Inovação

O futuro do blockchain: o poder que vem dos dados pessoais

18 de abril de 2019
  • Vineet Malhotra

    Partner, Digital Ventures e Líder de Capabilities, Mercer

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"Dê adeus à sua certidão de nascimento, passaporte, currículo e histórico médico, e conheça o futuro do blockchain."

Músicos, poetas e filósofos passam a vida se perguntando: "Quem sou eu?". Em um futuro não tão distante, a resposta a essa pergunta poderá estar armazenada nos seus perfis pessoais de blockchain, ou seja, "baús" digitais que guardam os detalhes de cada decisão, ação e compra realizada desde o dia em que nascemos. Dê adeus à sua certidão de nascimento, passaporte, currículo e histórico médico, e conheça o futuro do blockchain: seu perfil de blockchain. Sua resposta exclusiva à pergunta "Quem é você?" será um registro cronológico, hiperdetalhado e imutável que afirma com uma certeza inédita "Eu sou assim".

O blockchain não estará nos nossos pensamentos, emoções, sonhos ou pesadelos. Tampouco captará as confissões íntimas escritas em diários ou ditas ao espelho pela manhã. No entanto, o blockchain jamais se esquecerá que você quebrou o braço aos 5 anos (enquanto escalava um corrimão), como seu coração disparou quando você conheceu a pessoa amada (e deixou seu drink cair no chão) ou que você pagou taxa de entrega expressa em um par de sapatos pretos (para o casamento da sua prima).

O blockchain pode não ser o "eu" que os filósofos gregos tinham em mente, mas será o "eu" que o resto do mundo vê — na melhor das hipóteses, com a sua permissão.

Conheça seus direitos no mundo digital
 

As empresas querem ter acesso às suas decisões. As informações que detalham por que você escolheu passar férias no Vietnã, come mexilhões no seu restaurante italiano favorito toda terça-feira à noite ou só usa escovas de dentes com cerdas médias têm grande valor para empresas que querem vender passagens aéreas, frutos do mar e escovas de dentes para você e para pessoas como você. Todas as decisões e ações que você realiza online são dados que revelam parte da sua personalidade e dos seus processos de pensamento.

Nos últimos anos, o mercado e os políticos têm debatido o grau de acesso que as empresas devem ter nas decisões pessoais de cada indivíduo, especialmente sobre o que se lê, onde se clica e o que se compra online. Embora haja forças poderosas querendo controlar os dados que as pessoas geram ao usar serviços virtuais, os ventos estão mudando e os órgãos regulatórios estão começando a trabalhar mais a favor da pessoa física.

Em maio de 2018, a União Europeia fez história com o General Data Privacy Regulation (GDPR), regulamento que estabelece rigorosamente os direitos básicos sobre privacidade, propriedade, controle, consentimento e portabilidade de dados para todos os seus cidadãos, independentemente de onde seja a residência deles.1 Nos EUA, a HIPAA Privacy Rule estabelece padrões nacionais para proteger registros médicos e outras informações de saúde de pessoas físicas.2

Essas normas têm o objetivo de proteger cidadãos contra organizações que podem querem usar dados pessoais para fins diferentes dos para os quais foram coletados ou que desviam do consentimento explicitamente dado no momento da coleta e, para isso, preveem instrumentos para aplicar vultosas multas a quem as descumprir. Em uma era de transformação digital, é essencial que todos deem valor a seus dados pessoais e à amplitude de seus direitos à privacidade.

À venda: hábitos de sono e rotina de atividades físicas
 

Agora, os dados pessoais fazem parte da dinâmica oferta/procura que move as organizações capitalistas. Além do poder de compra, os consumidores também têm acesso a pensamentos e atividades que antecedem determinadas compras. Essas informações têm um valor incomensurável para empresas que aplicam estratégias orientadas por dados para vender seus produtos e serviços para o público-alvo.

Antes da tecnologia blockchain, não era possível ter um registro tão abrangente, capaz de acompanhar as compras e os comportamentos de alguém no contexto de tudo o que está acontecendo em sua vida. Mas agora isso é possível. Hoje, o blockchain possibilita que as pessoas tenham um perfil imutável com detalhes inimagináveis, que começa no dia em que nasceram e as acompanha por toda a vida, registrando tudo, desde quando perderam o primeiro dente até os nomes de seus netos. Cada consulta médica, cada pergunta respondida no dever de casa, cada clique do mouse, cada página visualizada.

As empresas, naturalmente, desenvolverão inúmeras maneiras de incentivar que todos permitam o acesso a seus dados. Com direitos individuais estabelecidos como o padrão jurídico, os consumidores terão o poder neste relacionamento, podendo monetizar os dados ao alugar o acesso a diversos aspectos de seus perfis de blockchain, desde os hábitos de sono até a rotina de atividades físicas. À medida que mais acessos forem concedidos e mais fontes de dados estiverem conectadas, os comportamentos poderão ser previstos com mais precisão, aumentando o valor do perfil de uma pessoa.

De fato, as pessoas conseguirão se identificar como alvos de marketing, pondo à venda perfis abrangentes e detalhados em um mercado emergente digital de dados pessoais, uma evolução que alterará drasticamente os setores de publicidade, pesquisas e análise de dados.Um mundo de 8,5 bilhões de personalidades

Estima-se que a população mundial chegue a 8,5 bilhões de pessoas em 2030. Até lá, a tecnologia blockchain pode ser capaz de organizar, de forma coerente, confiável e segura, os dados sobre as pessoas que formam as comunidades e nações. Isso torna as sociedades centradas na pessoa humana tecnicamente possíveis, nas quais as ações e comportamentos dos cidadãos ficam digitalmente registradas em suas "personalidades", um registro imutável que funciona como uma única fonte da verdade para suas experiências e sensibilidades.

Em essências, as pessoas gerarão dados de forma regular e em tempo real, adicionando-os cronologicamente a seus perfis coletivos, que conterão registros de saúde, histórico educacional, credenciais profissionais, registros eleitorais, carteiras de habilitação, antecedentes criminais, situação financeira e quaisquer outros aspectos notáveis que compõem a identidade de alguém. Essa personalidade pode se tornar o registro universalmente aceito ao qual todas as informações relacionadas à identidade podem estar atreladas. Todos os processos que costumamos usar para validar a identidade de alguém serão substituídos por um perfil individual e abrangente de blockchain. A commoditização dos dados pessoais terá um impacto profundo na forma como as pessoas se relacionam entre si e com empresas.

Será que o fato de sermos responsáveis pela nossa própria personalidade — e sabermos que os detalhes das nossas vidas estarão registrados para sempre em nosso perfil de blockchain — mudará o nosso comportamento? Será que as tentativas para aumentar o valor da nossa personalidade se transformarão em uma extensão da tentativa de melhorar nossas próprias vidas? Ou vice-versa? A ascensão da personalidade pode alterar o nosso entendimento coletivo de propriedade de maneiras inéditas para a raça humana desde a concepção dos direitos individuais à propriedade.

Os desafios do futuro para um mundo do blockchain
 

Avanços tecnológicos avassaladores sempre têm um lado negativo. Com a proliferação da tecnologia blockchain e a valorização dos dados pessoais, as sociedades correm o risco de ficar ainda mais polarizadas em termos financeiros e de classes sociais. Quem tem mais poder de compra naturalmente tem dados que valem mais para empresas que vendem produtos e serviços ou para instituições públicas que poderiam se beneficiar com o apoio financeiro ou influência dessas pessoas. Quem não tem dinheiro ou acesso a tecnologias modernas enfrentará profundas desvantagens, a menos que os governos (especialmente nas economias em desenvolvimento) implementem normas que impeçam que cidadãos vulneráveis sejam deixados para trás. As economias em desenvolvimento também precisam encontrar formas para integrar intermediários que lutarão contra a perspectiva da tornarem-se obsolteos à medida que as tecnologias de blockchain ganham popularidade.

Embora seja difícil prever o futuro e os desafios que as mudanças nos trarão, a História nos mostra que a tecnologia sempre vence quando se cria valor. De uma forma inédita, o futuro do blockchain dá à raça humana a oportunidade de se entender tanto no âmbito coletivo quanto individual. Ao apresentar novos insights sobre os comportamentos humanos, relacionamentos e interações de consumo, podemos aprender uns com os outros e oferecer melhores condições para todos.

Talvez os dados da tecnologia blockchain até mesmo demonstrem de forma convincente à humanidade como todos nós somos parecidos. No futuro, a pergunta mais importante que as pessoas se farão não será "Quem sou eu como indivíduo?", mas "Quem somos nós como sociedade?". A resposta para essa pergunta poderá criar o tipo de civilização que existe apenas nos sonhos de músicos, poetas e filósofos.

Para saber mais sobre como a tecnologia blockchain , leia Mercer Digital’s Blockchain 101 Overview.

1Palmer, Danny. "What Is GDPR? Everything You Need to Know About the New General Data Protection Regulations." ZDNet, https://www.zdnet.com/article/gdpr-an-executive-guide-to-what-you-need-to-know/.
2
"The HIPAA Privacy Rule." Office for Civil Rights, https://www.hhs.gov/hipaa/for-professionals/privacy/index.html.

 

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Jackson Kam | 11 jul 2019

A próxima crise financeira mundial está prestes a surgir? Se sim, será que ela será muito diferente da última crise? E existe a possibilidade de o contágio vir dos atuais mercados emergentes, como China, Turquia ou Argentina? Embora o futuro seja incerto e fora de controle, você pode dar passos calculados como um líder executivo para se preparar agora para o que pode vir adiante. As economias de mercados emergentes estão em ascensão   A força das economias de mercado emergentes foi uma das várias preocupações importantes dos líderes em 2018, segundo o estudo Mercer Global Talent Trends e continua sendo uma preocupação atualmente. Enquanto a Ásia, América Latina e África assumem o lugar das economias centradas no Atlântico Norte como os mecanismos mundiais de crescimento, a economia mundial vem sofrendo impactos cada vez maiores devido à sua força crescente. Ardavan Mobasheri, diretor-executivo e diretor de investimentos na ACIMA Private Wealth, acredita que o bastão da liderança mundial será totalmente passado para as economias de crescimento mais rápido até 2030. Ele diz: "É provável que a transição seja concluída até o final de 2030, com as âncoras do crescimento econômico mundial localizadas no Pacífico e no hemisfério sul". Porém, à medida que o mundo se adapta à força cada vez maior das economias de mercado emergentes, ele também deve se adaptar aos "quebra-molas" inevitáveis dessas economias. Os "quebra-molas" estão começando a se formar mundialmente   Os ativos dos mercados emergentes estão agora recuando em face dos ventos contrários em suas regiões geográficas, tais como a desaceleração da produção, aumento da dívida, índices de inflação mais altos e quedas nas moedas.1 "O contágio nos mercados emergentes acontece por meio de diferentes canais e tende a ser maior em períodos de aperto monetário em mercados desenvolvidos", afirma Pablo Goldberg, estrategista sênior de renda fixa na BlackRock, para a CNBC.2 "A liquidez é um problema. Os investidores vendem o que conseguem". Desmond Lachman, membro do American Enterprise Institute (Instituto de Empresas Americanas) e ex-diretor suplente do Departamento de Análise e Desenvolvimento de Políticas do Fundo Monetário Internacional, escreveu em um artigo que os economistas e estrategistas políticos americanos estão ignorando os riscos impostos pelas economias emergentes por sua conta e risco. "Eles não conseguem ver que os anos de alta expansão no balanço geral do Fed e as taxas de juros zero criaram as condições mais facilitadoras possíveis de empréstimo para os mercados emergentes", relata Lachman. "Fazendo isso, eles acabaram com a disciplina das políticas econômicas dessas economias e permitiram que se desenvolvessem grandes desequilíbrios econômicos, principalmente nas finanças públicas". Agora que há mais capital voltando para os ativos americanos considerados mais seguros do que os dos mercados emergentes, começam a ser vistas as fortes vulnerabilidades econômicas acumuladas nas economias de mercados emergentes durante os anos do dinheiro "fácil". Se ignoradas, é provável que essas vulnerabilidades continuem crescendo e se espalhando mundialmente, aumentando ainda mais suas implicações nos próximos anos. Os líderes executivos podem se adaptar — veja como   Para se preparar melhor para um futuro financeiro incerto e evitar essas amplas repercussões, primeiro é melhor você observar as consequências da última crise financeira, ela pode lhe ensinar algumas lições importantes sobre como funcionam a economia e o sistema financeiro mundial. Por exemplo, segundo o relatório da Mercer "10 anos após a crise financeira mundial: 10 lições para aprender", uma das lições mais importantes de 2009 mostra que as políticas dos estrategistas políticos americanos, os recordes de queda nas taxas de juros das políticas, a ampla liquidez injetada no sistema bancário e o considerável alívio gerado produziram resultados inesperados em todo o mundo. Embora as políticas monetárias não tenham sido inflacionárias em termos de preços ao consumidor, elas foram inflacionárias em termos de preços de ativos. Agora as taxas políticas estão aumentando em algumas economias, mas as consequências completas do resultado da última crise em todas as economias mundiais ainda são desconhecidas, até mesmo hoje. Com isso em mente, como líder executivo, você pode seguir estes três passos para se preparar para a próxima crise: 1.  Não abandone a diversificação, amplamente conhecida como "a única refeição grátis no investimento". 2.  Seja dinâmico e esteja preparado para deixar os ativos com altas recordes se eles se tonarem indesejados uma vez que os investidores perceberem que suas valorizações podem não ser baseadas em fundamentos sólidos, como o aumento subjacente nos lucros. 3.  Não abandone o gerenciamento ativo, pois as condições mudarão inevitavelmente.   Ao seguir esses três passos simples você terá agilidade e flexibilidade suficientes para se adaptar a qualquer situação, até mesmo uma crise financeira. À medida que os mercados enfrentarem várias metamorfoses, lembre-se dessas lições e tenha em mente essas dicas para preparar sua organização para qualquer crise iminente. Fontes: 1. Teso, Yumi e Oyamada, Aline, "Emerging Markets Retreat Amid Global Growth Concerns: EM Review", Bloomberg, 15 de fevereiro de 2019, https://www.bloomberg.com/news/articles/2019-02-15/emerging-market-rally-abate-as-trade-concern-returns-em-review./ 2. Osterland, Andrew, "Emerging markets, despite strengths, still get no respect", CNBC, 1 de outubro de 2018, https://www.cnbc.com/2018/10/01/emerging-markets-despite-strengths-still-get-no-respect.html. 3. Lachman, Desmond, "We ignore risks posed by emerging economies at our own peril", American Enterprise Institute, 17 de setembro de 2018, http://www.aei.org/publication/we-ignore-risks-posed-by-emerging-economies-at-our-own-peril/.

Eduardo Marchiori | 27 jun 2019

A migração no mundo dos negócios evoluiu para uma troca mundial complexa de força humana e intelecto entre os países com diferentes culturas e necessidades de força de trabalho. Esse equilíbrio contínuo entre capital humano e necessidades econômicas continua causando impacto na geopolítica do mundo. No entanto, a transformação digital e a Quarta Revolução Industrial estão mudando bastante o papel e o valor das forças de trabalho migrantes. Dos músculos para as placas-mãe   As máquinas e os computadores são cada vez mais capazes de desempenhar trabalhos antes realizados por forças de trabalhos migrantes de baixa qualificação — com maior eficiência e menores custos também. Esse desenvolvimento mundial apresenta desafios inéditos para os trabalhadores migrantes, para os países e para a economia mundial uma vez que a automação e a tecnologia continuam substituindo o trabalho humano em diversos setores, tais como agricultura, automóveis e manufatura. O aumento em potencial no número de desempregados com perspectivas de salários menores mantém vários países preocupados com a ampla agitação econômica e caos político. Como será o mundo, exatamente, quando a automação da Quarta Revolução Industrial substituir as profissões de 258 milhões de migrantes internacionais que se sustentam viajando para locais que oferecem desemprego não qualificado? A promessa do desconhecido   Assim como nas revoluções industriais anteriores, a Quarta Revolução Industrial terá diferentes significados para diferentes pessoas. A transformação digital facilitou o acesso a praticamente qualquer informação via internet e ofereceu a populações inteiras (principalmente aos trabalhadores migrantes) novas oportunidades de obter educação e aprender novas habilidades, negócios e profissões. Os países que antes eram impedidos pela pobreza e isolamento econômico estão abraçando essas novas oportunidades. Por exemplo, a Índia, com 1,3 bilhão de habitantes, espera que seu mercado de transformação digital atinja US$ 710 bilhões até 2024.2 Para os trabalhadores migrantes, o aprendizado de novas habilidades e o desenvolvimento profissional são cruciais para manter o emprego. Vários países e governos já reconheceram a necessidade de oferecer aos cidadãos as habilidades e o conhecimento necessários para competir na era da automação, e isso começa com os trabalhadores tendo acesso a essas tecnologias para criar seu valor e negociabilidade em um mundo competitivo. No entanto, em países como Argentina, Brasil e Estados Unidos, as pessoas sentem fortemente que seus destinos dependem delas mesmas, e não dos governos, e sentem que têm a responsabilidade individual de lidar com as mudanças arrebatadoras da transformação digital.3 Para alguns, isso significa migrar para países e economias que oferecem perspectivas melhores do que as circunstâncias atuais. Um mundo de diferentes necessidades   Conforme visto durante a história, os trabalhadores migrantes são levados para regiões onde há disponibilidade de empregos adequados. Em um mundo definido pela automação e tecnologias computacionais, surge uma nova era de necessidades. Em países desenvolvidos, como Japão, Coreia do Sul, Espanha e Estados Unidos, as taxas de natalidade estão caindo em uma velocidade extraordinária.4 Um problema em particular que afeta a Coreia do Sul e o Japão é o envelhecimento da sociedade, onde o número de idosos está aumentando drasticamente enquanto as taxas de natalidade caem — a escassez de jovens capazes de cuidar da população mais velha e gerar impostos tão necessários por meio de empregos para fundos de aposentadoria para idosos já é uma realidade. O Japão e a Coreia do Sul estão utilizando robôs e automação para cuidar das necessidades físicas, psicológicas e emocionais dos idosos, mas essas tecnologias não são capazes de oferecer os recursos financeiros e serviços domésticos que essas nações precisam para continuar funcionando. O primeiro ministro japonês, Shinzo Abe, apresentou amplas reformas, chamadas geralmente de "Abenomia", que propõem afrouxar as antigas restrições culturais, colocando mais mulheres no mercado de trabalho em diferentes níveis de poder. Entretanto, o aspecto mais controverso da Abenomia é a intenção de abrir o Japão para os trabalhadores migrantes de modo a reduzir as deficiências internas de força de trabalho que exigem recursos exclusivamente humanos — uma medida que muitos cidadãos japoneses consideram ser uma ameaça à sua identidade cultural.5 Porém, sem trabalhadores jovens para estabilizar a economia, o Japão talvez não tenha escolha. A Quarta Revolução Industrial está mudando o jogo e diversos países precisarão de trabalhadores migrantes para preencher as lacunas entre os papéis em evolução do homem e máquina. Por muitos séculos, os migrantes trabalharam duro para satisfazer suas necessidades pessoais que, por sua vez, também satisfazem as necessidades dos países empregadores que exigem sua mão de obra. Nesse cenário econômico moderno, a automação e a tecnologia forçam as mudanças nas funções de trabalho, mas a necessidade de capital humano permanece. Fontes: 1. "International Migration Report," United Nations, 2017, https://www.un.org/en/development/desa/population/migration/publications/migrationreport/docs/MigrationReport2017_Highlights.pdf。/ 2."India Digital Transformation Market to Reach $710 Billion by 2024: P&S Intelligence", Prescient & Strategic Intelligence, 5 de março de 2019. https://www.globenewswire.com/news-release/2019/03/05/1747720/0/en/India-Digital-Transformation-Market-to-Reach-710-Billion-by-2024-P-S-Intelligence.html。 3. Wike, Richard and Stokes, Bruce, "In Advanced and Emerging Economies Alike, Worries About Job Automation," Pew Research Center, September 13, 2018, https://www.pewglobal.org/2018/09/13/in-advanced-and-emerging-economies-alike-worries-about-job-automation/。 4. Kotecki, Peter, "10 Countries at Risk of Becoming Demographic Time Bombs," Business Insider, August 8, 2018, https://www.businessinsider.com/10-countries-at-risk-of-becoming-demographic-time-bombs-2018-8。 5. Yoshida, Reiji, "Success of 'Abenomics' hinges on immigration policy," https://www.japantimes.co.jp/news/2014/05/18/national/success-abenomics-hinges-immigration-policy/#.XJr1GK2ZOgR。

Vineet Malhotra | 11 abr 2019

Vincenzo Peruggia nasceu em 8 de outubro de 1881. Cerca de 30 anos depois, em uma manhã de segunda-feira de 1911, o italiano baixinho vestiu um avental branco – para se misturar com os outros empregados do Louvre em Paris – e saiu carregando a Mona Lisa. Ele simplesmente a tirou da parede. Pelos dois anos seguintes, a icônica obra-prima de Leonardo Da Vinci permaneceu enfiada em um baú no apartamento do ladrão em Paris. Por fim, Vincenzo cedeu à ansiedade e voltou à Florença, na sua amada terra natal, onde contatou um negociante de arte e tentou vender a famosa pintura. A polícia o prendeu em seu quarto de hotel. O que torna esta história fascinante não é que tenha sido espantosamente fácil sair andando com um tesouro da era da Renascença famoso mundialmente, mas que o crime de Vincenzo estava fadado ao fracasso desde o início. Todas as pessoas do mundo da arte conheciam a origem, o valor e a jornada da Mona Lisa até a sua casa no Louvre. Toda a procedência da pintura estava bem documentada e estabelecida. Seria impossível introduzir novamente a obra-prima roubada no mercado sem disparar alarmes por toda a parte. A tecnologia blockchain oferece o mesmo nível de transparência e autenticidade para todas as coisas – de um tapete persa ou um sushi de atum a um refinanciamento de imóveis ou mesmo um simples limão. Veja como. Fonte única da verdade de acordo mútuo   O primeiro passo para documentar dados em um blockchain exige processos operacionais focados na exatidão desde o início. A partir do passo inicial, todas as partes envolvidas em uma transação devem confirmar a identidade, o valor e as condições de controle que governam o ativo blockchain. Em nossa história protagonizada por Vincenzo Peruggia, por exemplo, trata-se da pintura de Da Vinci, a Mona Lisa. Ela está pendurada em uma determinada parede do Louvre e vale US$ 800 milhões. Não, ela não está à venda. O valor e as circunstâncias estão estabelecidos. Se qualquer pessoa tentar roubar ou adulterar a Mona Lisa, as partes envolvidas – o mundo, neste caso – perceberão. Com o blockchain, uma vez que as informações iniciais mutuamente acordadas sejam registradas com exatidão, elas se tornam a única fonte da verdade. E nunca precisarão ser verificadas. Depois que a integridade dos dados relacionados ao ativo de informação é estabelecida, a tecnologia blockchain impede qualquer interveniente desonesto de alterá-lo, porque todos no blockchain estão vendo as mesmas informações, ao mesmo tempo, em seus respectivos computadores, distribuídos por todo o mundo. Todos têm o mesmo acesso ao ativo original, confirmado e verificado, e ao que acontece com esses dados quando são movidos. Tentar abusar desse ativo digital ou saqueá-lo seria como roubar a Mona Lisa de incontáveis e bem protegidos Louvres em todo o mundo. Não há necessidade de intermediários   A tecnologia blockchain elimina a necessidade de intermediários ou atravessadores. Os intermediários costumam ser encarregados de proporcionar integridade a processos transacionais envolvendo partes que não se conhecem. Os bancos servem como intermediários para transações financeiras entre indivíduos e empresas. Os corretores imobiliários agem como intermediários para lidar com a papelada envolvida na venda de imóveis. Até intermediários ilegais, como plataformas piratas de download de músicas, roubam montantes significativos de royalties de músicos que têm suas músicas roubadas ou plagiadas online. O blockchain pode eliminar a necessidade e o impacto de todos esses tipos de intermediários. Tomemos como exemplo Eriko Matsuyama, uma estudante de arte fictícia de 23 anos da Universidade Tohoku no Japão, que está participando de um programa de intercâmbio em Paris. Eriko, que é uma pintora talentosa, passa todas as manhãs acampada em frente à Mona Lisa, compondo elaboradas aquarelas, cada uma oferecendo uma interpretação única da musa de Da Vinci. Ela tem até uma loja on-line, onde vende seus quadros originais a fãs ao redor do mundo. Por meio da tecnologia blockchain, Eriko pode autenticar o horário, a data e o desenvolvimento de cada pintura original e enviar tanto a aquarela original quanto uma cópia digital exclusiva aos seus compradores. Caso o comprador decida vender a pintura original ou a cópia digital, o blockchain pode servir como prova de autenticidade. Talvez, 30 anos no futuro, Eriko se torne uma artista famosa cuja obra valha milhões de dólares. Essas mesmas aquarelas e suas cópias digitais terão ainda mais valor, porque o blockchain garante a sua origem e autenticidade ao longo dos anos, independentemente de quantas vezes tenham sido compradas ou vendidas, sem nunca precisar de um intermediário para verificar a autenticidade ou ajudar no processo. Os dados se tornam semelhantes a um objeto físico   A Mona Lisa é, obviamente, um objeto físico, como as aquarelas originais de Eriko, que ela assina à mão, mas as cópias digitais das suas pinturas são ativos digitais. Atualmente, um ativo digital pode ser qualquer coisa, do prontuário médico de uma pessoa à escritura de um pedaço de terra. O blockchain torna possível que um ativo de dados exista no mundo digital da mesma maneira como um objeto físico existe no mundo real. O ativo de dados pode existir como uma cópia utilizável de um arquivo de dados. Com um blockchain, sempre existe apenas uma única cópia utilizável e protegida – da mesma maneira que a versão digital de uma pintura original de Eriko Matsuyama. Ela pode ser comprada e vendida, mas nunca alterada, copiada ilegalmente ou extraviada. No intervalo de 30 anos, a cópia digital de uma aquarela de Eriko Matsuyama pode ser comprada e vendida uma dúzia de vezes por indivíduos ou empresas que queiram imprimi-la em qualquer coisa, de camisetas a papel de parede. Mas apenas uma cópia digital existirá, para sempre e sempre. A oferta e a demanda determinam o preço de qualquer produto ou serviço. Se a quantidade de um ativo digital for limitada, então esse ativo é considerado raro e a dinâmica da oferta e da demanda passa a valer, assim como no mundo físico. O desejo do mercado cria um valor quantificável, que pode ser aplicado a qualquer coisa, de um ativo individual a uma criptomoeda. A tecnologia está constantemente fazendo o mundo avançar. No futuro, o mundo digital será caracterizado por uma matriz de rotas de comércio digital de todos os tamanhos, cada uma delas protegida por blockchain, livre da pirataria e da desinformação. Se o blockhain e as tecnologias modernas estivessem disponíveis em 1911, a Mona Lisa teria sido recuperada em menos de duas horas e não em dois anos. Hoje, a face icônica da Renascença tem ainda mais razões para sorrir. Para saber mais sobre como a tecnologia blockchain, leia Mercer Digital’s Blockchain 101 Overview.

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Jackson Kam | 11 jul 2019

A próxima crise financeira mundial está prestes a surgir? Se sim, será que ela será muito diferente da última crise? E existe a possibilidade de o contágio vir dos atuais mercados emergentes, como China, Turquia ou Argentina? Embora o futuro seja incerto e fora de controle, você pode dar passos calculados como um líder executivo para se preparar agora para o que pode vir adiante. As economias de mercados emergentes estão em ascensão   A força das economias de mercado emergentes foi uma das várias preocupações importantes dos líderes em 2018, segundo o estudo Mercer Global Talent Trends e continua sendo uma preocupação atualmente. Enquanto a Ásia, América Latina e África assumem o lugar das economias centradas no Atlântico Norte como os mecanismos mundiais de crescimento, a economia mundial vem sofrendo impactos cada vez maiores devido à sua força crescente. Ardavan Mobasheri, diretor-executivo e diretor de investimentos na ACIMA Private Wealth, acredita que o bastão da liderança mundial será totalmente passado para as economias de crescimento mais rápido até 2030. Ele diz: "É provável que a transição seja concluída até o final de 2030, com as âncoras do crescimento econômico mundial localizadas no Pacífico e no hemisfério sul". Porém, à medida que o mundo se adapta à força cada vez maior das economias de mercado emergentes, ele também deve se adaptar aos "quebra-molas" inevitáveis dessas economias. Os "quebra-molas" estão começando a se formar mundialmente   Os ativos dos mercados emergentes estão agora recuando em face dos ventos contrários em suas regiões geográficas, tais como a desaceleração da produção, aumento da dívida, índices de inflação mais altos e quedas nas moedas.1 "O contágio nos mercados emergentes acontece por meio de diferentes canais e tende a ser maior em períodos de aperto monetário em mercados desenvolvidos", afirma Pablo Goldberg, estrategista sênior de renda fixa na BlackRock, para a CNBC.2 "A liquidez é um problema. Os investidores vendem o que conseguem". Desmond Lachman, membro do American Enterprise Institute (Instituto de Empresas Americanas) e ex-diretor suplente do Departamento de Análise e Desenvolvimento de Políticas do Fundo Monetário Internacional, escreveu em um artigo que os economistas e estrategistas políticos americanos estão ignorando os riscos impostos pelas economias emergentes por sua conta e risco. "Eles não conseguem ver que os anos de alta expansão no balanço geral do Fed e as taxas de juros zero criaram as condições mais facilitadoras possíveis de empréstimo para os mercados emergentes", relata Lachman. "Fazendo isso, eles acabaram com a disciplina das políticas econômicas dessas economias e permitiram que se desenvolvessem grandes desequilíbrios econômicos, principalmente nas finanças públicas". Agora que há mais capital voltando para os ativos americanos considerados mais seguros do que os dos mercados emergentes, começam a ser vistas as fortes vulnerabilidades econômicas acumuladas nas economias de mercados emergentes durante os anos do dinheiro "fácil". Se ignoradas, é provável que essas vulnerabilidades continuem crescendo e se espalhando mundialmente, aumentando ainda mais suas implicações nos próximos anos. Os líderes executivos podem se adaptar — veja como   Para se preparar melhor para um futuro financeiro incerto e evitar essas amplas repercussões, primeiro é melhor você observar as consequências da última crise financeira, ela pode lhe ensinar algumas lições importantes sobre como funcionam a economia e o sistema financeiro mundial. Por exemplo, segundo o relatório da Mercer "10 anos após a crise financeira mundial: 10 lições para aprender", uma das lições mais importantes de 2009 mostra que as políticas dos estrategistas políticos americanos, os recordes de queda nas taxas de juros das políticas, a ampla liquidez injetada no sistema bancário e o considerável alívio gerado produziram resultados inesperados em todo o mundo. Embora as políticas monetárias não tenham sido inflacionárias em termos de preços ao consumidor, elas foram inflacionárias em termos de preços de ativos. Agora as taxas políticas estão aumentando em algumas economias, mas as consequências completas do resultado da última crise em todas as economias mundiais ainda são desconhecidas, até mesmo hoje. Com isso em mente, como líder executivo, você pode seguir estes três passos para se preparar para a próxima crise: 1.  Não abandone a diversificação, amplamente conhecida como "a única refeição grátis no investimento". 2.  Seja dinâmico e esteja preparado para deixar os ativos com altas recordes se eles se tonarem indesejados uma vez que os investidores perceberem que suas valorizações podem não ser baseadas em fundamentos sólidos, como o aumento subjacente nos lucros. 3.  Não abandone o gerenciamento ativo, pois as condições mudarão inevitavelmente.   Ao seguir esses três passos simples você terá agilidade e flexibilidade suficientes para se adaptar a qualquer situação, até mesmo uma crise financeira. À medida que os mercados enfrentarem várias metamorfoses, lembre-se dessas lições e tenha em mente essas dicas para preparar sua organização para qualquer crise iminente. Fontes: 1. Teso, Yumi e Oyamada, Aline, "Emerging Markets Retreat Amid Global Growth Concerns: EM Review", Bloomberg, 15 de fevereiro de 2019, https://www.bloomberg.com/news/articles/2019-02-15/emerging-market-rally-abate-as-trade-concern-returns-em-review./ 2. Osterland, Andrew, "Emerging markets, despite strengths, still get no respect", CNBC, 1 de outubro de 2018, https://www.cnbc.com/2018/10/01/emerging-markets-despite-strengths-still-get-no-respect.html. 3. Lachman, Desmond, "We ignore risks posed by emerging economies at our own peril", American Enterprise Institute, 17 de setembro de 2018, http://www.aei.org/publication/we-ignore-risks-posed-by-emerging-economies-at-our-own-peril/.

Lewis Garrad | 11 jul 2019

Vivemos em um período de mudança transformadora. É difícil falar sobre qualquer aspecto do negócio atualmente sem tocar no que significa o "futuro do trabalho" e quais são suas implicações na vida das pessoas, empresas e sociedades. Parte do motivo disso é que estamos todos cada vez mais conscientes dos avanços tecnológicos, das mudanças nas políticas governamentais e nas expectativas dos funcionários que estão remodelando o que conhecemos como trabalho. À medida que a inteligência artificial (IA) e a automação entram na vida cotidiana, são grandes as oportunidades de reinventar o modo como as pessoas vão trabalhar e viver. O que isso significa para a experiência dos funcionários nessa era da disrupção? Como uma organização cria um programa de experiência de funcionários relevante neste mundo moderno? O papel do RH: conectividade na era humana   Segundo o relatório 2019 Global Talent Trends da Mercer, cerca de 73% dos executivos preveem uma grande revolução em seus setores nos próximos três anos — contra 26% em 2018. Juntamente com a mudança constante que a disrupção traz está o surgimento de vários riscos de capital humano, como a queda na confiança dos funcionários e uma maior redução do efetivo. As organizações estão percebendo que a transformação centrada em pessoas é o segredo para transformar as ondas de choque da disrupção em faíscas de brilho. Isso significa uma necessidade de o RH comandar as tarefas na hora dos esboços, porém somente dois em cada cinco líderes de RH participam da etapa de geração de ideias de importantes projetos de mudança atualmente. Para garantir que a política humana permaneça no coração da mudança, o RH precisa de uma posição permanente no processo de criação, em vez de ser sempre um convidado atrasado. Uma contribuição essencial a ser feita pela função do RH é ajudar a criar e fornecer excelentes experiências de funcionário. Compreensão da experiência do funcionário   Como você detecta os momentos que importam no ciclo de vida do funcionário? Desde a integração até ter um novo gerente ou receber uma promoção, as experiências fundamentais ajudam a moldar a conexão do funcionário com a organização. Cada funcionário é diferente, com diversas necessidades e talentos — e, ao longo da carreira, as pessoas são expostas a diferentes eventos e experiências. Algumas experiências melhoram sua conexão com a organização, outras não ajudam e outras a questionam. Isso significa diversificar os níveis de desempenho dos funcionários e dos negócios. Uma equipe de RH mais digital, juntamente com dados e análises que as novas ferramentas podem trazer, pode ajudar os líderes a compreender essas experiências em um nível mais aprofundado. Embora ainda seja comum para as organizações realizarem pesquisas pontuais sobre o comportamento do funcionário uma vez ao ano, várias estão agora tentando aumentar a estratégia de escutar o funcionário com pesquisas menores e mais rápidas para oferecer um insight mais aprofundado. Usando uma plataforma de experiência do funcionário, as equipes de RH podem agora realizar pesquisas sob demanda e quando necessário, e os funcionários podem dar feedback quando for mais relevante, com ações alinhadas a necessidades específicas e ao tempo certo. Plataformas como a Allegro Pulsing Tech, da Mercer, permitem que as equipes de RH adotem uma abordagem de escuta ativa para compreender as experiências com o passar do tempo. Isso gera melhores insights em vários pontos de contato, oferecendo ao RH a oportunidade de projetar experiências mais envolventes no ciclo de vida do funcionário. Isso desencadeia uma cultura em que os funcionários se sentem ouvidos e recebem apoio e incentivo para fazer o seu melhor trabalho todos os dias. Cada vez mais as organizações reconhecem que a experiência do funcionário é tão importante quanto a experiência do cliente. Pesquisas mostram que as empresas líderes em experiência do cliente geralmente chegam nesse patamar por meio de culturas excepcionais e pessoas engajadas. A importância de investir na experiência do funcionário não pode ser ignorada. Como criar um programa de experiência do funcionário do século 21   Possibilitar o sucesso dos funcionários requer um novo projeto intencional de experiências fundamentais do funcionário, usando novas tecnologias e IA para tornar o trabalho mais inclusivo, personalizado e focado. Para isso, as organizações precisam de um programa que escute os funcionários e que utilize diversas metodologias a fim de gerar insights mais aprofundados para os vários envolvidos, inclusive os próprios funcionários. Esse novo tipo de pesquisa organizacional adota uma abordagem evolutiva para medição e utiliza novas tecnologias para apoiar análises mais integradas e mais experimentação na organização para gerar verdadeiro aprendizado. A meta é que todos tenham uma compreensão mais ampla, aprofundada e de modo ideal para gerar uma experiência de funcionário mais atraente, equipes mais eficientes e uma organização com melhor desempenho. Nesta era de disrupção, à medida que o ritmo de mudança acelera, as pessoas precisam de apoio para encontrar novas maneiras de se adaptar e de contribuir. Sem ajuda, as pessoas, organizações e sociedades não conseguirão prosperar. À medida que mais tarefas se tornam automatizadas, o RH — guardião da experiência do funcionário — ocupa o melhor lugar para liderar essa reinvenção.

Anil Lobo | 27 jun 2019

Os planos de aposentadoria complementares podem oferecer segurança e estabilidade para os idosos que já não recebem um contracheque mensal — e o Sistema Nacional de Pensões da Índia (NPS) pretende fazer exatamente isso. O NPS é um plano de pensão complementar com Contribuição Definida e sua adesão é voluntária por natureza. Assim como na maior parte do mundo, a população da Índia está envelhecendo e a expectativa de vida está aumentando. Devido às melhores condições de saúde e saneamento, a expectativa de vida mundial deve aumentar de uma média de 65 anos em 1990 para 77 anos até 2050.1 Para a maioria das pessoas, viver mais significa mais anos sem trabalho para desfrutar. Mas, considerando o aumento da população em todo o mundo, manter uma renda suficiente para viver confortavelmente durante esses anos de folga será um desafio. Não só a maioria dos idosos já não recebe uma renda, como à medida que os anos avançam, o custo de vida e a inflação continuam subindo. Enquanto os líderes governamentais em todo o mundo pensam em maneiras de ajudar os cidadãos a se preparar para a aposentadoria, eles podem ver o NPS da Índia como um modelo para melhorar a poupança de aposentadoria e ajudar os trabalhadores a evitar a pobreza durante a terceira idade. Os fundamentos básicos do Sistema Nacional de Pensões da Índia   Em 2004, o governo da Índia lançou seu Sistema Nacional de Pensões com o objetivo de oferecer uma renda de aposentadoria para os cidadãos.2 O sistema busca instituir uma reforma pensional e promover o hábito de poupar para a aposentadoria. À principio, o programa foi disponibilizado somente para os funcionários públicos, mas, em 2009, o NPS tornou-se disponível de modo complementar para todos os cidadãos indianos entre 18 e 60 anos de idade. A conta NPS nível I (conta obrigatória que oferece benefícios fiscais) foi projetada de tal forma que desencoraja o saque precoce até que o titular da conta atinja a idade de aposentadoria. Se o titular da conta quiser retirar o montante antes da idade de aposentadoria, ele poderá retirar somente 20% e o saldo deverá ser usado para adquirir uma previdência. O NPS oferece um bom benefício fiscal para seus participantes — as contribuições são feitas antes de aplicar impostos — mas uma parte dos saques está sujeita a impostos. Ao atingir a idade de aposentadoria, pode-se retirar 60% do acumulado, que é isento de impostos, e o saldo de 40% deve ser utilizado para adquirir uma outra previdência com instituições aprovadas. Pode-se abdicar do saque e manter o investimento até os 70 anos ou continuar fazendo novas contribuições, se desejado. As contas NPS nível II oferecem opções voluntárias de poupança sem penalidades rígidas por saída ou carências. Existe uma proposta para oferecer alguns benefícios fiscais no NPS nível II, que exigiria um período de carência de três anos; no entanto, essa proposta ainda deve ser confirmada. Desde o lançamento do sistema, o governo indiano criou programas de previdência social adicionais para incentivar a poupança para a aposentadoria, principalmente entre a classe trabalhadora pobre. Em 2010, o plano governamental Swavalamban Scheme comprometeu-se em depositar 1.000 rúpias nas contas de cada um que contribuísse com 1.000 a 12.000 rúpias em sua própria conta anualmente e que não recebesse uma pensão do governo ou de empregador. Porém, em 2015, o plano foi inutilizado em prol do Atal Pension Yojana (APY), que garante distribuições pensionais definidas durante a aposentadoria para aqueles que se encaixam em determinadas qualificações com base em suas contribuições. O APY também ofereceu uma contribuição governamental de 50% do total contribuído pela pessoa ou 1.000 rúpias por ano, o que for menor, por um período de cinco anos (de 2015 a 2020). O NPS da Índia passou por algumas alterações e continua evoluindo, mas o plano está ajudando a promover a poupança para aposentadoria entre os cidadãos do país. Também está mudando as expectativas dos cidadãos: em vez de depender dos familiares mais jovens para o sustento na terceira idade, vários estão agora adaptando suas economias e preparando-se para se sustentar durante os anos de aposentadoria. Além disso, o NPS é um dos produtos de investimento mais baratos. Os custos gerais do NPS são muito menores do que os de outros produtos, e talvez ele seja o produto de pensão mais barato disponível. Três lições que você pode aprender com o modelo da Índia   Para os líderes de organizações de todo o mundo, o experimento da Índia ao fornecer um programa de pensão nacional para todos os cidadãos oferece inúmeras lições valiosas. 1. A dívida nacional insustentável requer novas soluções   Muito antes de o NPS ser lançado, os funcionários públicos federais e estaduais da Índia tinham a cobertura de um programa de pensão com benefícios definidos, financiado por impostos, que oferecia um salário substituto de 50% na aposentadoria, com ajuste vinculado à inflação. Nos meados dos anos 80, esse programa custou ao país menos de US$ 0,5 bilhão por ano, mas, até 2006, com as pessoas vivendo mais, o preço subiu para mais de US$ 600 bilhões por ano.3 Manter o programa ficou insustentável e os líderes perceberam que eles precisavam desenvolver um programa substituto para garantir aposentadorias bem-sucedidas para os futuros trabalhadores e para proteger as finanças do país. Desde o lançamento do NPS, todos os funcionários públicos novos foram incluídos nele, promovendo a responsabilidade entre os trabalhadores de se preparar para a própria aposentadoria e de impedir que o governo continuasse acumulando uma dívida pensional insustentável. 2. Os benefícios fiscais são importantes nos planos de aposentadoria complementares   A maioria dos participantes escolhe investir no NPS devido aos benefícios fiscais. No entanto, alguns cidadãos indianos relatam que eles não optaram por participar do NPS porque perceberam que alguns instrumentos de fundo mútuo e órgãos privados de poupança para aposentadoria têm maior potencial de ultrapassar o mercado e também de oferecer melhores benefícios fiscais. Para incentivar os cidadãos e promover o NPS, o governo desenvolveu três categorias de opções de economia fiscal. A terceira delas é exclusivamente para funcionários assalariados cujas contribuições são feitas por meio do modelo corporativo do NPS. Todas as três categorias podem ser utilizadas em conjunto ou separadas. Além disso, houve uma atenuação recente no limite de saques isentos de impostos do capital permitido no momento da aposentadoria (de um limite anterior de 40% para 60% do capital). Originalmente, embora fosse permitido retirar 60%, o saldo de 20% era taxado a tarifas normais, e isentá-lo totalmente de impostos tornou-o ainda mais atrativo. Embora alguns executivos sêniores possam ter acesso a outros planos de aposentadoria, tais como os planos de Contribuição Definida patrocinados pelo empregador, a maioria da população (principalmente entre a classe trabalhadora) não tem acesso a outros planos; sendo assim, as vantagens fiscais inerentes ao NPS são um incentivo crucial para que comecem a poupar para a aposentadoria. 3. Os cidadãos precisam conhecer os benefícios do modelo   Embora o NPS ofereça diversos benefícios aos participantes, o índice de adesão permanece relativamente baixo.4 Alguns entrevistados de uma pesquisa recente revelaram que não compreendem a importância de poupar e as vantagens dos juros compostos pode ter influenciado na opção de não aderir. Os líderes do NPS usaram diversos métodos para informar e explicar o sistema à população. Por exemplo, foram realizados programas pilotos em duas regiões geográficas oferecendo oficinas, encontros e grupos voltados para os trabalhadores de setores não organizados e principais envolvidos. As informações também foram divulgadas em redes de televisão a cabo, rádio, publicidade móvel em vans, seminários e apresentações itinerantes. A Índia continua medindo o sucesso de seu programa de aposentadoria e pode fazer mais mudanças no futuro. Vários países estão lutando para resolver o desafio em potencial da pobreza na terceira idade, mas o NPS da Índia é uma iniciativa motivadora voltada para a proteção do futuro de muitos de seus cidadãos, e vale a pena olhar o modelo para obter inspiração. Fontes: 1. Nações Unidas: Departamento de Relações Econômicas e Sociais, "World Population Prospects — 2017 Revision: Global life expectancy", United Nations: Department of Public Information, 21 de junho de 2017, https://www.un.org/development/desa/publications/graphic/wpp2017-global-life-expectancy./ 2. "National Pension System — Retirement Plan for All", National Portal of India, 22 de outubro de 2018, https://www.india.gov.in/spotlight/national-pension-system-retirement-plan-all. 3. Kim, Cheolsu; MacKellar, Landis; Galer, Russel G.; Bhardwaj, Guatam, "Implementing an Inclusive and Equitable Pension Reform", Asian Development Bank and Routledge, 2012, https://www.adb.org/sites/default/files/publication/29796/implementing-pension-reform-india.pdf. 4. Zaidi, Babar, "5 Reasons Why Investors Stay Away From NPS. But Should You?" The Economic Times, 27 de dezembro de 2018, https://economictimes.indiatimes.com/wealth/invest/5-reasons-why-investors-stay-away-from-nps-but-should-you/articleshow/61890679.cms.

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