A Inteligência Artificial e a automação estão mudando nosso mundo constantemente, inclusive a maneira como trabalhamos. Tome, por exemplo, o voo espacial da NASA em 1962. Naquela época, Katherine Johnson, personagem central do livro e filme "Estrelas Além do Tempo", ficou famosa por verificar manualmente a matemática do computador da NASA para colocar uma nave espacial em órbita pela primeira vez. Alguns poucos anos depois, no entanto, essa dependência da inteligência humana foi repassada para calculadoras e computadores. Hoje em dia, o avanço da automação parece algo quase assustador com a crescente e rápida sofisticação da Inteligência Artificial. O índice de IA da Forbes mostra que o volume de investimento anual de capital de risco em IA é seis vezes maior agora do que no ano 2000.1 Esses enormes avanços nos recursos de IA podem parecer destruir nossas ideias de como o trabalho é realizado, mas, na verdade, são apenas uma continuação do desenvolvimento. Compreender e utilizar isso é fundamental para a economia global e, em um nível pessoal aprofundado, para o modo como todos nós nos sustentamos. Prepare-se de modo criativo   Embora os robôs possam facilmente substituir trabalhos cotidianos de nível básico (como o trabalho realizado em fábricas, fazendas e restaurantes de fast food), quase que diariamente surgem novos indicadores que mostram como cargos administrativos nos setores financeiro, jurídico, de seguros e contabilidade também estão sendo automatizados. Se é possível replicar mais do que apenas trabalhos físicos rotineiros e se também é possível simular a criatividade, capacidade relacional e inteligência humanas com a Inteligência Artificial em uma escala mais econômica, então como o trabalhador médio conseguirá competir por trabalho? Os líderes de empresas de todos os tamanhos deveriam estar questionando-se sobre como manter os elementos humanos do trabalho, tais como a inteligência emocional, as habilidades pessoais, a capacidade de julgamento e o talento natural. Precisamos analisar como manter essas importantes facetas humanas enquanto utilizamos as ferramentas mais eficazes à nossa disposição. Como preparação para a revolução pessoal iminente (que deve atingir seu ápice nos próximos 15 anos), as organizações precisam compreender os atributos necessários para o sucesso do trabalho. Os líderes precisam começar a antecipar os diferentes cenários do futuro do trabalho, incluindo áreas em que a produtividade, criatividade e inteligência humanas são igualadas ou superadas por colegas artificiais. A automação é inevitável, mas existem vários resultados possíveis. Em vez de tentar adivinhar como será essa reviravolta, os líderes atuais podem preparar as organizações e seus funcionários para um futuro incerto. Isso exige pensar de modo criativo sobre quais habilidades e aptidões devem ser mantidas e quais podem ser automatizadas. Vemos uma vontade cada vez maior de aproveitar o melhor dos dois mundos. Considere estes quatro cenários futuros possíveis para dar asas à sua imaginação e comece a pensar no futuro de maneira inovadora. A lacuna de talentos   Uma visão sobre a ameaça da IA é que ela não só poderia criar uma lacuna de riqueza e trabalho, como também poderia criar uma lacuna de talentos se as condições de promover talentos não existissem mais. Se os robôs se apoderarem da maioria dos trabalhos humanos, poderemos nos deparar com a condição futura de potencial humano não realizado. O aumento na dependência da tecnologia poderia fazer com que números cada vez maiores de pessoas se sentissem sem vontade de aprender ou de fazer muitas coisas, assim a inteligência natural não conseguiria florescer e prosperar. Sem empregos para os quais se preparar, as crianças podem não receber mais educação da mesma maneira. A revolução da IA poderia transformar o talento de um recurso natural em algo que só pode ser criado por aqueles que tiverem acesso à IA mais sofisticada possível, deixando os outros para trás. Meu amigo, o cobô   Quando se trata de trabalho de conhecimento de alto valor (envolvendo sistemas e fatos complexos). é provável que a IA se desenvolva em uma velocidade que as pessoas não consigam utilizar ou compreender. Isso as coloca em risco de substituição, e não de coexistência. Essa situação é diferente da automação do trabalho manual ou físico, que é propenso ao erro humano e à exaustão. O desempenho da automação do trabalho administrativo é mais sutil, diminuindo os erros e as horas de trabalho, eliminando a parcialidade emocional das decisões e aumentando a escala e a complexidade. Os trabalhadores de conhecimento devem se sentir confortáveis ao trabalhar juntamente com a IA e com robôs. Uma visão futura pode incluir cobôs: robôs colaborativos que trabalham com operadores humanos e colegas. Os cobôs são um novo elemento da relação de trabalho que precisa ser criado à medida que as equipes passam a ser compostas pela mistura diversa de inteligência humana e artificial. Diversidade e inclusão na década de 2020   A Inteligência Artificial apresenta uma nova maneira de pensar sobre a diversidade e equipes. Equipes diversas tomam decisões melhores e obtêm melhores resultados comerciais. Isso inclui a "diversidade cognitiva": diferenças nos estilos de solucionar problemas ou de processar informações. A próxima etapa óbvia é incluir robôs equipados com IA na diversidade cognitiva da sua equipe. Seu estilo de resolver problemas é conhecido, determinado pelo código em que são executados e pelos conjuntos de dados em que são treinados. São o contrapeso perfeito para membros humanos da equipe desestruturados e variáveis. A otimização da equipe logo significará projetar uma combinação avançada de mentes humanas criativas com mentes de IA estruturadas, aplicadas em diferentes elementos da tarefa disponível. Nova função do RH   O papel do RH deve evoluir com o crescimento da automação no local de trabalho. Os trabalhadores humanos e de IA coexistirão em um grupo de trabalho, e o RH deverá utilizar os melhores funcionários em cada tarefa determinada. Para isso, será necessário compreender o poder e as aptidões dos robôs, além de (e talvez de modo ainda mais importante) suas limitações. A utilização dos recursos humanos nas tarefas certas será uma habilidade importante do RH. À medida que o RH se concentra cada vez mais na gestão de dados e recursos de análise, os líderes de RH precisam considerar a ética dos dados pessoais obtidos dos funcionários, possíveis funcionários, prestadores de serviços e clientes. As ferramentas de trabalho digitais e inteligentes que dominarão o futuro dos negócios tendem a coletar milhares de informações sobre seus usuários. Consequentemente, o RH tem uma responsabilidade maior como guardião dos dados pessoais e privacidade humana. Considerando esses possíveis cenários futuros, os líderes podem começar a traçar estratégias sobre como preparar as organizações e seus funcionários para uma dependência maior de IA e automação. Fontes: Columbus, Louis. "10 Charts That Will Change Your Perspective on Artificial Intelligence's Growth." Forbes. Jan. 12, 2018. https://www.forbes.com/sites/louiscolumbus/2018/01/12/10-charts-that-will-change-your-perspective-on-artificial-intelligences-growth/#2314726a4758.  

Yvonne Sonsino | 08 ago 2019
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O poder da Inteligência Artificial moldará o futuro do trabalho e otimizará a produtividade. À medida que a transformação digital continua acelerando as operações de negócios, nossas agendas pessoais e de trabalho têm se tornado cada vez mais integradas. Nunca antes os pais, profissionais e comunidades inteiras de pessoas se viram forçados a harmonizar as demandas crescentes de seu trabalho e vidas pessoais. Organizar as responsabilidades da vida moderna pode parecer assustador. Criar filhos saudáveis e equilibrados, apoiar um parceiro ou amigo em dificuldade, impressionar o chefe e os colegas de trabalho e não comprar aqueles biscoitos de chocolate (quem tem tempo para jantar?) podem sobrecarregar a alma humana. Felizmente, as plataformas de IA não estão só mudando o modo como os profissionais organizam as informações e interagem com os dados, mas também o modo como eles lidam com os desafios da vida cotidiana. Apresentamos Warren   O Warren, o assistente digital de consultoria da Mercer, é uma plataforma de Inteligência Artificial sofisticada, concebida para utilizar dados em tempo real com padrões aprendidos, destinada a aumentar a produtividade da força de trabalho. Ele trabalha 24 horas por dia, 7 dias por semana, para garantir que suas obrigações pessoais e profissionais estejam bem organizadas e seu plano de carreira esteja avançando. Ele faz isso contextualizando dados do passado, presente e futuro e simplificando suas responsabilidades e agenda de modo a incentivar uma melhor tomada de decisão. Em outras palavras, o Warren é o seu orientador pessoal exclusivo, o confidente e companheiro de equipe — a convergência total entre pessoas e tecnologia. Todos os dias, as pessoas lutam para maximizar o valor do seu tempo. Com frequência, nosso trabalho é prejudicado por dados inferiores que resultam em escolhas ruins, agendamento ineficiente e distrações que consomem tempo. Muitas pessoas não têm tempo ou recursos para se adaptarem às mudanças inevitáveis nas prioridades diárias urgentes. O Warren veio para ajudá-las a se concentrarem no que é mais importante, quando é mais importante. Trata-se menos de como a tecnologia nos informa e mais sobre construir uma existência híbrida de máquinas e pessoas trabalhando em conjunto. Você traz o elemento humano para a relação com a sua criatividade, pensamento estratégico e empatia, e o Warren amplia seus recursos humanos fazendo recomendações baseadas nas metas e objetivos designados. Ele então faz ajustes conforme as conversas prévias com você. Todos os profissionais, não só os que estão no topo da hierarquia, merecem um assistente pessoal que ajude a esvaziar a mente. Essa democratização da força de trabalho com a Inteligência Artificial revolucionará o modo como as ideias se tornarão realidade e o crescimento dos negócios. Os dias de compartimentalização das vidas pessoal e profissional já eram. O Warren permite que você priorize e resolva imediatamente tudo o que a vida exigir de você: o diretor da escola do seu filho espera que você atenda o telefone às 13h de uma terça-feira, e seu chefe lhe envia um e-mail às 20h na quinta-feira esperando uma resposta rápida. Sem problemas. O Warren veio para ajudá-lo a ter sucesso em um mundo que exige muito do seu tempo, energia e equilíbrio mental. O Warren responderá assim: "Não, seu filho não tem alergia a amendoim." "Sim, você informou a equipe sobre a reunião de vendas e imprimiu os relatórios para cada membro." Pronto e pronto. A vida moderna é uma experiência totalmente integrada e sem fronteiras. Bem-vindo à nova normalidade. Trabalhe na velocidade da IA   Trabalhar na velocidade da Inteligência Artificial significa jamais ter que se perguntar se deixou o fogão aceso, onde é o local da sala de reunião das 9h ou a exatidão dos dados do gráfico que ilustra os números de produção do último trimestre. Esqueça os lembretes colados no computador, aqueles momentos embaraçosos na sala de conferências quando a apresentação em PowerPoint não carrega e ter que memorizar mais uma senha. Diga adeus àquele momento em que você olha a taça de vinho tarde da noite e se pergunta se é um bom pai. Você com certeza é porque o Warren o lembrou de não marcar aquela ligação importante com o escritório de Hong Kong durante a estreia da sua filha como o Gato Risonho na peça "Alice no País das Maravilhas" da escola. O Warren reconhece as idiossincrasias e a capacidade de falhar dos seres humanos. Ele verifica os fatos e realiza um controle de qualidade de cada etapa do seu dia atarefado. Todo aspecto da sua vida profissional será otimizado com a tecnologia da Inteligência Artificial, que, consequentemente, aumentará bastante a qualidade e o prazer da sua vida pessoal também. Ao prever e reduzir nossos próprios erros humanos e lapsos de julgamento, a IA consegue tornar nossa experiência humana mais significativa, gratificante e impactante. Assim como os e-mails, as mensagens instantâneas e as chamadas de vídeo mudaram a forma de comunicação entre as pessoas, o Warren está mudando a maneira de as pessoas se comunicarem com elas mesmas, suas tarefas de trabalho e suas carreiras inteiras. Uma época de IA democratizada   À medida que os negócios se voltarem para o crescimento, as pessoas terão cada vez mais liberdade para pensar além das minúcias das obrigações diárias e utilizarão aquele novo tempo, espaço mental e capacidade para continuar buscando e avançando. No local de trabalho, o Warren capacita a mudança em todos os níveis da organização, que mudará para sempre a dinâmica de influência e o fluxo de ideias. As grandes ideias e mudanças visionárias não virão mais de cima para baixo. Do CEO, do estagiário temporário e da majestosa sala da diretoria até a tumultuada sala de correspondências, as soluções inovadoras e ideias vanguardistas virão de todos os lugares. Com a democratização da IA, as pessoas mais próximas dos produtos, soluções e serviços terão finalmente tempo e capacidade necessários para refletir sobre as melhorias e criar a próxima prática recomendada ou ideia. A IA servirá de inspiração para os funcionários de todos os níveis pensarem de modo mais inteligente e rápido, desenvolverem estratégias que mudem o jogo e identificarem novas maneiras de criação conjunta e inovação. O Warren e outras tecnologias de IA permitirão que os funcionários, independentemente do cargo, nível ou posto, se desenvolvam pessoal e profissionalmente. O futuro do trabalho, assim como no passado, será definido pelo acesso às informações e oportunidades, bem como pela integração da tecnologia e potencial humano. Agora a IA apresenta aos negócios um universo de possibilidades sem precedentes, e os empregadores devem fazer todo o possível para capacitar seus funcionários de modo que possam competir no futuro e continuar agregando valor à empresa. O Warren é a versão de IA de um colaborador dedicado que mal dorme, só lida com fatos e dados precisos e jamais roubará seu almoço na geladeira. Por último, o Warren é um colega de uma nova era de pessoas, tecnologia e da força de trabalho simbiótica.

Gail Evans | 25 jul 2019
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A inteligência artificial (IA, artificial intelligence) e a automação são os principais fatores mundiais em diversos setores, com oportunidades que parecem ser ilimitadas. Sua comida pode ser feita por robôs ou até mesmo seu carro pode dirigir por você — mas o que mais pode surgir?1 Essa tendência crescente tem tido grande alcance, revolucionando a maneira como determinados setores operam e mudando o modo como os empregadores contratam funcionários. Sem qualquer previsão de desaceleração, vamos explorar o que está disponível para os negócios que navegam nessa nova era. Automação das tarefas em setores importantes   A automação do trabalho não é uma abordagem única que serve para todos. Determinados setores, firmas e empregos têm maior probabilidade de sofrer impacto do que outros. Por exemplo, há muito tempo os fabricantes usam essa abordagem e tendem a buscar oportunidades de automação sempre que possível. Vejamos o exemplo do Ministro do Comércio, Indústria e Energia da Coreia do Sul, que tem investido no desenvolvimento da automação industrial nos últimos anos e não mostra sinais de que vá parar.2 É apenas um país, mas ele representa a direção do setor e do processo em geral — a meta é manter os custos baixos e manter a eficiência. O setor automotivo viu ganhos semelhantes no processo de fabricação, bem como na produção de veículos autônomos. Embora essa tecnologia tenha sido aos trancos e barrancos, Strategy Analytics and Intel pesquisa destaca que ela está sendo aprimorada continuamente e que em breve poderá mudar totalmente a produção automobilística.3 Embora esses setores sirvam de exemplos perfeitos do que a IA e a automação podem fazer, outros têm dificuldades com a implementação das funções principais dessa tecnologia. Hospitalidade, serviços de alimentação e saúde exemplificam esse atraso: esses setores são altamente orientados por mão de obra, o que dificulta a automação das operações. Embora existam oportunidades para incorporar a tecnologia em serviços de grande escala, nem todos os clientes desses setores estão prontos para ter seu serviço automatizado, conforme mencionado apropriadamente em uma notícia da CNN.4 Avaliação do impacto nas economias e nos empregos   A ideia de que a inteligência artificial eliminará funções é um medo real dos trabalhadores. Ela reflete preocupações intensificadas anteriormente nos Estados Unidos na década de 60, com o aumento de processos automatizados e do índice de desemprego, conforme destaca o MIT.5 Entretanto, Lyndon B. Johnson resumiu bem: "O fato básico é que a tecnologia elimina funções, não trabalho". A diferença e o modo como os empregadores lidam com as mudanças de funções é o que fará várias empresas terem sucesso ou fracasso ao mudar para operações automatizadas. Nas economias em desenvolvimento, a automação de determinadas funções pode gerar melhores oportunidades, eliminando funções perigosas ou funções que dependem demais do trabalho físico. Embora isso possa causar algum desemprego durante a transição de curto prazo, é provável que crie oportunidades para outros empregos mais seguros e satisfatórios para essas pessoas afetadas. Tudo se resume a uma mudança nas habilidades do local de trabalho. As pesquisas mostram que as futuras habilidades da força de trabalho devem priorizar a liderança e outras competências pessoais para permanecerem relevantes e competitivas. Segundo recente pesquisa do LinkedIn as habilidades mais importantes do futuro não são codificação ou habilidades técnicas; são as competências pessoais, como comunicação e colaboração, e a força de trabalho precisará priorizá-las rapidamente à medida que aumentam as operações automatizadas.6 Como envelhecer em um mundo automatizado   A junção de uma força de trabalho mais velha e de maior automação é uma ameaça bem real para os trabalhadores atuais. Aqueles com 30 ou 40 anos de experiência têm maior probabilidade de estar realizando tarefas que podem ser automatizadas — fato que só é mais preocupante quando analisado em nível mundial. Em determinadas regiões, como no Vietnã e na China, 69% a 76% das tarefas realizadas por trabalhadores mais velhos correm o risco de se tornarem automatizadas. Para referência, nos Estados Unidos, acredita-se que cerca de 52% das funções realizadas por funcionários mais experientes podem ser automatizadas. O que também pode ser preocupante é que as populações mais velhas de trabalhadores nessas regiões, como o Japão, estão crescendo rapidamente, criando um efeito em espiral. A boa notícia é que os empregadores estão respondendo com a eliminação da aposentadoria forçada e buscando outras opções para aliviar essa pressão. A automação está trazendo um número incrível de oportunidades positivas para o local de trabalho, mas é importante não ignorar os que podem ser afetados de modo negativo. Não importa se isso significa priorizar o treinamento de competências pessoais para garantir uma força de trabalho preparada para o futuro ou buscar maneiras apropriadas de aproveitar o trabalho automatizado em funções e setores altamente manuais, a verdade é que essa tendência não vai desaparecer. A concorrência e a globalização continuarão fazendo com que os empregadores encontrem maneiras novas e criativas de automatizar processos, mas aqueles que buscam maneiras visionárias de remodelar a força de trabalho usando essa tecnologia terão um verdadeiro diferencial competitivo. Fontes: 1 Constine, Josh, "Taste test: Burger robot startup Creator opens first restaurant," Tech Crunch, June 21, 2018, https://techcrunch.com/2018/06/21/creator-hamburger-robot/. 2 Demaitre, Eugene, "South Korea Spends $14.8M to Replace Chinese Robotics Components," Robotics Business Review, October 20, 2015, https://www.roboticsbusinessreview.com/manufacturing/south-korea-spends-148m-to-replace-chinese-robotics-components/ 3 Statt, Nick, "New documentary Autonomy makes the convincing case that self-driving cars will change everything," The Verge, March 13, 2019, https://www.theverge.com/2019/3/13/18262364/autonomy-film-review-self-driving-cars-malcolm-gladwell-documentary-sxsw-2019. 4 Andone, Dakin and Moshtaghian, Artemis, "A doctor in California appeared via video link to tell a patient he was going to die. The man's family is upset," CNN, March 10, 2019, https://www.cnn.com/2019/03/10/health/patient-dies-robot-doctor/index.html. 5 Autor, David H., "Why Are There Still So Many Jobs? The History and Future of Workplace Automation," MIT: Journal of Economic Perspectives, Vol. 29, Issue 3, summer 2015, https://economics.mit.edu/files/11563. 6 Umoh, Ruth, "The CEO of LinkedIn shares the No. 1 job skill American employees are lacking," CNBC, April 26, 2018,https://www.cnbc.com/2018/04/26/linkedin-ceo-the-no-1-job-skill-american-employees-lack.html.

André Maxnuk | 25 jul 2019
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A próxima crise financeira mundial está prestes a surgir? Se sim, será que ela será muito diferente da última crise? E existe a possibilidade de o contágio vir dos atuais mercados emergentes, como China, Turquia ou Argentina? Embora o futuro seja incerto e fora de controle, você pode dar passos calculados como um líder executivo para se preparar agora para o que pode vir adiante. As economias de mercados emergentes estão em ascensão   A força das economias de mercado emergentes foi uma das várias preocupações importantes dos líderes em 2018, segundo o estudo Mercer Global Talent Trends e continua sendo uma preocupação atualmente. Enquanto a Ásia, América Latina e África assumem o lugar das economias centradas no Atlântico Norte como os mecanismos mundiais de crescimento, a economia mundial vem sofrendo impactos cada vez maiores devido à sua força crescente. Ardavan Mobasheri, diretor-executivo e diretor de investimentos na ACIMA Private Wealth, acredita que o bastão da liderança mundial será totalmente passado para as economias de crescimento mais rápido até 2030. Ele diz: "É provável que a transição seja concluída até o final de 2030, com as âncoras do crescimento econômico mundial localizadas no Pacífico e no hemisfério sul". Porém, à medida que o mundo se adapta à força cada vez maior das economias de mercado emergentes, ele também deve se adaptar aos "quebra-molas" inevitáveis dessas economias. Os "quebra-molas" estão começando a se formar mundialmente   Os ativos dos mercados emergentes estão agora recuando em face dos ventos contrários em suas regiões geográficas, tais como a desaceleração da produção, aumento da dívida, índices de inflação mais altos e quedas nas moedas.1 "O contágio nos mercados emergentes acontece por meio de diferentes canais e tende a ser maior em períodos de aperto monetário em mercados desenvolvidos", afirma Pablo Goldberg, estrategista sênior de renda fixa na BlackRock, para a CNBC.2 "A liquidez é um problema. Os investidores vendem o que conseguem". Desmond Lachman, membro do American Enterprise Institute (Instituto de Empresas Americanas) e ex-diretor suplente do Departamento de Análise e Desenvolvimento de Políticas do Fundo Monetário Internacional, escreveu em um artigo que os economistas e estrategistas políticos americanos estão ignorando os riscos impostos pelas economias emergentes por sua conta e risco. "Eles não conseguem ver que os anos de alta expansão no balanço geral do Fed e as taxas de juros zero criaram as condições mais facilitadoras possíveis de empréstimo para os mercados emergentes", relata Lachman. "Fazendo isso, eles acabaram com a disciplina das políticas econômicas dessas economias e permitiram que se desenvolvessem grandes desequilíbrios econômicos, principalmente nas finanças públicas". Agora que há mais capital voltando para os ativos americanos considerados mais seguros do que os dos mercados emergentes, começam a ser vistas as fortes vulnerabilidades econômicas acumuladas nas economias de mercados emergentes durante os anos do dinheiro "fácil". Se ignoradas, é provável que essas vulnerabilidades continuem crescendo e se espalhando mundialmente, aumentando ainda mais suas implicações nos próximos anos. Os líderes executivos podem se adaptar — veja como   Para se preparar melhor para um futuro financeiro incerto e evitar essas amplas repercussões, primeiro é melhor você observar as consequências da última crise financeira, ela pode lhe ensinar algumas lições importantes sobre como funcionam a economia e o sistema financeiro mundial. Por exemplo, segundo o relatório da Mercer "10 anos após a crise financeira mundial: 10 lições para aprender", uma das lições mais importantes de 2009 mostra que as políticas dos estrategistas políticos americanos, os recordes de queda nas taxas de juros das políticas, a ampla liquidez injetada no sistema bancário e o considerável alívio gerado produziram resultados inesperados em todo o mundo. Embora as políticas monetárias não tenham sido inflacionárias em termos de preços ao consumidor, elas foram inflacionárias em termos de preços de ativos. Agora as taxas políticas estão aumentando em algumas economias, mas as consequências completas do resultado da última crise em todas as economias mundiais ainda são desconhecidas, até mesmo hoje. Com isso em mente, como líder executivo, você pode seguir estes três passos para se preparar para a próxima crise: 1.  Não abandone a diversificação, amplamente conhecida como "a única refeição grátis no investimento". 2.  Seja dinâmico e esteja preparado para deixar os ativos com altas recordes se eles se tonarem indesejados uma vez que os investidores perceberem que suas valorizações podem não ser baseadas em fundamentos sólidos, como o aumento subjacente nos lucros. 3.  Não abandone o gerenciamento ativo, pois as condições mudarão inevitavelmente.   Ao seguir esses três passos simples você terá agilidade e flexibilidade suficientes para se adaptar a qualquer situação, até mesmo uma crise financeira. À medida que os mercados enfrentarem várias metamorfoses, lembre-se dessas lições e tenha em mente essas dicas para preparar sua organização para qualquer crise iminente. Fontes: 1. Teso, Yumi e Oyamada, Aline, "Emerging Markets Retreat Amid Global Growth Concerns: EM Review", Bloomberg, 15 de fevereiro de 2019, https://www.bloomberg.com/news/articles/2019-02-15/emerging-market-rally-abate-as-trade-concern-returns-em-review./ 2. Osterland, Andrew, "Emerging markets, despite strengths, still get no respect", CNBC, 1 de outubro de 2018, https://www.cnbc.com/2018/10/01/emerging-markets-despite-strengths-still-get-no-respect.html. 3. Lachman, Desmond, "We ignore risks posed by emerging economies at our own peril", American Enterprise Institute, 17 de setembro de 2018, http://www.aei.org/publication/we-ignore-risks-posed-by-emerging-economies-at-our-own-peril/.

Jackson Kam | 11 jul 2019
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A migração no mundo dos negócios evoluiu para uma troca mundial complexa de força humana e intelecto entre os países com diferentes culturas e necessidades de força de trabalho. Esse equilíbrio contínuo entre capital humano e necessidades econômicas continua causando impacto na geopolítica do mundo. No entanto, a transformação digital e a Quarta Revolução Industrial estão mudando bastante o papel e o valor das forças de trabalho migrantes. Dos músculos para as placas-mãe   As máquinas e os computadores são cada vez mais capazes de desempenhar trabalhos antes realizados por forças de trabalhos migrantes de baixa qualificação — com maior eficiência e menores custos também. Esse desenvolvimento mundial apresenta desafios inéditos para os trabalhadores migrantes, para os países e para a economia mundial uma vez que a automação e a tecnologia continuam substituindo o trabalho humano em diversos setores, tais como agricultura, automóveis e manufatura. O aumento em potencial no número de desempregados com perspectivas de salários menores mantém vários países preocupados com a ampla agitação econômica e caos político. Como será o mundo, exatamente, quando a automação da Quarta Revolução Industrial substituir as profissões de 258 milhões de migrantes internacionais que se sustentam viajando para locais que oferecem desemprego não qualificado? A promessa do desconhecido   Assim como nas revoluções industriais anteriores, a Quarta Revolução Industrial terá diferentes significados para diferentes pessoas. A transformação digital facilitou o acesso a praticamente qualquer informação via internet e ofereceu a populações inteiras (principalmente aos trabalhadores migrantes) novas oportunidades de obter educação e aprender novas habilidades, negócios e profissões. Os países que antes eram impedidos pela pobreza e isolamento econômico estão abraçando essas novas oportunidades. Por exemplo, a Índia, com 1,3 bilhão de habitantes, espera que seu mercado de transformação digital atinja US$ 710 bilhões até 2024.2 Para os trabalhadores migrantes, o aprendizado de novas habilidades e o desenvolvimento profissional são cruciais para manter o emprego. Vários países e governos já reconheceram a necessidade de oferecer aos cidadãos as habilidades e o conhecimento necessários para competir na era da automação, e isso começa com os trabalhadores tendo acesso a essas tecnologias para criar seu valor e negociabilidade em um mundo competitivo. No entanto, em países como Argentina, Brasil e Estados Unidos, as pessoas sentem fortemente que seus destinos dependem delas mesmas, e não dos governos, e sentem que têm a responsabilidade individual de lidar com as mudanças arrebatadoras da transformação digital.3 Para alguns, isso significa migrar para países e economias que oferecem perspectivas melhores do que as circunstâncias atuais. Um mundo de diferentes necessidades   Conforme visto durante a história, os trabalhadores migrantes são levados para regiões onde há disponibilidade de empregos adequados. Em um mundo definido pela automação e tecnologias computacionais, surge uma nova era de necessidades. Em países desenvolvidos, como Japão, Coreia do Sul, Espanha e Estados Unidos, as taxas de natalidade estão caindo em uma velocidade extraordinária.4 Um problema em particular que afeta a Coreia do Sul e o Japão é o envelhecimento da sociedade, onde o número de idosos está aumentando drasticamente enquanto as taxas de natalidade caem — a escassez de jovens capazes de cuidar da população mais velha e gerar impostos tão necessários por meio de empregos para fundos de aposentadoria para idosos já é uma realidade. O Japão e a Coreia do Sul estão utilizando robôs e automação para cuidar das necessidades físicas, psicológicas e emocionais dos idosos, mas essas tecnologias não são capazes de oferecer os recursos financeiros e serviços domésticos que essas nações precisam para continuar funcionando. O primeiro ministro japonês, Shinzo Abe, apresentou amplas reformas, chamadas geralmente de "Abenomia", que propõem afrouxar as antigas restrições culturais, colocando mais mulheres no mercado de trabalho em diferentes níveis de poder. Entretanto, o aspecto mais controverso da Abenomia é a intenção de abrir o Japão para os trabalhadores migrantes de modo a reduzir as deficiências internas de força de trabalho que exigem recursos exclusivamente humanos — uma medida que muitos cidadãos japoneses consideram ser uma ameaça à sua identidade cultural.5 Porém, sem trabalhadores jovens para estabilizar a economia, o Japão talvez não tenha escolha. A Quarta Revolução Industrial está mudando o jogo e diversos países precisarão de trabalhadores migrantes para preencher as lacunas entre os papéis em evolução do homem e máquina. Por muitos séculos, os migrantes trabalharam duro para satisfazer suas necessidades pessoais que, por sua vez, também satisfazem as necessidades dos países empregadores que exigem sua mão de obra. Nesse cenário econômico moderno, a automação e a tecnologia forçam as mudanças nas funções de trabalho, mas a necessidade de capital humano permanece. Fontes: 1. "International Migration Report," United Nations, 2017, https://www.un.org/en/development/desa/population/migration/publications/migrationreport/docs/MigrationReport2017_Highlights.pdf。/ 2."India Digital Transformation Market to Reach $710 Billion by 2024: P&S Intelligence", Prescient & Strategic Intelligence, 5 de março de 2019. https://www.globenewswire.com/news-release/2019/03/05/1747720/0/en/India-Digital-Transformation-Market-to-Reach-710-Billion-by-2024-P-S-Intelligence.html。 3. Wike, Richard and Stokes, Bruce, "In Advanced and Emerging Economies Alike, Worries About Job Automation," Pew Research Center, September 13, 2018, https://www.pewglobal.org/2018/09/13/in-advanced-and-emerging-economies-alike-worries-about-job-automation/。 4. Kotecki, Peter, "10 Countries at Risk of Becoming Demographic Time Bombs," Business Insider, August 8, 2018, https://www.businessinsider.com/10-countries-at-risk-of-becoming-demographic-time-bombs-2018-8。 5. Yoshida, Reiji, "Success of 'Abenomics' hinges on immigration policy," https://www.japantimes.co.jp/news/2014/05/18/national/success-abenomics-hinges-immigration-policy/#.XJr1GK2ZOgR。

Eduardo Marchiori | 27 jun 2019
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Músicos, poetas e filósofos passam a vida se perguntando: "Quem sou eu?". Em um futuro não tão distante, a resposta a essa pergunta poderá estar armazenada nos seus perfis pessoais de blockchain, ou seja, "baús" digitais que guardam os detalhes de cada decisão, ação e compra realizada desde o dia em que nascemos. Dê adeus à sua certidão de nascimento, passaporte, currículo e histórico médico, e conheça o futuro do blockchain: seu perfil de blockchain. Sua resposta exclusiva à pergunta "Quem é você?" será um registro cronológico, hiperdetalhado e imutável que afirma com uma certeza inédita "Eu sou assim". O blockchain não estará nos nossos pensamentos, emoções, sonhos ou pesadelos. Tampouco captará as confissões íntimas escritas em diários ou ditas ao espelho pela manhã. No entanto, o blockchain jamais se esquecerá que você quebrou o braço aos 5 anos (enquanto escalava um corrimão), como seu coração disparou quando você conheceu a pessoa amada (e deixou seu drink cair no chão) ou que você pagou taxa de entrega expressa em um par de sapatos pretos (para o casamento da sua prima). O blockchain pode não ser o "eu" que os filósofos gregos tinham em mente, mas será o "eu" que o resto do mundo vê — na melhor das hipóteses, com a sua permissão. Conheça seus direitos no mundo digital   As empresas querem ter acesso às suas decisões. As informações que detalham por que você escolheu passar férias no Vietnã, come mexilhões no seu restaurante italiano favorito toda terça-feira à noite ou só usa escovas de dentes com cerdas médias têm grande valor para empresas que querem vender passagens aéreas, frutos do mar e escovas de dentes para você e para pessoas como você. Todas as decisões e ações que você realiza online são dados que revelam parte da sua personalidade e dos seus processos de pensamento. Nos últimos anos, o mercado e os políticos têm debatido o grau de acesso que as empresas devem ter nas decisões pessoais de cada indivíduo, especialmente sobre o que se lê, onde se clica e o que se compra online. Embora haja forças poderosas querendo controlar os dados que as pessoas geram ao usar serviços virtuais, os ventos estão mudando e os órgãos regulatórios estão começando a trabalhar mais a favor da pessoa física. Em maio de 2018, a União Europeia fez história com o General Data Privacy Regulation (GDPR), regulamento que estabelece rigorosamente os direitos básicos sobre privacidade, propriedade, controle, consentimento e portabilidade de dados para todos os seus cidadãos, independentemente de onde seja a residência deles.1 Nos EUA, a HIPAA Privacy Rule estabelece padrões nacionais para proteger registros médicos e outras informações de saúde de pessoas físicas.2 Essas normas têm o objetivo de proteger cidadãos contra organizações que podem querem usar dados pessoais para fins diferentes dos para os quais foram coletados ou que desviam do consentimento explicitamente dado no momento da coleta e, para isso, preveem instrumentos para aplicar vultosas multas a quem as descumprir. Em uma era de transformação digital, é essencial que todos deem valor a seus dados pessoais e à amplitude de seus direitos à privacidade. À venda: hábitos de sono e rotina de atividades físicas   Agora, os dados pessoais fazem parte da dinâmica oferta/procura que move as organizações capitalistas. Além do poder de compra, os consumidores também têm acesso a pensamentos e atividades que antecedem determinadas compras. Essas informações têm um valor incomensurável para empresas que aplicam estratégias orientadas por dados para vender seus produtos e serviços para o público-alvo. Antes da tecnologia blockchain, não era possível ter um registro tão abrangente, capaz de acompanhar as compras e os comportamentos de alguém no contexto de tudo o que está acontecendo em sua vida. Mas agora isso é possível. Hoje, o blockchain possibilita que as pessoas tenham um perfil imutável com detalhes inimagináveis, que começa no dia em que nasceram e as acompanha por toda a vida, registrando tudo, desde quando perderam o primeiro dente até os nomes de seus netos. Cada consulta médica, cada pergunta respondida no dever de casa, cada clique do mouse, cada página visualizada. As empresas, naturalmente, desenvolverão inúmeras maneiras de incentivar que todos permitam o acesso a seus dados. Com direitos individuais estabelecidos como o padrão jurídico, os consumidores terão o poder neste relacionamento, podendo monetizar os dados ao alugar o acesso a diversos aspectos de seus perfis de blockchain, desde os hábitos de sono até a rotina de atividades físicas. À medida que mais acessos forem concedidos e mais fontes de dados estiverem conectadas, os comportamentos poderão ser previstos com mais precisão, aumentando o valor do perfil de uma pessoa. De fato, as pessoas conseguirão se identificar como alvos de marketing, pondo à venda perfis abrangentes e detalhados em um mercado emergente digital de dados pessoais, uma evolução que alterará drasticamente os setores de publicidade, pesquisas e análise de dados.Um mundo de 8,5 bilhões de personalidades Estima-se que a população mundial chegue a 8,5 bilhões de pessoas em 2030. Até lá, a tecnologia blockchain pode ser capaz de organizar, de forma coerente, confiável e segura, os dados sobre as pessoas que formam as comunidades e nações. Isso torna as sociedades centradas na pessoa humana tecnicamente possíveis, nas quais as ações e comportamentos dos cidadãos ficam digitalmente registradas em suas "personalidades", um registro imutável que funciona como uma única fonte da verdade para suas experiências e sensibilidades. Em essências, as pessoas gerarão dados de forma regular e em tempo real, adicionando-os cronologicamente a seus perfis coletivos, que conterão registros de saúde, histórico educacional, credenciais profissionais, registros eleitorais, carteiras de habilitação, antecedentes criminais, situação financeira e quaisquer outros aspectos notáveis que compõem a identidade de alguém. Essa personalidade pode se tornar o registro universalmente aceito ao qual todas as informações relacionadas à identidade podem estar atreladas. Todos os processos que costumamos usar para validar a identidade de alguém serão substituídos por um perfil individual e abrangente de blockchain. A commoditização dos dados pessoais terá um impacto profundo na forma como as pessoas se relacionam entre si e com empresas. Será que o fato de sermos responsáveis pela nossa própria personalidade — e sabermos que os detalhes das nossas vidas estarão registrados para sempre em nosso perfil de blockchain — mudará o nosso comportamento? Será que as tentativas para aumentar o valor da nossa personalidade se transformarão em uma extensão da tentativa de melhorar nossas próprias vidas? Ou vice-versa? A ascensão da personalidade pode alterar o nosso entendimento coletivo de propriedade de maneiras inéditas para a raça humana desde a concepção dos direitos individuais à propriedade. Os desafios do futuro para um mundo do blockchain   Avanços tecnológicos avassaladores sempre têm um lado negativo. Com a proliferação da tecnologia blockchain e a valorização dos dados pessoais, as sociedades correm o risco de ficar ainda mais polarizadas em termos financeiros e de classes sociais. Quem tem mais poder de compra naturalmente tem dados que valem mais para empresas que vendem produtos e serviços ou para instituições públicas que poderiam se beneficiar com o apoio financeiro ou influência dessas pessoas. Quem não tem dinheiro ou acesso a tecnologias modernas enfrentará profundas desvantagens, a menos que os governos (especialmente nas economias em desenvolvimento) implementem normas que impeçam que cidadãos vulneráveis sejam deixados para trás. As economias em desenvolvimento também precisam encontrar formas para integrar intermediários que lutarão contra a perspectiva da tornarem-se obsolteos à medida que as tecnologias de blockchain ganham popularidade. Embora seja difícil prever o futuro e os desafios que as mudanças nos trarão, a História nos mostra que a tecnologia sempre vence quando se cria valor. De uma forma inédita, o futuro do blockchain dá à raça humana a oportunidade de se entender tanto no âmbito coletivo quanto individual. Ao apresentar novos insights sobre os comportamentos humanos, relacionamentos e interações de consumo, podemos aprender uns com os outros e oferecer melhores condições para todos. Talvez os dados da tecnologia blockchain até mesmo demonstrem de forma convincente à humanidade como todos nós somos parecidos. No futuro, a pergunta mais importante que as pessoas se farão não será "Quem sou eu como indivíduo?", mas "Quem somos nós como sociedade?". A resposta para essa pergunta poderá criar o tipo de civilização que existe apenas nos sonhos de músicos, poetas e filósofos. Para saber mais sobre como a tecnologia blockchain , leia Mercer Digital’s Blockchain 101 Overview. 1Palmer, Danny. "What Is GDPR? Everything You Need to Know About the New General Data Protection Regulations." ZDNet, https://www.zdnet.com/article/gdpr-an-executive-guide-to-what-you-need-to-know/. 2"The HIPAA Privacy Rule." Office for Civil Rights, https://www.hhs.gov/hipaa/for-professionals/privacy/index.html.  

Vineet Malhotra | 17 abr 2019
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Vincenzo Peruggia nasceu em 8 de outubro de 1881. Cerca de 30 anos depois, em uma manhã de segunda-feira de 1911, o italiano baixinho vestiu um avental branco – para se misturar com os outros empregados do Louvre em Paris – e saiu carregando a Mona Lisa. Ele simplesmente a tirou da parede. Pelos dois anos seguintes, a icônica obra-prima de Leonardo Da Vinci permaneceu enfiada em um baú no apartamento do ladrão em Paris. Por fim, Vincenzo cedeu à ansiedade e voltou à Florença, na sua amada terra natal, onde contatou um negociante de arte e tentou vender a famosa pintura. A polícia o prendeu em seu quarto de hotel. O que torna esta história fascinante não é que tenha sido espantosamente fácil sair andando com um tesouro da era da Renascença famoso mundialmente, mas que o crime de Vincenzo estava fadado ao fracasso desde o início. Todas as pessoas do mundo da arte conheciam a origem, o valor e a jornada da Mona Lisa até a sua casa no Louvre. Toda a procedência da pintura estava bem documentada e estabelecida. Seria impossível introduzir novamente a obra-prima roubada no mercado sem disparar alarmes por toda a parte. A tecnologia blockchain oferece o mesmo nível de transparência e autenticidade para todas as coisas – de um tapete persa ou um sushi de atum a um refinanciamento de imóveis ou mesmo um simples limão. Veja como. Fonte única da verdade de acordo mútuo   O primeiro passo para documentar dados em um blockchain exige processos operacionais focados na exatidão desde o início. A partir do passo inicial, todas as partes envolvidas em uma transação devem confirmar a identidade, o valor e as condições de controle que governam o ativo blockchain. Em nossa história protagonizada por Vincenzo Peruggia, por exemplo, trata-se da pintura de Da Vinci, a Mona Lisa. Ela está pendurada em uma determinada parede do Louvre e vale US$ 800 milhões. Não, ela não está à venda. O valor e as circunstâncias estão estabelecidos. Se qualquer pessoa tentar roubar ou adulterar a Mona Lisa, as partes envolvidas – o mundo, neste caso – perceberão. Com o blockchain, uma vez que as informações iniciais mutuamente acordadas sejam registradas com exatidão, elas se tornam a única fonte da verdade. E nunca precisarão ser verificadas. Depois que a integridade dos dados relacionados ao ativo de informação é estabelecida, a tecnologia blockchain impede qualquer interveniente desonesto de alterá-lo, porque todos no blockchain estão vendo as mesmas informações, ao mesmo tempo, em seus respectivos computadores, distribuídos por todo o mundo. Todos têm o mesmo acesso ao ativo original, confirmado e verificado, e ao que acontece com esses dados quando são movidos. Tentar abusar desse ativo digital ou saqueá-lo seria como roubar a Mona Lisa de incontáveis e bem protegidos Louvres em todo o mundo. Não há necessidade de intermediários   A tecnologia blockchain elimina a necessidade de intermediários ou atravessadores. Os intermediários costumam ser encarregados de proporcionar integridade a processos transacionais envolvendo partes que não se conhecem. Os bancos servem como intermediários para transações financeiras entre indivíduos e empresas. Os corretores imobiliários agem como intermediários para lidar com a papelada envolvida na venda de imóveis. Até intermediários ilegais, como plataformas piratas de download de músicas, roubam montantes significativos de royalties de músicos que têm suas músicas roubadas ou plagiadas online. O blockchain pode eliminar a necessidade e o impacto de todos esses tipos de intermediários. Tomemos como exemplo Eriko Matsuyama, uma estudante de arte fictícia de 23 anos da Universidade Tohoku no Japão, que está participando de um programa de intercâmbio em Paris. Eriko, que é uma pintora talentosa, passa todas as manhãs acampada em frente à Mona Lisa, compondo elaboradas aquarelas, cada uma oferecendo uma interpretação única da musa de Da Vinci. Ela tem até uma loja on-line, onde vende seus quadros originais a fãs ao redor do mundo. Por meio da tecnologia blockchain, Eriko pode autenticar o horário, a data e o desenvolvimento de cada pintura original e enviar tanto a aquarela original quanto uma cópia digital exclusiva aos seus compradores. Caso o comprador decida vender a pintura original ou a cópia digital, o blockchain pode servir como prova de autenticidade. Talvez, 30 anos no futuro, Eriko se torne uma artista famosa cuja obra valha milhões de dólares. Essas mesmas aquarelas e suas cópias digitais terão ainda mais valor, porque o blockchain garante a sua origem e autenticidade ao longo dos anos, independentemente de quantas vezes tenham sido compradas ou vendidas, sem nunca precisar de um intermediário para verificar a autenticidade ou ajudar no processo. Os dados se tornam semelhantes a um objeto físico   A Mona Lisa é, obviamente, um objeto físico, como as aquarelas originais de Eriko, que ela assina à mão, mas as cópias digitais das suas pinturas são ativos digitais. Atualmente, um ativo digital pode ser qualquer coisa, do prontuário médico de uma pessoa à escritura de um pedaço de terra. O blockchain torna possível que um ativo de dados exista no mundo digital da mesma maneira como um objeto físico existe no mundo real. O ativo de dados pode existir como uma cópia utilizável de um arquivo de dados. Com um blockchain, sempre existe apenas uma única cópia utilizável e protegida – da mesma maneira que a versão digital de uma pintura original de Eriko Matsuyama. Ela pode ser comprada e vendida, mas nunca alterada, copiada ilegalmente ou extraviada. No intervalo de 30 anos, a cópia digital de uma aquarela de Eriko Matsuyama pode ser comprada e vendida uma dúzia de vezes por indivíduos ou empresas que queiram imprimi-la em qualquer coisa, de camisetas a papel de parede. Mas apenas uma cópia digital existirá, para sempre e sempre. A oferta e a demanda determinam o preço de qualquer produto ou serviço. Se a quantidade de um ativo digital for limitada, então esse ativo é considerado raro e a dinâmica da oferta e da demanda passa a valer, assim como no mundo físico. O desejo do mercado cria um valor quantificável, que pode ser aplicado a qualquer coisa, de um ativo individual a uma criptomoeda. A tecnologia está constantemente fazendo o mundo avançar. No futuro, o mundo digital será caracterizado por uma matriz de rotas de comércio digital de todos os tamanhos, cada uma delas protegida por blockchain, livre da pirataria e da desinformação. Se o blockhain e as tecnologias modernas estivessem disponíveis em 1911, a Mona Lisa teria sido recuperada em menos de duas horas e não em dois anos. Hoje, a face icônica da Renascença tem ainda mais razões para sorrir. Para saber mais sobre como a tecnologia blockchain, leia Mercer Digital’s Blockchain 101 Overview.

Vineet Malhotra | 11 abr 2019
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A ascensão maníaca das criptomoedas como Bitcoin colocou a blockchain na manchete das notícias diárias, mas a maioria das organizações e pessoas é incapaz de entender o que essa tecnologia relativamente nova realmente significa para seus negócios e vidas. Hoje, tecnologia blockchain é sobre onde a Internet estava no início dos anos 90. É uma tecnologia interessante e importante, mas que ainda está em seu estágio inicial. A verdade é que, da mesma forma que as pessoas estavam tentando descobrir a Internet no início dos anos 90, ninguém realmente sabe exatamente como a tecnologia blockchain revolucionará economias e culturas. Mas sabemos - assim como a Internet no início dos anos 1990 - que a blockchain mudará o jogo. Blockchain: A Revolução da Eficiência A Blockchain terá um impacto profundo na interseção de negócios e pessoas, desencadeando uma nova era de eficiência. Como a blockchain é transparente, segura e simplificada, a tecnologia revolucionará os processos operacionais, eliminando funções e protocolos dispendiosos. Suponha, por exemplo, que um VP de engenharia em Pequim, na China, esteja sendo transferido - juntamente com sua esposa e duas filhas - para uma nova posição de longo prazo baseada em Perth, na Austrália. Historicamente, encontrar e proteger as residências além da fronteira envolvia uma enorme quantidade de documentos, pessoas e processos. Protocolos imobiliários locais eram repletos de sistemas de registro legados, amplos canais burocráticos e intermediários, incluindo corretores, agentes de títulos, advogados de títulos, cartórios, agentes de custódia, funcionários de registro de terras e banqueiros em ambos os países. Esses processos eram inchados, caros e suscetíveis a fraudes. A transparência e a segurança simplificadas fornecidas pela tecnologia blockchain erradicam muitas dessas práticas perdulárias e vulneráveis. A blockchain aumenta a eficiência e a confiança não coletando dados, mas conectando dados em uma rede descentralizada de computadores participantes denominada nós. Os nós armazenam os dados da blockchain, seguem as regras dos protocolos específicos da blockchain e se comunicam com outros nós - que podem estar localizados em qualquer lugar - que seguem as mesmas regras e mantêm uma cópia idêntica de um conjunto de dados imutável. Hackers com intenções nefastas não devem simplesmente hackear um nó, mas todo nó protegido exclusivamente distribuído por toda a blockchain em todo o mundo. Ao garantir que os dados sejam simultaneamente vinculados e, ao mesmo tempo, independentes, anônimos e seguros, a blockchain permite que todos os participantes confiem uns nos outros, porque a tecnologia não permite que ninguém altere as verdades acordadas estabelecidas sobre um ativo de dados. Não são necessários intermediários para confirmar que um comprador residencial tem dinheiro suficiente, ou se a casa tem danos causados pela água, ou se a escritura foi assinada, autenticada e entregue. Blockchain em Economias em Crescimento A blockchain está ganhando força e atrapalhando as economias em crescimento a uma taxa crescente. A blockchain não só é apresentada como uma possível solução para a corrupção endêmica e institucionalizada, mas também está ganhando aceitação em importantes setores, especialmente serviços financeiros, de saúde e instituições governamentais. Serviços Financeiros Blockchain ganhou elogios em economias em crescimento como a tecnologia por trás do Bitcoin, a primeira moeda digital. No entanto, os especialistas logo reconheceram que os recursos de segurança e transparência da blockchain poderiam mudar significativamente o setor de serviços financeiros - da mesma forma que a Internet mudou as indústrias de mídia e entretenimento há 20 anos. Instituições bancárias em todo o mundo estão adotando blockchain e DLT (distributed ledger technologies) avançadas para uma ampla variedade de funções, incluindo transações comerciais, processamento de pagamentos e transações internacionais. Na verdade, a Índia lançou recentemente o India Trade Connect, uma estratégia de financiamento comercial que usa plataformas blockchain para fortalecer uma colaboração sem precedentes entre a InfoSys e sete dos maiores bancos do país.1 As modernas tecnologias de blockchain permitem que essas entidades financeiras simplifiquem os sistemas de financiamento comercial e supervisionem transações internacionais da cadeia de suprimentos em todas etapas da operação. Saúde O setor de saúde global administra grandes quantidades de dados clínicos e administrativos, desde a cadeia de suprimentos farmacêuticos a prontuários médicos de pacientes para gerenciamento de sinistros. A introdução de dispositivos médicos inteligentes, incluindo tudo desde rastreadores de condicionamento pessoal até conjuntos cirúrgicos conectados, está introduzindo um ecossistema de informações totalmente novo. O conjunto de dados coletados de dispositivos relacionados à saúde está crescendo exponencialmente. Dados precisos e acessíveis são essenciais para melhorar os resultados clínicos e reduzir o desperdício, e a imutabilidade e capacidade da blockchain de conectar as informações atualmente em silos e servir como a “única fonte de verdade” são os principais facilitadores para o crescimento contínuo. Na Coréia do Sul, o setor de saúde tem sido muito proativo na implementação da blockchain para centralizar as informações dos pacientes e marginalizar a prevalência de medicamentos falsificados por meio do gerenciamento transparente da cadeia de suprimentos. Os registros blockchain dos históricos médicos dos pacientes fornecem aos hospitais e cuidadores coreanos um registro único e preciso dos tratamentos, procedimentos e necessidades farmacêuticas de um paciente.2 Governo Governos em economias em crescimento em todo o mundo estão usando blockchains para tudo, desde registros de propriedades e métricas de votação até carteiras de motorista e históricos financeiros. A capacidade da blockchain de fornecer um ativo digital cronológico e imutável o torna ideal para transações que afetam populações e economias - deum único indivíduo a indústrias inteiras. Para muitas nações em crescimento, a blockchain poderá em breve oferecer o potencial para saltar de processos operacionais antiquados e inchados, repletos de prevaricação, a sistemas simplificados e incorruptíveis que incentivam o investimento internacional e atraem startups lucrativas. Na África, a blockchain está ganhando aceitação rápida com empresas e formuladores de políticas, em parte porque o continente não tem incumbentes ou sistemas legados profundamente entrincheirados para enfrentar essa nova tecnologia. A blockchain permite cada vez mais que os governos da África organizem melhor os registros e os serviços por meio de sistemas aprimorados de gerenciamento de identidades - o que legitima os processos-chave para sociedades bem-sucedidas, desde a coleta de impostos até a contagem de votos.3 Blockchain: O Desconhecido Quando a Internet ganhou aceitação no início dos anos 90, sabíamos que as formas pelas quais os seres humanos se comunicavam e interagiam com a informação estavam prestes a experimentar mudanças extraordinárias. Não sabíamos, no entanto, que isso levaria ao surgimento de outras forças revolucionárias como o Google, plataformas de compartilhamento de arquivos entre pares ilegais como o Napster, dispositivos onipresentes de smartphone como o iPhone ou a invenção de canais de mídia social, como Twitter, Instagram e Facebook. Todos os disruptores culturais que continuam a moldar o mundo de maneiras significativas, de vícios digitais pessoais não saudáveis à influência de campanhas de desinformação patrocinadas pelo governo. Atualmente, blockchain é tanto um milagre quanto um mistério. O impacto que isso terá nas economias em crescimento, no comércio internacional e na cultura humana não pode ser totalmente avaliado ou apreciado neste momento. Mas o poder da blockchain é real e difundido em todas as regiões do mundo. Empresas, CEOs e governos devem adotar estratégias que não exijam necessariamente uma chamada à ação, mas um chamado à conscientização - um esforço sério para obter um entendimento sofisticado da tecnologia blockchain e como ela pode criar mudanças positivas, ou consequências negativas, em um mundo que ainda está descobrindo como a Internet dos anos 90 transformou a condição humana. Para saber mais sobre como a tecnologia blockchain está afetando as indústrias, a formulação de políticas e o comportamento humano, leia Mercer Digital’s Blockchain 101 Overview. 1Infosys Finacle Pioneers Blockchain-based Trade Network in India in Consortium with Seven Leading Banks: Infosys Limited - https://www.infosys.com/newsroom/press-releases/Pages/pioneers-blockchain-based-trade-network.aspx 2Will Blockchain Transform Healthcare in South Korea:https://techwireasia.com/2018/06/will-blockchain-transform... 3Why Africa’s Emerging Blockchain Movement Is Growing So:https://media.consensys.net/blockchain-month-in-africa-920945771100

Vineet Malhotra | 27 dez 2018
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A alardeada Savana do Silício do Quênia continua a proporcionar o avanço do comércio eletrônico e de compras on-line em todo o continente africano. Jumia, varejista on-line sediada em Nairóbi, apresentou uma receita bruta de US$ 597 milhões em 2017, ampliando seu alcance de quatro para 14 países.[1] No momento, à medida que o epicentro de startups da África busca atrair mais investidores internacionais, empreendedores especialistas em tecnologia e fornecedores locais, está catalizando uma mudança profunda no comportamento dos consumidores em toda a África. Vencendo a barreira do varejo Megaempresas como a Amazon e o Alibaba mudaram a essência do comércio de varejo nos mercados ocidentais e orientais, mas o continente africano ainda não teve a oportunidade de testemunhar a ascensão de gurus de tecnologia como Jeff Bezos ou Jack Ma. Uma nova geração de jovens pioneiros de tecnologia está impulsionando a transformação digital em todo o continente e mudando a forma como os consumidores não apenas adquirem produtos, mas organizam suas vidas. Durante décadas, os mercados na África foram locais onde fazer compras constituía um incrível desafio. No entanto, as compras on-line e o internet banking estão permitindo que varejistas e consumidores africanos façam sua passagem de uma experiência de compras definida por uma infraestrutura antiquada, mecanismos bancários não confiáveis e processos de distribuição deficientes para a experiência aperfeiçoada do comércio eletrônico. Os efeitos de uma conectividade on-line aprimorada (o Quênia está entre os países com a internet mais rápida do mundo[2]) e a M-Pesa, plataforma móvel de serviços bancários que simplifica as transações financeiras e os microfinanciamentos, estão à frente de uma revolução das expectativas do consumidor em toda a África. O aumento do consumismo, porém, não está uniformemente distribuído em todo o continente. O incomparável futuro da África Os investidores estão aprendendo que a transformação digital na África não evoluirá como nas culturas ocidentais e orientais. A intuição humana pressupõe que as tendências e prioridades econômicas em determinada área do mundo podem servir de precedente para as demais áreas. Mas esse tipo de pensamento revela-se equivocado quando se trata das circunstâncias na África. Uma explosão da classe média como a ocorrida em locais como a China não deverá refletir os salários crescentes em toda a África. As corporações multinacionais devem estar cientes de que diferentes culturas adotam valores diferentes, e são esses valores que guiam a forma como as populações percebem, poupam e gastam dinheiro. O continente africano, com seus 1,2 bilhões de habitantes, está dividido em nações e culturas muito diferentes. Os investidores e elaboradores de prognósticos financeiros não podem abordar a África com as mesmas estratégias e expectativas empregadas em outras grandes populações, como os 1,32 bilhões de habitantes da Índia ou os 1,38 bilhões da China. O leque de governos, culturas e cenários econômicos da África abrange uma vasta gama de oportunidades e obstáculos únicos. As intenções da ascendente classe média africana não giram em torno de adquirir produtos que simbolizem status social ou atraiam atenção individual. Em vez disso, os consumidores africanos estão provando ser mais conservadores, direcionando a renda extra para a poupança ou para redes familiares em áreas com menor viabilidade econômica.[3] África, tempo e tecnologia Entre os produtos mais vendidos na Jumia estão as fraldas descartáveis, o que fornece um vislumbre de como os consumidores da África estão priorizando seus recursos financeiros.[1] A obsolescência das fraldas tradicionais de algodão em favor das fraldas descartáveis mais caras indica que a conveniência e o gerenciamento do tempo são fatores impulsionadores de compras em um continente em evolução. Embora itens de luxo como cosméticos não tenham conseguido um bom impulso, o comércio eletrônico está mudando o comportamento dos consumidores quando se trata de um dos recursos mais valiosos na vida de qualquer pessoa: o tempo. Tudo começa com o acesso à internet. O percentual da população queniana com acesso on-line chega a 85%.[4] À medida que os polos em Nairóbi e Mombaça continuam a atrair empresas inovadoras e empresários ambiciosos, empresas que estão surgindo na Savana do Silício, como a Twiga — que conecta fazendeiros locais a lojas em ambientes mais urbanos —, estão mudando tudo, desde as cadeias de abastecimento e distribuição até a transparência das operações. Na verdade, tecnologias como a blockchain (protocolo de confiança) podem reduzir de forma significativa a corrupção em toda a África, poupando aos empreendedores por trás das startups de tecnologia um tempo (não meses, mas anos) que seria despendido percorrendo uma burocracia custosa e atoleiros políticos para estabelecer suas empresas. Embora o continente africano esteja cheio de culturas e países tão ricos quanto díspares, o Quênia e a Savana do Silício vêm provando à comunidade internacional de investidores que as mudanças positivas transcendem fronteiras e barreiras. Os polos de tecnologia do Quênia abrigam incubadoras de ideias e negócios que transformarão não apenas a África, mas o mundo inteiro. Afinal, a Amazon e o Alibaba também já foram pequenas startups com grandes sonhos. Tudo de que precisavam era um lugar para chamar de lar e tempo para crescer. Para os empresários africanos, esse lar é a Savana do Silício... e seu tempo é agora.   1 Meet the Startup Building a Market From Scratch To Become Africa's Alibaba Matina Stevis-Gridneff https://www.wsj.com/articles/with-c-o-d-and-goat-promotions-jumia-aims-to-be-africas-alibaba-1527073200?mod=e2tw 2 Kenya's Mobile Internet Beats the United States For Speed Lily Kuo https://qz.com/1001477/kenya-has-faster-mobile-internet-speeds-than-the-united-states/ 3 3 Things Multinationals Don't Understand About Africa's Middle Class William Attwell https://hbr.org/2017/08/3-things-multinationals-dont-understand-about-africas-middle-class 4 Africa Internet Users, 2018 Population and Facebook Statistics https://www.internetworldstats.com/stats1.html

Nicol Mullins | 30 out 2018
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Os cibercrimes não só estão desenfreados na África do Sul, como também em breve podem ser uma ameaça significativa para cada economia, negócio e pessoa no mundo. Por exemplo, a violação de dados na seguradora sul-africana Liberty, em junho deste ano, demonstra quão vulneráveis estão as empresas a cibercrimes. A Liberty admitiu1 que hackers se infiltraram em seu sistema de TI e roubaram dados de clientes. Os hackers ameaçaram revelar os dados caso o resgate não fosse pago2. Em outra violação direcionada ao governo, 934.000 registros pessoais foram tornados públicos on-line.3 Os cibercriminosos concentram seus esforços em uma vulnerabilidade comum encontrada em sistemas de segurança: as pessoas. Em um relatório sobre as tendências de cibercrime e cibersegurança na África, o provedor de cibersegurança Symantec relatou que um em cada 214 e-mails enviados na África do Sul foi um ataque de spear phishing, que é a prática fraudulenta de envio de e-mails pretendendo ser de um conhecido ou remetente de confiança.4 Na África do Sul, um em cada três ataques de cibercrime procura acesso às empresas enganando as pessoas. O aumento da força de trabalho flexível está diretamente ligado à proliferação de cibercrimes. Uma nova era de funcionários que usam seus próprios computadores e dispositivos tanto para suas vidas pessoais quanto profissionais forneceu aos cibercriminosos oportunidades sem precedentes para invadir sistemas. Uma nova era de trazer seu próprio dispositivo (BYOD) coloca empresas em risco, visto que a força de trabalho flexível não está sujeita aos mesmos protocolos de segurança que outros funcionários, o que significa, em alguns casos, que esses trabalhadores — e suas tecnologias — podem contornar firewalls, proteção de senha e outras medidas de segurança. O simples ato de abrir um e-mail pode fornecer a hackers acesso à rede infraestrutura da empresa. Muitas empresas têm políticas de segurança de TI inadequadas, especialmente as relacionadas à falibilidade humana e a funcionários que veem as medidas de segurança como uma barreira, em vez de um facilitador para o negócio. Com funcionários no cerne dessas vulnerabilidades, profissionais de RH devem desempenhar um papel maior no combate a cibercrimes, seguindo estes passos: Manter-se a par das políticas de segurança Profissionais de RH, na África do Sul, devem entender completamente o ato de proteção de informação pessoal (Protection of Personal Information Act - PoPIA). Este ato requer legalmente que as empresas locais garantam que todas as informações do cliente, do fornecedor e do funcionário sejam armazenadas, processadas e destruídas de uma forma que mantenha a privacidade e a proteção de dados pessoais. Isso inclui proteger dados sigilosos de funcionários de caírem em mãos erradas. A maioria dos mercados tem protocolos e diretivas de segurança semelhantes. É importante se familiarizar com eles, Independentemente do lugar no mundo em que você está estabelecido. Abordar os riscos potenciais criados por funcionários O IBM X-Force Threat Intelligence Index de 2017 revelou que 60% dos ciberataques são resultado de atividades internas.5 Profissionais de RH devem educar os funcionários sobre os riscos de cibercrimes e implementar políticas e procedimentos para os funcionários que não respeitarem as regras. Definir as regras ao trabalhar em casa O crescimento da era BYOD é inevitável. O estudo Mercer Global Talent Trends 2018 observou que 82% dos executivos dizem que a força de trabalho flexível é essencial para suas principais operações de negócio.6 Em um contexto sul-africano, profissionais de RH precisam garantir que as políticas certas sejam aplicadas para permitir que essa tendência evolua. Os funcionários devem compreender a necessidade de manter o seu software de segurança atualizado a todo momento — inclusive ao trabalhar em casa. Durante os próximos cinco anos, projeta-se que os cibercrimes irão custar US$ 8 trilhões às empresas. As empresas que não conseguem enfrentar a gravidade e a inevitabilidade de ciberataques não estão cumprindo com suas obrigações profissionais — e agora legais — com seus funcionários e clientes. Ao incorporar políticas e regras para gerenciar a era de BYOD e ao educar os funcionários sobre as táticas sofisticadas que os criminosos usam na era digital, os profissionais de RH podem desempenhar um papel integral em limitar a exposição ao risco e a violações de segurança dispendiosas. 1 https://www.libertyholdings.co.za/investor/Documents/20180802-media-release.pdf 2 https://www.fin24.com/Companies/Financial-Services/liberty-falls-victim-to-hackers-20180617 3 https://www.troyhunt.com/questions-about-the-massive-south-african-master-deeds-data-breach-answered/ 4 https://www.symantec.com/content/dam/symantec/docs/reports/cyber-security-trends-report-africa-interactive-en.pdf 5 https://www.leadersinsecurity.org/component/phocadownload/category/11-2017-cybersecurity-publications.html?download=185:2017-cybersecurity-publications 6 https://www.mercer.com/our-thinking/career/global-talent-hr-trends.html

Nicol Mullins | 16 out 2018
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