. A cidade inteligente. A cidade ágil. A cidade orientada por dados. A cidade integrada. A cidade movida a blockchain. A cidade sustentável. A cidade pronta para o futuro. Não existe falta de visão, inspiração e talento quando se trata das cidades de hoje em dia. Ainda assim, elas devem atrair investimento estrangeiro direto (juntamente com empresas bem cotadas na bolsa de valores, empresas start-ups e grandes talentos) e ter acesso à melhor tecnologia possível para gerar crescimento. Mas o crescimento do PIB mundial não virá das mesmas fontes de sempre. Ele seguirá o destino das futuras cidades inteligentes com maior competitividade, muitas das quais são áreas urbanas esquecidas, com oportunidades para ultrapassar megacidades estabelecidas que já foram, no passado, verdadeiros lares dos funcionários e executivos de maior sucesso mundial. Com o investimento em tecnologias de informação e comunicação que aprimoram a qualidade e o desempenho dos serviços urbanos, tais como energia e mobilidade, essas cidades inteligentes estão competindo pelos trabalhadores altamente qualificados, que sustentarão suas organizações e garantirão o crescimento. As questões encaradas por empregadores e talentos   Na hora de decidir onde trabalhar, morar e criar sua família, esses funcionários priorizam os fatores humanos e sociais citados no recente estudo da Mercer, People First: Driving Growth in Emerging Megacities. Os funcionários tinham que classificar em ordem de importância os 20 fatores de tomada de decisão levando em consideração quatro pilares cruciais: humano, saúde, dinheiro e trabalho. Na hora de decidir em qual cidade morar e trabalhar, os entrevistados classificaram os fatores humanos, como satisfação com a vida em geral, segurança, respeito ambiental e proximidade de amigos e família, como os mais importantes. O estudo também analisa o modo como algumas das cidades mundiais de mais rápido crescimento, desde Kolkata, na Índia, a Lagos, na Nigéria, se desenvolvem economicamente, atraem pessoas, permitem que novos habitantes tenham sucesso e oferecem a seus cidadãos uma oportunidade para uma vida melhor. A partir desses insights, os líderes municipais e legisladores de todo o mundo podem aprender lições valiosas não só sobre o que é necessário para manter como também para promover o desenvolvimento. De fato, em um mundo cada vez mais urbanizado, onde há escassez de talentos altamente qualificados, os empregadores e as cidades estão fazendo importantes perguntas existenciais: ·  O que faz os profissionais se mudarem e ficarem em uma cidade específica? ·  Como os empregadores e as cidades podem reter funcionários talentosos com o alto nível de qualificação exigido pelas empresas start-ups emergentes, pelas futuras gigantes e por marcas globais nos locais promissores? ·  O que, exatamente, os funcionários produtivos querem do empregador e de sua cidade? As respostas podem estar no modo bem-sucedido como as megacidades emergentes mundiais priorizam sua transformação, de uma ideia urbana secundária a um membro de potência mundial. Sendo assim, é importante analisar a comparação de uma amostragem de cidades que mostram alto potencial para ter sucesso e mantê-lo no longo prazo. O que elas têm em comum é o compromisso com a superioridade regional de oportunidade e recursos, de se estabelecerem, à sua maneira, como versões do Vale do Silício, onde os futuros talentos de maior qualificação podem prosperar, construindo vidas com propósito em meio à evolução da inteligência artificial e da tecnologia avançada. De "Cyberbad" a outras candidatas   Um exemplo clássico de megacidade emergente é Hyderabad, capital de Telegana, estado ao sul da Índia. Com oito milhões de habitantes, Hyderabad é a sexta aglomeração urbana mais populosa da Índia, conhecida popularmente como Cyberbad — o "Vale do Silício da Índia" — devido à sua crescente reputação como centro mundial de tecnologia da informação. (As megacidades são definidas como as que possuem 10 milhões de habitantes ou mais; as cidades abordadas neste artigo ou atingiram esta marca ou devem atingir.) Juntamente com a TI, no entanto, Hyderabad está vivenciando o desenvolvimento no setor automotivo e farmacêutico, bem como na sua base agrícola tradicional. Com alto investimento em infraestrutura digital e de propriedade, a cidade está se atualizando para receber empresas de TI, principalmente com o desenvolvimento de sua cidade HITEC, local com instalações de tecnologia de ponta de gigantes americanas de TI. O varejo também teve sucesso, com lojas de marcas nacionais e internacionais abrindo na cidade. Em comparação, a cidade de Chennai, um pouco maior (com 9 milhões de habitantes em 2017 e PIB de US$ 59 bilhões em 2014), é conhecida como a "Detroit da Índia" e lidera o setor automotivo do país; porém, o aumento nos serviços de software, turismo médico, serviços financeiros e fabricação de hardware (juntamente com produtos petroquímicos e têxteis) também contribui para sua amplitude econômica. Ela também é uma importante exportadora de serviços de terceirização de processos comerciais e de TI. Em uma escala econômica absoluta, as megacidades emergentes da China são impressionantes. Com um PIB de US$ 234 bilhões em 2014 e 14 milhões de habitantes em 2017, Chengdu ocupa o primeiro lugar em área metropolitana no oeste da China e prospera com setores emergentes, em particular no setor de preservação de energia e proteção ambiental, que a torna um destino atraente para profissionais qualificados. De fato, a ênfase em setores de "nova energia" (em materiais, automóveis elétricos e híbridos e TI) está impulsionando Chengdu. Enquanto isso, a segunda maior cidade ao leste da China, Nanquim (com PIB de US$ 203 bilhões em 2014 e sete milhões de habitantes em 2017), é dominada pelos setores de serviços, liderados por serviços financeiros, cultura e turismo. TI, proteção ambiental, nova energia e redes de energia inteligentes têm se tornado pilares adicionais de Nanquim, com um grande número de empresas multinacionais estabelecendo centros de pesquisa ali. O índice de desemprego de Nanquim tem ficado abaixo da média nacional do país por vários anos. Do Quênia a Jalisco   Enquanto a China e a Índia podem dominar a escala de economias emergentes, outras regiões geográficas se destacam no mapa das megacidades emergentes. Nairóbi não só é a capital e maior cidade do Quênia, como também está a caminho de um crescimento populacional de quatro milhões em 2017 para 10 milhões até 2030. Com mais de 100 organizações internacionais, entre elas o Programa Ambiental das Nações Unidas e o Banco Mundial, além de sede regional de grandes corporações de fabricação e TI, Nairóbi compartilha sua superioridade agrícola com um pé na economia de hoje e de amanhã. Da mesma forma, Guadalajara (com PIB de US$ 81 bilhões em 2014 e cinco milhões de habitantes em 2017) é maior do que a capital e a maior cidade do estado de Jalisco, no México. É conhecida como o "Vale do Silício Mexicano", segundo o Financial Times, e é considerada a cidade com maior potencial de atração de investimentos no México. É tipo um centro social/cultural, com um Festival de Cinema e uma Feira do Livro internacionais, que complementam o desenvolvimento do setor de alta tecnologia, de fabricação de eletrônicos e produtos químicos, tornando-a um ímã hemisférico que atrai talentos. Cada uma dessas cidades comprova o caso de talentos à sua própria maneira, criando um ambiente de funcionários altamente qualificados que têm sucesso em várias dimensões. Isso requer colocar as pessoas em primeiro lugar e concentrar-se no que mais importa para elas. O estudo da Mercer sobre Megacidades Emergentes mostra que os empregadores geralmente se equivocam sobre o que motiva as pessoas a se mudarem para uma cidade e permanecerem lá: os fatores humanos e sociais são mais importantes do que o dinheiro e o trabalho. Nas cidades emergentes, o modelo de Vale do Silício pode ser uma forte estratégia de inspiração, mas, em cada caso, a cidade deve se comprovar como um local para viver, hoje e no futuro. Publicado originalmente em BRINK News.

Katie Kuehner-Hebert | 22 ago 2019

À medida que as empresas continuam migrando para um mundo totalmente digital, essa onda de transformação terá impacto inevitável em todas as áreas de trabalho, digitalizando tudo, desde funções financeiras e conformidade fiscal até análises de dados e mais além. Cerca de 73% dos executivos preveem uma grande revolução em seus setores nos próximos três anos, segundo o relatório Global Talent Trends 2019 da Mercer. Esse número, maior do que os 26% em 2018, é em grande parte devido à transformação digital. Mais da metade dos executivos também esperam que a inteligência artificial e a automação substituam um em cada cinco cargos atuais de sua organização. Embora isso possa preocupar algumas organizações, esses dois terremotos acabarão criando 58 milhões de empregos novos até 2022. Os líderes executivos que responderam à pesquisa anual da Mercer tiveram diversas opiniões sobre o crescimento econômico que esses avanços tecnológicos terão em todo o mundo. A digitalização pode prometer mais oportunidades, mas também prevê maior concorrência com inúmeros participantes novos — e possivelmente mais espertos. Avaliação da visão geral econômica mundial   A turbulência no cenário econômico mundial é composta por incertezas sobre como serão resolvidas as tensões comerciais entre Estados Unidos e China, segundo o relatório da Mercer Economic and Market Outlook 2019 and Beyond. A economia americana pode desacelerar um pouco com as taxas de juros mais altas enquanto a economia chinesa permanecerá dependente de como as tensões comerciais serão resolvidas. Outras economias de mercados emergentes devem continuar crescendo aproximadamente no mesmo ritmo, com a possibilidade de um crescimento mais forte quando as tensões comerciais diminuírem. O relatório da pesquisa Themes and Opportunities 2019 da Mercer observa que "as evidências crescentes da ampliação excessiva de crédito" estão criando ainda mais turbulências, com a incerteza sobre como o recuo dos bancos centrais do envolvimento com o mercado após introduções de liquidez em massa terá impacto nas economias. O relatório também observa que existe a possibilidade única de "o ritmo da globalização desacelerar, pausar ou até mesmo retroceder" devido a influências políticas, principalmente no comércio. Além disso, existem expectativas cada vez maiores dos governos, órgãos reguladores e beneficiários de que os proprietários de ativos e gestores de investimentos incorporem a sustentabilidade como uma ação padrão. Transformação digital da conformidade fiscal   As empresas que navegam por essas ondas de mudança buscarão cada vez mais a digitalização para ajudar a gerenciar e responder tanto às oportunidades quanto às obrigações — inclusive a conformidade fiscal nas regiões geográficas. Essa também é uma meta móvel, principalmente na Ásia, já que alguns países estão implementando agora tecnologias digitais para melhorar seu trabalho de coleta de impostos. Em 2015, a relação média entre imposto e PIB de 28 economias na região era de apenas 17,5%, um pouco mais que metade da relação tributária média de 34% entre as economias da OCDE. Houve um grande avanço com o uso de envios eletrônicos de declarações de impostos dos principais impostos da Índia, Cazaquistão, Malásia, Mongólia, Nepal, Cingapura e China. Além disso, pagamentos eletrônicos obrigatórios são exigidos agora por órgãos de receita na República Popular da China, Indonésia, Mongólia e Vietnã.1 A digitalização e a maior regulamentação fiscal também pretendem melhorar amplamente os trabalhos de coleta embora seja necessário um empurrão maior. Os governos estão dando passos largos nos trabalhos de administração fiscal com a ajuda da digitalização — incluindo o envio de avaliações eletrônicas a empresas pelos impostos devidos, baseado em sistemas de auditoria eletrônica.2 Se os sistemas encontram discrepâncias nos relatórios fiscais mensais dos vendedores, uma avaliação eletrônica é emitida automaticamente, incluindo juros e multa. Andy Hovancik, presidente e CEO da Sovos, resume: "O ponto principal é: a cobrança fiscal está incorporada agora na maioria dos processos comerciais importantes, mudando o mundo tributário e revolucionando décadas de processos comerciais antigos. Como resultado, o imposto está orientando a transformação digital nos departamentos financeiro e contábil. Agora, mais do que nunca, as empresas precisam de uma nova abordagem à automação fiscal para garantir a conformidade".2 Os executivos financeiros concordam, inclusive Michael Bernard, diretor tributário de impostos sobre transações na Vertex Inc. Ele afirma: "Os governos em todo o mundo estão buscando novas formas de conformidade, como regulamentações de fatura eletrônica, que exigem que os departamentos de TI incorporem fluxos de trabalho nos processos principais, bem como verificações em tempo real de conformidade do imposto VAT. Em 2019, as organizações financeiras começarão a incluir considerações fiscais nas estratégias de transformação digital. Um roteiro eficaz inclui ações relacionadas ao uso de dados para vincular processos comerciais e obrigações de conformidade fiscal".3 Orientação da estratégia comercial com conformidade   A digitalização sozinha não permitirá que as empresas cumpram melhor as novas regulamentações fiscais — tornando a conformidade um desejo central de estratégia comercial. Isso inclui implementar sessões de treinamento na empresa para ajudar os funcionários a desenvolver um estado de plena atenção quando se trata de conformidade. Mas, nessa época de maior responsabilidade, Leila Szwarc, chefe de conformidade global e serviços regulamentares estratégicos no TMFGroup, afirma que as empresas devem reimaginar a noção de conformidade como um "capacitador de negócios" capaz de distingui-lo dos concorrentes.4 Segundo Szwarc, "A conformidade deve ser vista como um capacitador de negócios e não como um dreno do desenvolvimento, mas isso só pode acontecer se as empresas trabalharem de forma integrada trazendo soluções criativas aos desafios organizacionais relacionados". Ela continua: "À medida que as empresas da região APAC encaram um nova época regulamentar, as equipes de conformidade têm um papel importante a ser exercido tanto na proteção dos interesses das empresas quanto na ajuda para gerar um diferencial competitivo de longo prazo". Com um mercado incerto à frente e amplas mudanças no horizonte, é mais importante do que nunca antecipar-se e pensar em como seu negócio pode não só sobreviver à onda da iminente transformação digital como também prosperar com ela. Comece a planejar sua estratégia de negócios, colocando a conformidade e a digitalização no centro; com essas ideias em mente hoje, você estará melhor amanhã. Fontes: 1.Suzuki, Yasushi; Highfield, Richard. "How digital technology can raise tax revenue in Asia-Pacific". Asian Development Blog, 13 de setembro de 2018, https://blogs.adb.org/blog/how-digital-technology-can-raise-tax-revenue-asia-pacific./ 2.Hovancik, Andy. "How Modern Taxation is Driving Digital Transformation in Finance". Payments Journal, 16 de julho de 2018, https://www.paymentsjournal.com/how-modern-taxation-is-driving-digital-transformation-in-finance/. 3 Schliebs, Henner. "2019 CFO Priorities: Experts Predict Top Trends". Digitalist Magazine, 18 de dezembro de 2018, https://www.digitalistmag.com/finance/2018/12/18/2019-cfo-priorities-experts-predict-top-trends-06195293. 4. Szwarc, Leila. "Regulatory compliance – The new business enabler". Risk.net, 18 de março de 2019, https://www.risk.net/regulation/6485861/regulatory-compliance-the-new-business-enabler.

A posição única da África como um continente composto amplamente por jovens que estão adotando a transformação digital oferece aos bancos de todo o mundo um breve olhar sobre o futuro. Essa nova geração prefere agilidade a burocracia, e automação on-line a interações convencionais perturbadas por ineficiência humana, restrições geográficas e falta de capacidade de adaptação.           Na realidade, 40% dos usuários de bancos africanos dizem que preferem usar canais digitais para suas necessidades bancárias.1 Esse movimento drástico na preferência dos clientes está empurrando a África para a vanguarda das mudanças e tornando o setor bancário africano um berço de inovação. A África do Sul, Quênia, Nigéria e Costa do Marfim, em particular, estão liderando o caminho, atravessando o impacto e consequências sem precedentes que a digitalização dos serviços bancários e ascensão das "fintechs" estão tendo nos clientes, na receita e no futuro dos funcionários bancários. A ascensão do uso móvel e dos serviços bancários digitais   O uso móvel e os serviços bancários digitais andam de mãos dadas. Os usuários bancários africanos preferem os serviços bancários digitais porque já incorporaram os canais digitais em seu estilo de vida. Em 2017, mais de 90% da África subsaariana era coberta por redes 2G; agora, redes de banda larga móvel mais avançadas estão sendo implementadas rapidamente em todas essas regiões, onde um terço dos usuários móveis — 250 milhões de pessoas — têm um smartphone.2 Essa familiaridade com a tecnologia móvel e confiança nas plataformas digitais facilitam a adoção de canais bancários digitais. Criação sem precedentes de acesso à prosperidade   Dispositivos mais rápidos e baratos e o acesso mais amplo a redes robustas estão permitindo que os países pobres da África dêem um salto para uma nova época de conectividade, informação e recursos on-line. Esse forte desenvolvimento não só ofusca o impacto da telefonia fixa, como também cria uma nova realidade onde, na África subsaariana, os telefones celulares são mais comuns do que o acesso à energia elétrica. Os sistemas monetários móveis que permitem às pessoas enviar dinheiro diretamente a partir de seus telefones elevaram o destino econômico das populações — tirando da pobreza, por exemplo, 2% dos lares quenianos entre 2008 e 2014.3 A Nigéria (onde 60% da população tem menos de 25 anos), juntamente com a China, Índia, Paquistão e Indonésia, terão 50% do 1,6 bilhão de usuários de internet móvel projetados para estar on-line até 2025.4 "O crescimento contínuo de gerações de usuários bancários conectados e com conhecimento tecnológico deve revolucionar todo o setor e suas forças de trabalho". Os desafios da modernização das forças de trabalho bancárias   Para compreender o impacto que a transformação digital e os serviços bancários móveis estão tendo nos bancos e seus funcionários, basta olhar os desenvolvimentos recentes no Standard Bank: mesmo sendo um dos bancos mais poderosos e influentes da África, ele anunciou o plano de fechar até 91 agências em todo o continente, colocando em risco mais de 1.000 empregos.5 A digitalização das transações e processos que eram antes realizados por seres humanos está criando grandes desafios para os bancos e funcionários bancários que se sustentam com as habilidades cada vez mais antiquadas. Para o setor bancário mundial, a África representa um futuro inevitável e muito próximo, e os funcionários têm razão de estarem preocupados com a viabilidade de suas carreiras bancárias. Enquanto grandes bancos estão buscando maneiras inovadoras de lutar contra a concorrência cada vez maior e de promover o crescimento de suas carteiras em meio a condições comerciais complicadas, está surgindo uma nova geração de bancos orientados pela tecnologia e organizações fintech, como o TymeBank e o Bank Zero. Encontrar oportunidade em tempos de mudança   Com a mudança, existe sempre oportunidade. O relatório Global Talent Trends 2019 da Mercer explica que a inovação pode muitas vezes apresentar grandes obstáculos às forças de trabalho legadas, mas também pode oferecer oportunidades sem precedentes para o desenvolvimento da carreira e crescimento profissional. A Mercer pode oferecer aos CEOs, CFOs e executivos bancários o conhecimento e recursos necessários para implementar a digitalização em todo o setor financeiro, usando as lições aprendidas com o forte avanço bancário na África. A junção na África da tecnologia com clientes com conhecimento tecnológico acelerou a taxa na qual o setor bancário digital está crescendo e o potencial desse crescimento pode elevar o local de trabalho mundial. Enquanto os clientes com conhecimento tecnológico em todo o mundo exigem que os bancos migrem investimentos, recursos e estratégias para fintechs e plataformas móveis fáceis, a experiência confiável da Mercer oferece transparência e estratégias claras que capacitam os bancos — e suas forças de trabalho — a se adaptarem a uma nova era da transformação digital. Fontes: 1Agabi, Chris. "40% of African bank customers prefer digital channels transactions — Report." Mobile Money Africa, 23 Apr. 2019, https://mobilemoneyafrica.com/blog/40-of-african-bank-customers-prefer-digital-channels-transactions-report. 2Radcliffe, Damien. "Mobile in Sub-Saharan Africa: Can world's fastest-growing mobile region keep it up?" ZDNet, 16 Oct. 2018, https://www.zdnet.com/article/mobile-in-sub-saharan-africa-can-worlds-fastest-growing-mobile-region-keep-it-up/. 3"In much of sub-Saharan Africa, mobile phones are more common than access to electricity." The Economist, 8 Nov. 2017, https://www.economist.com/graphic-detail/2017/11/08/in-much-of-sub-saharan-africa-mobile-phones-are-more-common-than-access-to-electricity. 4Kazeem, Yomi. "Nigeria's young population will help drive global mobile internet user growth over the next decade." Quartz Africa, 18 Sept. 2018, https://qz.com/africa/1393908/gsma-nigeria-to-add-50-million-mobile-internet-users-by-2025/. 5Khumalo, Kabelo. "Customer behaviour triggered Standard Bank move to close 91 branches." Business Report, 15 Mar. 2019, https://www.iol.co.za/business-report/companies/customer-behaviour-triggered-standard-bank-move-to-close-91-branches-19896105.

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David Anderson | 22 ago 2019

A cidade viva. A cidade conectada. A cidade inteligente. A cidade ágil. A cidade orientada por dados. A cidade integrada. A cidade movida a blockchain. A cidade sustentável. A cidade pronta para o futuro. Não existe falta de visão, inspiração e talento quando se trata das cidades de hoje em dia. Ainda assim, elas devem atrair investimento estrangeiro direto (juntamente com empresas bem cotadas na bolsa de valores, empresas start-ups e grandes talentos) e ter acesso à melhor tecnologia possível para gerar crescimento. Mas o crescimento do PIB mundial não virá das mesmas fontes de sempre. Ele seguirá o destino das futuras cidades inteligentes com maior competitividade, muitas das quais são áreas urbanas esquecidas, com oportunidades para ultrapassar megacidades estabelecidas que já foram, no passado, verdadeiros lares dos funcionários e executivos de maior sucesso mundial. Com o investimento em tecnologias de informação e comunicação que aprimoram a qualidade e o desempenho dos serviços urbanos, tais como energia e mobilidade, essas cidades inteligentes estão competindo pelos trabalhadores altamente qualificados, que sustentarão suas organizações e garantirão o crescimento. As questões encaradas por empregadores e talentos   Na hora de decidir onde trabalhar, morar e criar sua família, esses funcionários priorizam os fatores humanos e sociais citados no recente estudo da Mercer, People First: Driving Growth in Emerging Megacities. Os funcionários tinham que classificar em ordem de importância os 20 fatores de tomada de decisão levando em consideração quatro pilares cruciais: humano, saúde, dinheiro e trabalho. Na hora de decidir em qual cidade morar e trabalhar, os entrevistados classificaram os fatores humanos, como satisfação com a vida em geral, segurança, respeito ambiental e proximidade de amigos e família, como os mais importantes. O estudo também analisa o modo como algumas das cidades mundiais de mais rápido crescimento, desde Kolkata, na Índia, a Lagos, na Nigéria, se desenvolvem economicamente, atraem pessoas, permitem que novos habitantes tenham sucesso e oferecem a seus cidadãos uma oportunidade para uma vida melhor. A partir desses insights, os líderes municipais e legisladores de todo o mundo podem aprender lições valiosas não só sobre o que é necessário para manter como também para promover o desenvolvimento. De fato, em um mundo cada vez mais urbanizado, onde há escassez de talentos altamente qualificados, os empregadores e as cidades estão fazendo importantes perguntas existenciais: ·  O que faz os profissionais se mudarem e ficarem em uma cidade específica? ·  Como os empregadores e as cidades podem reter funcionários talentosos com o alto nível de qualificação exigido pelas empresas start-ups emergentes, pelas futuras gigantes e por marcas globais nos locais promissores? ·  O que, exatamente, os funcionários produtivos querem do empregador e de sua cidade? As respostas podem estar no modo bem-sucedido como as megacidades emergentes mundiais priorizam sua transformação, de uma ideia urbana secundária a um membro de potência mundial. Sendo assim, é importante analisar a comparação de uma amostragem de cidades que mostram alto potencial para ter sucesso e mantê-lo no longo prazo. O que elas têm em comum é o compromisso com a superioridade regional de oportunidade e recursos, de se estabelecerem, à sua maneira, como versões do Vale do Silício, onde os futuros talentos de maior qualificação podem prosperar, construindo vidas com propósito em meio à evolução da inteligência artificial e da tecnologia avançada. De "Cyberbad" a outras candidatas   Um exemplo clássico de megacidade emergente é Hyderabad, capital de Telegana, estado ao sul da Índia. Com oito milhões de habitantes, Hyderabad é a sexta aglomeração urbana mais populosa da Índia, conhecida popularmente como Cyberbad — o "Vale do Silício da Índia" — devido à sua crescente reputação como centro mundial de tecnologia da informação. (As megacidades são definidas como as que possuem 10 milhões de habitantes ou mais; as cidades abordadas neste artigo ou atingiram esta marca ou devem atingir.) Juntamente com a TI, no entanto, Hyderabad está vivenciando o desenvolvimento no setor automotivo e farmacêutico, bem como na sua base agrícola tradicional. Com alto investimento em infraestrutura digital e de propriedade, a cidade está se atualizando para receber empresas de TI, principalmente com o desenvolvimento de sua cidade HITEC, local com instalações de tecnologia de ponta de gigantes americanas de TI. O varejo também teve sucesso, com lojas de marcas nacionais e internacionais abrindo na cidade. Em comparação, a cidade de Chennai, um pouco maior (com 9 milhões de habitantes em 2017 e PIB de US$ 59 bilhões em 2014), é conhecida como a "Detroit da Índia" e lidera o setor automotivo do país; porém, o aumento nos serviços de software, turismo médico, serviços financeiros e fabricação de hardware (juntamente com produtos petroquímicos e têxteis) também contribui para sua amplitude econômica. Ela também é uma importante exportadora de serviços de terceirização de processos comerciais e de TI. Em uma escala econômica absoluta, as megacidades emergentes da China são impressionantes. Com um PIB de US$ 234 bilhões em 2014 e 14 milhões de habitantes em 2017, Chengdu ocupa o primeiro lugar em área metropolitana no oeste da China e prospera com setores emergentes, em particular no setor de preservação de energia e proteção ambiental, que a torna um destino atraente para profissionais qualificados. De fato, a ênfase em setores de "nova energia" (em materiais, automóveis elétricos e híbridos e TI) está impulsionando Chengdu. Enquanto isso, a segunda maior cidade ao leste da China, Nanquim (com PIB de US$ 203 bilhões em 2014 e sete milhões de habitantes em 2017), é dominada pelos setores de serviços, liderados por serviços financeiros, cultura e turismo. TI, proteção ambiental, nova energia e redes de energia inteligentes têm se tornado pilares adicionais de Nanquim, com um grande número de empresas multinacionais estabelecendo centros de pesquisa ali. O índice de desemprego de Nanquim tem ficado abaixo da média nacional do país por vários anos. Do Quênia a Jalisco   Enquanto a China e a Índia podem dominar a escala de economias emergentes, outras regiões geográficas se destacam no mapa das megacidades emergentes. Nairóbi não só é a capital e maior cidade do Quênia, como também está a caminho de um crescimento populacional de quatro milhões em 2017 para 10 milhões até 2030. Com mais de 100 organizações internacionais, entre elas o Programa Ambiental das Nações Unidas e o Banco Mundial, além de sede regional de grandes corporações de fabricação e TI, Nairóbi compartilha sua superioridade agrícola com um pé na economia de hoje e de amanhã. Da mesma forma, Guadalajara (com PIB de US$ 81 bilhões em 2014 e cinco milhões de habitantes em 2017) é maior do que a capital e a maior cidade do estado de Jalisco, no México. É conhecida como o "Vale do Silício Mexicano", segundo o Financial Times, e é considerada a cidade com maior potencial de atração de investimentos no México. É tipo um centro social/cultural, com um Festival de Cinema e uma Feira do Livro internacionais, que complementam o desenvolvimento do setor de alta tecnologia, de fabricação de eletrônicos e produtos químicos, tornando-a um ímã hemisférico que atrai talentos. Cada uma dessas cidades comprova o caso de talentos à sua própria maneira, criando um ambiente de funcionários altamente qualificados que têm sucesso em várias dimensões. Isso requer colocar as pessoas em primeiro lugar e concentrar-se no que mais importa para elas. O estudo da Mercer sobre Megacidades Emergentes mostra que os empregadores geralmente se equivocam sobre o que motiva as pessoas a se mudarem para uma cidade e permanecerem lá: os fatores humanos e sociais são mais importantes do que o dinheiro e o trabalho. Nas cidades emergentes, o modelo de Vale do Silício pode ser uma forte estratégia de inspiração, mas, em cada caso, a cidade deve se comprovar como um local para viver, hoje e no futuro. Publicado originalmente em BRINK News.

Katie Kuehner-Hebert | 22 ago 2019

À medida que as empresas continuam migrando para um mundo totalmente digital, essa onda de transformação terá impacto inevitável em todas as áreas de trabalho, digitalizando tudo, desde funções financeiras e conformidade fiscal até análises de dados e mais além. Cerca de 73% dos executivos preveem uma grande revolução em seus setores nos próximos três anos, segundo o relatório Global Talent Trends 2019 da Mercer. Esse número, maior do que os 26% em 2018, é em grande parte devido à transformação digital. Mais da metade dos executivos também esperam que a inteligência artificial e a automação substituam um em cada cinco cargos atuais de sua organização. Embora isso possa preocupar algumas organizações, esses dois terremotos acabarão criando 58 milhões de empregos novos até 2022. Os líderes executivos que responderam à pesquisa anual da Mercer tiveram diversas opiniões sobre o crescimento econômico que esses avanços tecnológicos terão em todo o mundo. A digitalização pode prometer mais oportunidades, mas também prevê maior concorrência com inúmeros participantes novos — e possivelmente mais espertos. Avaliação da visão geral econômica mundial   A turbulência no cenário econômico mundial é composta por incertezas sobre como serão resolvidas as tensões comerciais entre Estados Unidos e China, segundo o relatório da Mercer Economic and Market Outlook 2019 and Beyond. A economia americana pode desacelerar um pouco com as taxas de juros mais altas enquanto a economia chinesa permanecerá dependente de como as tensões comerciais serão resolvidas. Outras economias de mercados emergentes devem continuar crescendo aproximadamente no mesmo ritmo, com a possibilidade de um crescimento mais forte quando as tensões comerciais diminuírem. O relatório da pesquisa Themes and Opportunities 2019 da Mercer observa que "as evidências crescentes da ampliação excessiva de crédito" estão criando ainda mais turbulências, com a incerteza sobre como o recuo dos bancos centrais do envolvimento com o mercado após introduções de liquidez em massa terá impacto nas economias. O relatório também observa que existe a possibilidade única de "o ritmo da globalização desacelerar, pausar ou até mesmo retroceder" devido a influências políticas, principalmente no comércio. Além disso, existem expectativas cada vez maiores dos governos, órgãos reguladores e beneficiários de que os proprietários de ativos e gestores de investimentos incorporem a sustentabilidade como uma ação padrão. Transformação digital da conformidade fiscal   As empresas que navegam por essas ondas de mudança buscarão cada vez mais a digitalização para ajudar a gerenciar e responder tanto às oportunidades quanto às obrigações — inclusive a conformidade fiscal nas regiões geográficas. Essa também é uma meta móvel, principalmente na Ásia, já que alguns países estão implementando agora tecnologias digitais para melhorar seu trabalho de coleta de impostos. Em 2015, a relação média entre imposto e PIB de 28 economias na região era de apenas 17,5%, um pouco mais que metade da relação tributária média de 34% entre as economias da OCDE. Houve um grande avanço com o uso de envios eletrônicos de declarações de impostos dos principais impostos da Índia, Cazaquistão, Malásia, Mongólia, Nepal, Cingapura e China. Além disso, pagamentos eletrônicos obrigatórios são exigidos agora por órgãos de receita na República Popular da China, Indonésia, Mongólia e Vietnã.1 A digitalização e a maior regulamentação fiscal também pretendem melhorar amplamente os trabalhos de coleta embora seja necessário um empurrão maior. Os governos estão dando passos largos nos trabalhos de administração fiscal com a ajuda da digitalização — incluindo o envio de avaliações eletrônicas a empresas pelos impostos devidos, baseado em sistemas de auditoria eletrônica.2 Se os sistemas encontram discrepâncias nos relatórios fiscais mensais dos vendedores, uma avaliação eletrônica é emitida automaticamente, incluindo juros e multa. Andy Hovancik, presidente e CEO da Sovos, resume: "O ponto principal é: a cobrança fiscal está incorporada agora na maioria dos processos comerciais importantes, mudando o mundo tributário e revolucionando décadas de processos comerciais antigos. Como resultado, o imposto está orientando a transformação digital nos departamentos financeiro e contábil. Agora, mais do que nunca, as empresas precisam de uma nova abordagem à automação fiscal para garantir a conformidade".2 Os executivos financeiros concordam, inclusive Michael Bernard, diretor tributário de impostos sobre transações na Vertex Inc. Ele afirma: "Os governos em todo o mundo estão buscando novas formas de conformidade, como regulamentações de fatura eletrônica, que exigem que os departamentos de TI incorporem fluxos de trabalho nos processos principais, bem como verificações em tempo real de conformidade do imposto VAT. Em 2019, as organizações financeiras começarão a incluir considerações fiscais nas estratégias de transformação digital. Um roteiro eficaz inclui ações relacionadas ao uso de dados para vincular processos comerciais e obrigações de conformidade fiscal".3 Orientação da estratégia comercial com conformidade   A digitalização sozinha não permitirá que as empresas cumpram melhor as novas regulamentações fiscais — tornando a conformidade um desejo central de estratégia comercial. Isso inclui implementar sessões de treinamento na empresa para ajudar os funcionários a desenvolver um estado de plena atenção quando se trata de conformidade. Mas, nessa época de maior responsabilidade, Leila Szwarc, chefe de conformidade global e serviços regulamentares estratégicos no TMFGroup, afirma que as empresas devem reimaginar a noção de conformidade como um "capacitador de negócios" capaz de distingui-lo dos concorrentes.4 Segundo Szwarc, "A conformidade deve ser vista como um capacitador de negócios e não como um dreno do desenvolvimento, mas isso só pode acontecer se as empresas trabalharem de forma integrada trazendo soluções criativas aos desafios organizacionais relacionados". Ela continua: "À medida que as empresas da região APAC encaram um nova época regulamentar, as equipes de conformidade têm um papel importante a ser exercido tanto na proteção dos interesses das empresas quanto na ajuda para gerar um diferencial competitivo de longo prazo". Com um mercado incerto à frente e amplas mudanças no horizonte, é mais importante do que nunca antecipar-se e pensar em como seu negócio pode não só sobreviver à onda da iminente transformação digital como também prosperar com ela. Comece a planejar sua estratégia de negócios, colocando a conformidade e a digitalização no centro; com essas ideias em mente hoje, você estará melhor amanhã. Fontes: 1.Suzuki, Yasushi; Highfield, Richard. "How digital technology can raise tax revenue in Asia-Pacific". Asian Development Blog, 13 de setembro de 2018, https://blogs.adb.org/blog/how-digital-technology-can-raise-tax-revenue-asia-pacific./ 2.Hovancik, Andy. "How Modern Taxation is Driving Digital Transformation in Finance". Payments Journal, 16 de julho de 2018, https://www.paymentsjournal.com/how-modern-taxation-is-driving-digital-transformation-in-finance/. 3 Schliebs, Henner. "2019 CFO Priorities: Experts Predict Top Trends". Digitalist Magazine, 18 de dezembro de 2018, https://www.digitalistmag.com/finance/2018/12/18/2019-cfo-priorities-experts-predict-top-trends-06195293. 4. Szwarc, Leila. "Regulatory compliance – The new business enabler". Risk.net, 18 de março de 2019, https://www.risk.net/regulation/6485861/regulatory-compliance-the-new-business-enabler.

Yvonne Sonsino | 08 ago 2019

A Inteligência Artificial e a automação estão mudando nosso mundo constantemente, inclusive a maneira como trabalhamos. Tome, por exemplo, o voo espacial da NASA em 1962. Naquela época, Katherine Johnson, personagem central do livro e filme "Estrelas Além do Tempo", ficou famosa por verificar manualmente a matemática do computador da NASA para colocar uma nave espacial em órbita pela primeira vez. Alguns poucos anos depois, no entanto, essa dependência da inteligência humana foi repassada para calculadoras e computadores. Hoje em dia, o avanço da automação parece algo quase assustador com a crescente e rápida sofisticação da Inteligência Artificial. O índice de IA da Forbes mostra que o volume de investimento anual de capital de risco em IA é seis vezes maior agora do que no ano 2000.1 Esses enormes avanços nos recursos de IA podem parecer destruir nossas ideias de como o trabalho é realizado, mas, na verdade, são apenas uma continuação do desenvolvimento. Compreender e utilizar isso é fundamental para a economia global e, em um nível pessoal aprofundado, para o modo como todos nós nos sustentamos. Prepare-se de modo criativo   Embora os robôs possam facilmente substituir trabalhos cotidianos de nível básico (como o trabalho realizado em fábricas, fazendas e restaurantes de fast food), quase que diariamente surgem novos indicadores que mostram como cargos administrativos nos setores financeiro, jurídico, de seguros e contabilidade também estão sendo automatizados. Se é possível replicar mais do que apenas trabalhos físicos rotineiros e se também é possível simular a criatividade, capacidade relacional e inteligência humanas com a Inteligência Artificial em uma escala mais econômica, então como o trabalhador médio conseguirá competir por trabalho? Os líderes de empresas de todos os tamanhos deveriam estar questionando-se sobre como manter os elementos humanos do trabalho, tais como a inteligência emocional, as habilidades pessoais, a capacidade de julgamento e o talento natural. Precisamos analisar como manter essas importantes facetas humanas enquanto utilizamos as ferramentas mais eficazes à nossa disposição. Como preparação para a revolução pessoal iminente (que deve atingir seu ápice nos próximos 15 anos), as organizações precisam compreender os atributos necessários para o sucesso do trabalho. Os líderes precisam começar a antecipar os diferentes cenários do futuro do trabalho, incluindo áreas em que a produtividade, criatividade e inteligência humanas são igualadas ou superadas por colegas artificiais. A automação é inevitável, mas existem vários resultados possíveis. Em vez de tentar adivinhar como será essa reviravolta, os líderes atuais podem preparar as organizações e seus funcionários para um futuro incerto. Isso exige pensar de modo criativo sobre quais habilidades e aptidões devem ser mantidas e quais podem ser automatizadas. Vemos uma vontade cada vez maior de aproveitar o melhor dos dois mundos. Considere estes quatro cenários futuros possíveis para dar asas à sua imaginação e comece a pensar no futuro de maneira inovadora. A lacuna de talentos   Uma visão sobre a ameaça da IA é que ela não só poderia criar uma lacuna de riqueza e trabalho, como também poderia criar uma lacuna de talentos se as condições de promover talentos não existissem mais. Se os robôs se apoderarem da maioria dos trabalhos humanos, poderemos nos deparar com a condição futura de potencial humano não realizado. O aumento na dependência da tecnologia poderia fazer com que números cada vez maiores de pessoas se sentissem sem vontade de aprender ou de fazer muitas coisas, assim a inteligência natural não conseguiria florescer e prosperar. Sem empregos para os quais se preparar, as crianças podem não receber mais educação da mesma maneira. A revolução da IA poderia transformar o talento de um recurso natural em algo que só pode ser criado por aqueles que tiverem acesso à IA mais sofisticada possível, deixando os outros para trás. Meu amigo, o cobô   Quando se trata de trabalho de conhecimento de alto valor (envolvendo sistemas e fatos complexos). é provável que a IA se desenvolva em uma velocidade que as pessoas não consigam utilizar ou compreender. Isso as coloca em risco de substituição, e não de coexistência. Essa situação é diferente da automação do trabalho manual ou físico, que é propenso ao erro humano e à exaustão. O desempenho da automação do trabalho administrativo é mais sutil, diminuindo os erros e as horas de trabalho, eliminando a parcialidade emocional das decisões e aumentando a escala e a complexidade. Os trabalhadores de conhecimento devem se sentir confortáveis ao trabalhar juntamente com a IA e com robôs. Uma visão futura pode incluir cobôs: robôs colaborativos que trabalham com operadores humanos e colegas. Os cobôs são um novo elemento da relação de trabalho que precisa ser criado à medida que as equipes passam a ser compostas pela mistura diversa de inteligência humana e artificial. Diversidade e inclusão na década de 2020   A Inteligência Artificial apresenta uma nova maneira de pensar sobre a diversidade e equipes. Equipes diversas tomam decisões melhores e obtêm melhores resultados comerciais. Isso inclui a "diversidade cognitiva": diferenças nos estilos de solucionar problemas ou de processar informações. A próxima etapa óbvia é incluir robôs equipados com IA na diversidade cognitiva da sua equipe. Seu estilo de resolver problemas é conhecido, determinado pelo código em que são executados e pelos conjuntos de dados em que são treinados. São o contrapeso perfeito para membros humanos da equipe desestruturados e variáveis. A otimização da equipe logo significará projetar uma combinação avançada de mentes humanas criativas com mentes de IA estruturadas, aplicadas em diferentes elementos da tarefa disponível. Nova função do RH   O papel do RH deve evoluir com o crescimento da automação no local de trabalho. Os trabalhadores humanos e de IA coexistirão em um grupo de trabalho, e o RH deverá utilizar os melhores funcionários em cada tarefa determinada. Para isso, será necessário compreender o poder e as aptidões dos robôs, além de (e talvez de modo ainda mais importante) suas limitações. A utilização dos recursos humanos nas tarefas certas será uma habilidade importante do RH. À medida que o RH se concentra cada vez mais na gestão de dados e recursos de análise, os líderes de RH precisam considerar a ética dos dados pessoais obtidos dos funcionários, possíveis funcionários, prestadores de serviços e clientes. As ferramentas de trabalho digitais e inteligentes que dominarão o futuro dos negócios tendem a coletar milhares de informações sobre seus usuários. Consequentemente, o RH tem uma responsabilidade maior como guardião dos dados pessoais e privacidade humana. Considerando esses possíveis cenários futuros, os líderes podem começar a traçar estratégias sobre como preparar as organizações e seus funcionários para uma dependência maior de IA e automação. Fontes: Columbus, Louis. "10 Charts That Will Change Your Perspective on Artificial Intelligence's Growth." Forbes. Jan. 12, 2018. https://www.forbes.com/sites/louiscolumbus/2018/01/12/10-charts-that-will-change-your-perspective-on-artificial-intelligences-growth/#2314726a4758.  

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