Investimentos

Principais conclusões do relatório Growth Markets Asset Allocation Trends: Evolving Landscape 2019

5 de setembro de 2019
  • Fiona Dunsire

    Líder de Investimentos, Mercados em Crescimento, Mercer

article-img
"Cada vez mais investidores estão incluindo alternativas em seus portfólios, e a Mercer espera que essa tendência continue em uma trajetória ascendente."

Os mercados da América Latina, Oriente Médio, África e Ásia estão entre os mais empolgantes do mundo, num cenário de crescimento econômico e mudanças demográficas, nos mercados de investimentos e nas regulamentações.

O estudo Growth Markets Asset Allocation Trends: Evolving Landscape da Mercer examinou planos de aposentadoria em 14 desses mercados, com foco em posições atuais de investimento e mudanças ao longo dos últimos cinco anos. O estudo incluiu ativos em fundos de aposentadoria somando quase 5 trilhões de dólares em mercados dos hemisférios sul e oriental.

Estas áreas oferecem um potencial empolgante para proprietários de ativos, gestores e investidores, uma vez que quase 70% do crescimento global atualmente vêm dessas economias, de acordo com o Banco Mundial. Também vemos uma expansão rápida da classe média, criando padrões diferentes de consumo e poupança. Além disso, metade dos 50 maiores investidores institucionais globais está localizada nesses mercados.1

O cenário de investimento global está ficando mais robusto

 

As economias da América Latina, Oriente Médio, África e Ásia são vastas e estão em crescimento, com uma parcela crescente da riqueza nas mãos de indivíduos, atraindo um interesse particular de investidores em todo o mundo. Estes mercados também estão se abrindo cada vez mais para investidores estrangeiros. Simultaneamente, mudanças regulatórias nessas regiões estão permitindo que investidores domésticos invistam de maneira mais ampla e fora dos seus mercados locais. Todos estes desdobramentos resultam em um cenário de investimento mais aberto e robusto, com oportunidades crescentes para investidores em todo o mundo.

Os sistemas de pensão e poupança nessas regiões também vêm sofrendo reformas, com a mesma tendência de aumentar a responsabilidade dos indivíduos pela poupança para a aposentadoria vista nos países ocidentais. De modo geral, vemos uma mudança dos planos de benefícios definidos para os planos de contribuição definida, tanto nos sistemas corporativos quanto governamentais. Essas mudanças enfatizam ainda mais a necessidade de entregar soluções de investimento eficazes para atender necessidades futuras de poupança e assegurar a confiança nos sistemas.

3 tipos de reação dos investidores

 

Os investidores e os gestores de planos estão reagindo às mudanças do ambiente de três maneiras principais:

1.  Mais investidores estão colocando dinheiro em títulos. Nos últimos cinco anos, as alocações em títulos subiram aproximadamente 8%, de 32% a 40%. Para investidores de muitas jurisdições, a mudança pretendia aumentar os retornos esperados do portfólio. Investidores em todo o mundo são desafiados por um cenário de investimento cada vez mais competitivo e um ambiente de retornos baixos. Incluir títulos no mix do portfólio deve oferecer expectativas de retornos maiores ao longo do tempo.

2.  A liberalização do mercado tem viabilizado portfólios mais diversificados pelo aumento da exposição a ativos estrangeiros em detrimento dos ativos domésticos. Em média, a exposição estrangeira em planos de aposentadoria aumentou de 45% no portfólio geral de títulos para 49% nos últimos cinco anos. Os investidores buscaram maior diversidade geográfica, especialmente em países como Colômbia, Japão, Coreia do Sul, Malásia e Taiwan. Em alguns países, como Brasil, Colômbia, Peru e África do Sul, mudanças recentes na legislação agora permitem maior exposição a ativos estrangeiros. No Japão, o Fundo de Investimento de Pensões do Governo aumentou a quantidade de títulos estrangeiros em relação aos domésticos nos últimos anos.

A transição para ativos estrangeiros também esteve presente na renda fixa, com a proporção de alocações estrangeiras aumentando de 16% para 23%, em parte devido a taxas de juros locais menos atrativas, bem como a uma busca por maior diversificação. Ainda permanecem inclinações significativas para o mercado doméstico; contudo, esperamos que esta tendência continue com o apoio das mudanças regulatórias a investimentos globais mais amplos.

3.  Os investidores têm demonstrado um interesse maior por investimentos alternativos. Cada vez mais investidores estão incluindo alternativas em seus portfólios, e a Mercer espera que essa tendência continue em uma trajetória ascendente. Entre os investidores que forneceram detalhes sobre as suas alocações em ativos alternativos, mais de 70% das alocações médias foram para imóveis e infraestrutura, e aproximadamente 20% foram para fundos privados. As mudanças regulatórias tornaram as alternativas mais atraentes para investidores em algumas áreas. Por exemplo, no Chile, em 2017 foi aprovada uma reforma no regime de investimentos, permitindo que gestores de fundos de pensão investissem até 10% em alternativas, embora com limites específicos variando de acordo com o portfólio. O principal objetivo desta melhoria é expandir os retornos e consequentemente as rendas na aposentadoria. À medida que os investidores procuram diversificar seus portfólios e buscam melhorar seus retornos, esperamos que a exposição a alternativas continue a crescer ao longo do tempo.

Esperamos que os investidores usem as conclusões do nosso relatório para reavaliar os seus portfólios e identificar como melhorar a alocação de seus ativos para alcançar resultados ainda melhores para os seus investimentos.

Para saber mais, baixe o relatório completo aqui.

Fontes:

Top 1,000 Global Institutional Investors." Investment & Pensions Europe, 2016.
https://www.ipe.com/Uploads/y/d/w/TOP-1000-Global.pdf

more in invest

Katie Kuehner-Hebert | 22 ago 2019

À medida que as empresas continuam migrando para um mundo totalmente digital, essa onda de transformação terá impacto inevitável em todas as áreas de trabalho, digitalizando tudo, desde funções financeiras e conformidade fiscal até análises de dados e mais além. Cerca de 73% dos executivos preveem uma grande revolução em seus setores nos próximos três anos, segundo o relatório Global Talent Trends 2019 da Mercer. Esse número, maior do que os 26% em 2018, é em grande parte devido à transformação digital. Mais da metade dos executivos também esperam que a inteligência artificial e a automação substituam um em cada cinco cargos atuais de sua organização. Embora isso possa preocupar algumas organizações, esses dois terremotos acabarão criando 58 milhões de empregos novos até 2022. Os líderes executivos que responderam à pesquisa anual da Mercer tiveram diversas opiniões sobre o crescimento econômico que esses avanços tecnológicos terão em todo o mundo. A digitalização pode prometer mais oportunidades, mas também prevê maior concorrência com inúmeros participantes novos — e possivelmente mais espertos. Avaliação da visão geral econômica mundial   A turbulência no cenário econômico mundial é composta por incertezas sobre como serão resolvidas as tensões comerciais entre Estados Unidos e China, segundo o relatório da Mercer Economic and Market Outlook 2019 and Beyond. A economia americana pode desacelerar um pouco com as taxas de juros mais altas enquanto a economia chinesa permanecerá dependente de como as tensões comerciais serão resolvidas. Outras economias de mercados emergentes devem continuar crescendo aproximadamente no mesmo ritmo, com a possibilidade de um crescimento mais forte quando as tensões comerciais diminuírem. O relatório da pesquisa Themes and Opportunities 2019 da Mercer observa que "as evidências crescentes da ampliação excessiva de crédito" estão criando ainda mais turbulências, com a incerteza sobre como o recuo dos bancos centrais do envolvimento com o mercado após introduções de liquidez em massa terá impacto nas economias. O relatório também observa que existe a possibilidade única de "o ritmo da globalização desacelerar, pausar ou até mesmo retroceder" devido a influências políticas, principalmente no comércio. Além disso, existem expectativas cada vez maiores dos governos, órgãos reguladores e beneficiários de que os proprietários de ativos e gestores de investimentos incorporem a sustentabilidade como uma ação padrão. Transformação digital da conformidade fiscal   As empresas que navegam por essas ondas de mudança buscarão cada vez mais a digitalização para ajudar a gerenciar e responder tanto às oportunidades quanto às obrigações — inclusive a conformidade fiscal nas regiões geográficas. Essa também é uma meta móvel, principalmente na Ásia, já que alguns países estão implementando agora tecnologias digitais para melhorar seu trabalho de coleta de impostos. Em 2015, a relação média entre imposto e PIB de 28 economias na região era de apenas 17,5%, um pouco mais que metade da relação tributária média de 34% entre as economias da OCDE. Houve um grande avanço com o uso de envios eletrônicos de declarações de impostos dos principais impostos da Índia, Cazaquistão, Malásia, Mongólia, Nepal, Cingapura e China. Além disso, pagamentos eletrônicos obrigatórios são exigidos agora por órgãos de receita na República Popular da China, Indonésia, Mongólia e Vietnã.1 A digitalização e a maior regulamentação fiscal também pretendem melhorar amplamente os trabalhos de coleta embora seja necessário um empurrão maior. Os governos estão dando passos largos nos trabalhos de administração fiscal com a ajuda da digitalização — incluindo o envio de avaliações eletrônicas a empresas pelos impostos devidos, baseado em sistemas de auditoria eletrônica.2 Se os sistemas encontram discrepâncias nos relatórios fiscais mensais dos vendedores, uma avaliação eletrônica é emitida automaticamente, incluindo juros e multa. Andy Hovancik, presidente e CEO da Sovos, resume: "O ponto principal é: a cobrança fiscal está incorporada agora na maioria dos processos comerciais importantes, mudando o mundo tributário e revolucionando décadas de processos comerciais antigos. Como resultado, o imposto está orientando a transformação digital nos departamentos financeiro e contábil. Agora, mais do que nunca, as empresas precisam de uma nova abordagem à automação fiscal para garantir a conformidade".2 Os executivos financeiros concordam, inclusive Michael Bernard, diretor tributário de impostos sobre transações na Vertex Inc. Ele afirma: "Os governos em todo o mundo estão buscando novas formas de conformidade, como regulamentações de fatura eletrônica, que exigem que os departamentos de TI incorporem fluxos de trabalho nos processos principais, bem como verificações em tempo real de conformidade do imposto VAT. Em 2019, as organizações financeiras começarão a incluir considerações fiscais nas estratégias de transformação digital. Um roteiro eficaz inclui ações relacionadas ao uso de dados para vincular processos comerciais e obrigações de conformidade fiscal".3 Orientação da estratégia comercial com conformidade   A digitalização sozinha não permitirá que as empresas cumpram melhor as novas regulamentações fiscais — tornando a conformidade um desejo central de estratégia comercial. Isso inclui implementar sessões de treinamento na empresa para ajudar os funcionários a desenvolver um estado de plena atenção quando se trata de conformidade. Mas, nessa época de maior responsabilidade, Leila Szwarc, chefe de conformidade global e serviços regulamentares estratégicos no TMFGroup, afirma que as empresas devem reimaginar a noção de conformidade como um "capacitador de negócios" capaz de distingui-lo dos concorrentes.4 Segundo Szwarc, "A conformidade deve ser vista como um capacitador de negócios e não como um dreno do desenvolvimento, mas isso só pode acontecer se as empresas trabalharem de forma integrada trazendo soluções criativas aos desafios organizacionais relacionados". Ela continua: "À medida que as empresas da região APAC encaram um nova época regulamentar, as equipes de conformidade têm um papel importante a ser exercido tanto na proteção dos interesses das empresas quanto na ajuda para gerar um diferencial competitivo de longo prazo". Com um mercado incerto à frente e amplas mudanças no horizonte, é mais importante do que nunca antecipar-se e pensar em como seu negócio pode não só sobreviver à onda da iminente transformação digital como também prosperar com ela. Comece a planejar sua estratégia de negócios, colocando a conformidade e a digitalização no centro; com essas ideias em mente hoje, você estará melhor amanhã. Fontes: 1.Suzuki, Yasushi; Highfield, Richard. "How digital technology can raise tax revenue in Asia-Pacific". Asian Development Blog, 13 de setembro de 2018, https://blogs.adb.org/blog/how-digital-technology-can-raise-tax-revenue-asia-pacific./ 2.Hovancik, Andy. "How Modern Taxation is Driving Digital Transformation in Finance". Payments Journal, 16 de julho de 2018, https://www.paymentsjournal.com/how-modern-taxation-is-driving-digital-transformation-in-finance/. 3 Schliebs, Henner. "2019 CFO Priorities: Experts Predict Top Trends". Digitalist Magazine, 18 de dezembro de 2018, https://www.digitalistmag.com/finance/2018/12/18/2019-cfo-priorities-experts-predict-top-trends-06195293. 4. Szwarc, Leila. "Regulatory compliance – The new business enabler". Risk.net, 18 de março de 2019, https://www.risk.net/regulation/6485861/regulatory-compliance-the-new-business-enabler.

A posição única da África como um continente composto amplamente por jovens que estão adotando a transformação digital oferece aos bancos de todo o mundo um breve olhar sobre o futuro. Essa nova geração prefere agilidade a burocracia, e automação on-line a interações convencionais perturbadas por ineficiência humana, restrições geográficas e falta de capacidade de adaptação.           Na realidade, 40% dos usuários de bancos africanos dizem que preferem usar canais digitais para suas necessidades bancárias.1 Esse movimento drástico na preferência dos clientes está empurrando a África para a vanguarda das mudanças e tornando o setor bancário africano um berço de inovação. A África do Sul, Quênia, Nigéria e Costa do Marfim, em particular, estão liderando o caminho, atravessando o impacto e consequências sem precedentes que a digitalização dos serviços bancários e ascensão das "fintechs" estão tendo nos clientes, na receita e no futuro dos funcionários bancários. A ascensão do uso móvel e dos serviços bancários digitais   O uso móvel e os serviços bancários digitais andam de mãos dadas. Os usuários bancários africanos preferem os serviços bancários digitais porque já incorporaram os canais digitais em seu estilo de vida. Em 2017, mais de 90% da África subsaariana era coberta por redes 2G; agora, redes de banda larga móvel mais avançadas estão sendo implementadas rapidamente em todas essas regiões, onde um terço dos usuários móveis — 250 milhões de pessoas — têm um smartphone.2 Essa familiaridade com a tecnologia móvel e confiança nas plataformas digitais facilitam a adoção de canais bancários digitais. Criação sem precedentes de acesso à prosperidade   Dispositivos mais rápidos e baratos e o acesso mais amplo a redes robustas estão permitindo que os países pobres da África dêem um salto para uma nova época de conectividade, informação e recursos on-line. Esse forte desenvolvimento não só ofusca o impacto da telefonia fixa, como também cria uma nova realidade onde, na África subsaariana, os telefones celulares são mais comuns do que o acesso à energia elétrica. Os sistemas monetários móveis que permitem às pessoas enviar dinheiro diretamente a partir de seus telefones elevaram o destino econômico das populações — tirando da pobreza, por exemplo, 2% dos lares quenianos entre 2008 e 2014.3 A Nigéria (onde 60% da população tem menos de 25 anos), juntamente com a China, Índia, Paquistão e Indonésia, terão 50% do 1,6 bilhão de usuários de internet móvel projetados para estar on-line até 2025.4 "O crescimento contínuo de gerações de usuários bancários conectados e com conhecimento tecnológico deve revolucionar todo o setor e suas forças de trabalho". Os desafios da modernização das forças de trabalho bancárias   Para compreender o impacto que a transformação digital e os serviços bancários móveis estão tendo nos bancos e seus funcionários, basta olhar os desenvolvimentos recentes no Standard Bank: mesmo sendo um dos bancos mais poderosos e influentes da África, ele anunciou o plano de fechar até 91 agências em todo o continente, colocando em risco mais de 1.000 empregos.5 A digitalização das transações e processos que eram antes realizados por seres humanos está criando grandes desafios para os bancos e funcionários bancários que se sustentam com as habilidades cada vez mais antiquadas. Para o setor bancário mundial, a África representa um futuro inevitável e muito próximo, e os funcionários têm razão de estarem preocupados com a viabilidade de suas carreiras bancárias. Enquanto grandes bancos estão buscando maneiras inovadoras de lutar contra a concorrência cada vez maior e de promover o crescimento de suas carteiras em meio a condições comerciais complicadas, está surgindo uma nova geração de bancos orientados pela tecnologia e organizações fintech, como o TymeBank e o Bank Zero. Encontrar oportunidade em tempos de mudança   Com a mudança, existe sempre oportunidade. O relatório Global Talent Trends 2019 da Mercer explica que a inovação pode muitas vezes apresentar grandes obstáculos às forças de trabalho legadas, mas também pode oferecer oportunidades sem precedentes para o desenvolvimento da carreira e crescimento profissional. A Mercer pode oferecer aos CEOs, CFOs e executivos bancários o conhecimento e recursos necessários para implementar a digitalização em todo o setor financeiro, usando as lições aprendidas com o forte avanço bancário na África. A junção na África da tecnologia com clientes com conhecimento tecnológico acelerou a taxa na qual o setor bancário digital está crescendo e o potencial desse crescimento pode elevar o local de trabalho mundial. Enquanto os clientes com conhecimento tecnológico em todo o mundo exigem que os bancos migrem investimentos, recursos e estratégias para fintechs e plataformas móveis fáceis, a experiência confiável da Mercer oferece transparência e estratégias claras que capacitam os bancos — e suas forças de trabalho — a se adaptarem a uma nova era da transformação digital. Fontes: 1Agabi, Chris. "40% of African bank customers prefer digital channels transactions — Report." Mobile Money Africa, 23 Apr. 2019, https://mobilemoneyafrica.com/blog/40-of-african-bank-customers-prefer-digital-channels-transactions-report. 2Radcliffe, Damien. "Mobile in Sub-Saharan Africa: Can world's fastest-growing mobile region keep it up?" ZDNet, 16 Oct. 2018, https://www.zdnet.com/article/mobile-in-sub-saharan-africa-can-worlds-fastest-growing-mobile-region-keep-it-up/. 3"In much of sub-Saharan Africa, mobile phones are more common than access to electricity." The Economist, 8 Nov. 2017, https://www.economist.com/graphic-detail/2017/11/08/in-much-of-sub-saharan-africa-mobile-phones-are-more-common-than-access-to-electricity. 4Kazeem, Yomi. "Nigeria's young population will help drive global mobile internet user growth over the next decade." Quartz Africa, 18 Sept. 2018, https://qz.com/africa/1393908/gsma-nigeria-to-add-50-million-mobile-internet-users-by-2025/. 5Khumalo, Kabelo. "Customer behaviour triggered Standard Bank move to close 91 branches." Business Report, 15 Mar. 2019, https://www.iol.co.za/business-report/companies/customer-behaviour-triggered-standard-bank-move-to-close-91-branches-19896105.

Sean Daykin | 13 jun 2019

O Private Equity (PE) está se tornando cada vez mais importante no Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) devido ao recente enfoque na diversificação econômica e esforços de desenvolvimento. Ele surge como uma classe relativamente nova de ativos na região, com interesse no "capital de crescimento" em vez do PE mais tradicional de "compra", visto nos mercados desenvolvidos dos Emirados Árabes e Europa Ocidental, no qual os gestores dos fundos têm participação majoritária. De fato, o capital de risco viu uma explosão na arrecadação de fundos após o sucesso de gigantes de capital de risco da região, como a Careem, e a compra da Souq.com pela Amazon. O Private Equity pode desempenhar um papel importante na geração de crescimento econômico. Fatores como o aumento da riqueza da região, recentes reformas econômicas importantes e fortes iniciativas regionais do governo para fortalecer o empreendedorismo e promover as pequenas e médias empresas tornam os investimentos de PE bastante atraentes. Os governos locais estão tentando fomentar um crescimento ainda maior no capital de risco, criando incubadoras e núcleos regionais com menos regulamentações para incentivar os empreendedores a se estabelecerem na região. Esse empenho acabará gerando crescimento econômico sustentável, maior prosperidade e mais empregos de alta qualificação. No entanto, após o caso amplamente divulgado do Grupo Abraaj1 , o setor tem exigido governança corporativa mais forte na região. Os gestores locais de PE vêm sofrendo um controle bem maior já que os investidores estão começando a prestar mais atenção no modo como seus fundos são administrados.  Os investidores regionais estão solicitando maior compreensão da medição do desempenho de mercados privados. Os compradores e investidores querem fundamentar suas decisões para entrar no mercado de PE com informações testadas e comprovadas, considerando fatores como desempenho passado e com a devida diligência sobre investimentos e operações. Embora seja essencial medir o desempenho absoluto e relativo dos mercados privados, ele apresenta fortes nuances. Como a "criação de valor" é um aspecto importante na história do Private Equity, a medição não deve ser só precisa, como também significativa. Assim como com todos os investimentos, a avaliação do desempenho passado é sempre um fator importante na hora de optar ou não pela inclusão do Private Equity na alocação geral de ativos de um portfólio. No entanto, os investidores de PE devem olhar mais a fundo para saber o verdadeiro desempenho de um fundo, usando rigorosa e devida diligência. Uma combinação de métricas e medidas qualitativas é importante para oferecer uma compreensão holística do registro de acompanhamento do fundo e de seu potencial de desempenho futuro. Em termos de métricas quantitativas, as três mais usadas são: Taxa Interna de Retorno (TIR), relação do Valor Total Pago (TVPI) e relação do valor Distribuído para Integralizado (DPI). A TIR é a métrica mais citada para avaliação do desempenho de um investimento do mercado privado. É uma avaliação baseada no tempo que leva em consideração o investimento feito e adquirido durante um período. Quanto mais tempo o investimento levar para amadurecer (ou vender a um determinado preço), mais cairá uma determinada TIR global anualizada. A segunda medida, TVPI, considera o total do valor recebido dos investimentos (por meio de dividendos e da venda no final) comparado ao investimento inicial realizado. A medida final é a relação DPI, que mede o retorno do capital inicial (por meio de dividendos ou outros pagamentos) comparado ao investimento inicial realizado. O DPI é um barômetro do valor realizado, não do valor total. Todas essas três métricas exercem um papel importante para ajudar os investidores a avaliarem o desempenho histórico de um fundo de Private Equity. Embora não haja uma resposta única para avaliar de modo completo e preciso o desempenho de um fundo de Private Equity, essas métricas, quando utilizadas em conjunto, podem ajudar a obter uma melhor compreensão sobre ele. A medição do desempenho passado de um fundo não lhe diz muito sobre o desempenho do próximo fundo de Private Equity. Essas obrigações possuem uma vida longa e, sendo assim, é necessário considerar outros fatores relacionados ao investimento. Entre eles estão a estabilidade da equipe de investimento, observando como ela busca negócios ou como cria valor nas empresas do seu portfólio. Depois do caso do Grupo Abraaj, a avaliação de gerentes e operações de back-office tornou-se uma medida essencial de devida diligência. Controles internos eficazes, sistemas reforçados e uma equipe operacional bem montada também são fundamentais para que o fundo de Private Equity tenha sucesso. A avaliação do desempenho do mercado privado é, com certeza, mais complicada do que a avaliação do desempenho do mercado público. Ela requer uma visão clara das métricas e metodologias relevantes, é fundamentada por várias perspectivas e demanda especificidade da análise. Além disso, pode ser subjetiva, propensa à manipulação e representa, no final das contas, uma avaliação imperfeita do sucesso de um investimento no mercado privado. No entanto, é provável que a avaliação do desempenho do mercado privado continue evoluindo e acabe diminuindo suas deficiências atuais. "O segredo dos investidores é identificar os talentos capazes de gerar sólidos investimentos de modo contínuo com o passar do tempo". Embora o desempenho passado seja útil para avaliar o histórico de acompanhamento de um gerente, ele não garantirá resultados futuros. Portanto, o investidor precisa realizar investimentos "qualitativos" profundos juntamente com a devida diligência operacional para avaliar a probabilidade do sucesso do investimento futuro. Para saber mais sobre como a Mercer pode ajudar nas suas estratégias de investimento, clique aqui. Fontes: 1Ramady, Mohamed, "Abraaj Capital: The Rise and Fall of a Middle East Star," Al Arabiya, July 3, 2018,https://english.alarabiya.net/en/views/news/middle-east/2018/07/03/Abraaj-Capital-The-rise-and-fall-of-a-Middle-East-star.html#.

Saiba mais sobre Voice on Growth

Fiona Dunsire | 05 set 2019

Os mercados da América Latina, Oriente Médio, África e Ásia estão entre os mais empolgantes do mundo, num cenário de crescimento econômico e mudanças demográficas, nos mercados de investimentos e nas regulamentações. O estudo Growth Markets Asset Allocation Trends: Evolving Landscape da Mercer examinou planos de aposentadoria em 14 desses mercados, com foco em posições atuais de investimento e mudanças ao longo dos últimos cinco anos. O estudo incluiu ativos em fundos de aposentadoria somando quase 5 trilhões de dólares em mercados dos hemisférios sul e oriental. Estas áreas oferecem um potencial empolgante para proprietários de ativos, gestores e investidores, uma vez que quase 70% do crescimento global atualmente vêm dessas economias, de acordo com o Banco Mundial. Também vemos uma expansão rápida da classe média, criando padrões diferentes de consumo e poupança. Além disso, metade dos 50 maiores investidores institucionais globais está localizada nesses mercados.1 O cenário de investimento global está ficando mais robusto   As economias da América Latina, Oriente Médio, África e Ásia são vastas e estão em crescimento, com uma parcela crescente da riqueza nas mãos de indivíduos, atraindo um interesse particular de investidores em todo o mundo. Estes mercados também estão se abrindo cada vez mais para investidores estrangeiros. Simultaneamente, mudanças regulatórias nessas regiões estão permitindo que investidores domésticos invistam de maneira mais ampla e fora dos seus mercados locais. Todos estes desdobramentos resultam em um cenário de investimento mais aberto e robusto, com oportunidades crescentes para investidores em todo o mundo. Os sistemas de pensão e poupança nessas regiões também vêm sofrendo reformas, com a mesma tendência de aumentar a responsabilidade dos indivíduos pela poupança para a aposentadoria vista nos países ocidentais. De modo geral, vemos uma mudança dos planos de benefícios definidos para os planos de contribuição definida, tanto nos sistemas corporativos quanto governamentais. Essas mudanças enfatizam ainda mais a necessidade de entregar soluções de investimento eficazes para atender necessidades futuras de poupança e assegurar a confiança nos sistemas. 3 tipos de reação dos investidores   Os investidores e os gestores de planos estão reagindo às mudanças do ambiente de três maneiras principais: 1.  Mais investidores estão colocando dinheiro em títulos. Nos últimos cinco anos, as alocações em títulos subiram aproximadamente 8%, de 32% a 40%. Para investidores de muitas jurisdições, a mudança pretendia aumentar os retornos esperados do portfólio. Investidores em todo o mundo são desafiados por um cenário de investimento cada vez mais competitivo e um ambiente de retornos baixos. Incluir títulos no mix do portfólio deve oferecer expectativas de retornos maiores ao longo do tempo. 2.  A liberalização do mercado tem viabilizado portfólios mais diversificados pelo aumento da exposição a ativos estrangeiros em detrimento dos ativos domésticos. Em média, a exposição estrangeira em planos de aposentadoria aumentou de 45% no portfólio geral de títulos para 49% nos últimos cinco anos. Os investidores buscaram maior diversidade geográfica, especialmente em países como Colômbia, Japão, Coreia do Sul, Malásia e Taiwan. Em alguns países, como Brasil, Colômbia, Peru e África do Sul, mudanças recentes na legislação agora permitem maior exposição a ativos estrangeiros. No Japão, o Fundo de Investimento de Pensões do Governo aumentou a quantidade de títulos estrangeiros em relação aos domésticos nos últimos anos. A transição para ativos estrangeiros também esteve presente na renda fixa, com a proporção de alocações estrangeiras aumentando de 16% para 23%, em parte devido a taxas de juros locais menos atrativas, bem como a uma busca por maior diversificação. Ainda permanecem inclinações significativas para o mercado doméstico; contudo, esperamos que esta tendência continue com o apoio das mudanças regulatórias a investimentos globais mais amplos. 3.  Os investidores têm demonstrado um interesse maior por investimentos alternativos. Cada vez mais investidores estão incluindo alternativas em seus portfólios, e a Mercer espera que essa tendência continue em uma trajetória ascendente. Entre os investidores que forneceram detalhes sobre as suas alocações em ativos alternativos, mais de 70% das alocações médias foram para imóveis e infraestrutura, e aproximadamente 20% foram para fundos privados. As mudanças regulatórias tornaram as alternativas mais atraentes para investidores em algumas áreas. Por exemplo, no Chile, em 2017 foi aprovada uma reforma no regime de investimentos, permitindo que gestores de fundos de pensão investissem até 10% em alternativas, embora com limites específicos variando de acordo com o portfólio. O principal objetivo desta melhoria é expandir os retornos e consequentemente as rendas na aposentadoria. À medida que os investidores procuram diversificar seus portfólios e buscam melhorar seus retornos, esperamos que a exposição a alternativas continue a crescer ao longo do tempo. Esperamos que os investidores usem as conclusões do nosso relatório para reavaliar os seus portfólios e identificar como melhorar a alocação de seus ativos para alcançar resultados ainda melhores para os seus investimentos. Para saber mais, baixe o relatório completo aqui. Fontes: Top 1,000 Global Institutional Investors." Investment & Pensions Europe, 2016. https://www.ipe.com/Uploads/y/d/w/TOP-1000-Global.pdf

Jackson Kam | 05 set 2019

Nos últimos anos, a China surgiu como uma potência em um mundo cada vez mais digitalizado e orientado pelo comércio eletrônico. Sua economia digital representava 38,2% do crescimento de seu PIB no primeiro semestre de 2018,1 e ela também é sede de 9 das 20 maiores empresas de internet do mundo, incluindo o mecanismo de busca Baidu, a gigante do comércio eletrônico Alibaba e o provedor de serviços de internet Tencent.2 Na realidade, o sucesso da China pode servir de lição para as empresas e economias em todo o mundo que estão tentando manter sua relevância e um diferencial competitivo. Iniciativas de políticas ajudam a promover a digitalização   Um fator por trás do sucesso da China é o enfoque do governo em mudar para uma economia digital. Em 2015, o Conselho de Estado da China, o mais alto órgão de administração estatal, emitiu um relatório chamado "Made in China 2025". O documento descreve sua estratégia para transformar a base de fabricação da China usando a inovação digital. Entre as metas estratégicas estão aumentar amplamente a digitalização e "informatização" da fabricação. Por exemplo, na categoria de integração de TI e industrialização, o relatório lista a meta de aumentar a penetração da banda larga de 37% em 2013 para 82% até 2025.4 Com isso, as iniciativas descritas também causaram preocupações entre os estrategistas políticos do mundo todo.5 Alguns temem que uma política industrial conduzida pelo governo incluirá ajuda financeira a empresas chinesas, criando um cenário global desigual. Alguns também se preocupam com os investimentos da China em empresas estrangeiras de tecnologia. Ao mesmo tempo, as metas e estratégias descritas no relatório indicam que a liderança da China pretende se concentrar em garantir que o país esteja preparado para um mundo cada vez mais digital. Investimentos colocam o futuro digital em foco   Com esse intuito, catapultaram os investimentos em pesquisa e desenvolvimento feitos por empresas, institutos de pesquisa e governo da China. Desde 2000, eles pularam de cerca de US$ 40 bilhões para US$ 443 bilhões, um pouco menos que os US$ 484 bilhões investidos dentro dos Estados Unidos, segundo dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico.6 A China também está trabalhando para minimizar qualquer linha divisória digital entre os cidadãos de cidades grandes e de áreas mais remotas. Diversas províncias desenvolveram planos de digitalização de suas economias. Um exemplo é a província de Guizhou, que planeja ampliar sua economia digital em 20% ao ano.7 O Fórum Econômico Mundial também explica que, nos locais conhecidos como aldeias Taobao, pelo menos 10% das casas operam lojas on-line para o Taobao, o local de compras da gigante do comércio eletrônico Alibaba. Em uma aldeia assim, a receita gerada com o comércio eletrônico é de pelo menos US$ 1,6 milhão e há mais de 1.000 dessas aldeias pontilhando a paisagem rural chinesa.8 Juntamente com o investimento financeiro, as políticas que permitem que as empresas de tecnologia tenham sucesso são essenciais para a transformação digital e o sucesso da economia em um mundo de comércio eletrônico. Isso inclui um modelo educacional que ajuda os alunos a desenvolverem habilidades de pensamento crítico e solução de problemas, bem como conhecimento digital. Além disso, o ensino não deve parar depois que os alunos se formam. Pelo contrário, ele precisa continuar com programas de treinamento que ajudam aqueles que estão empregados a se manterem atualizados com o avanço da tecnologia. Mercados de capital robusto, forte proteção da propriedade intelectual e mecanismos para evitar e detectar a corrupção são requisitos adicionais para um setor tecnológico forte e inovador. A colaboração entre os setores privados e públicos, tais como programas que fomentam novos negócios, também contribui para um ambiente digital próspero. Comece com os funcionários para criar uma força de trabalho digital   As empresas, assim como os governos, podem se preparar para um ambiente digital em expansão e permanecer relevantes e competitivas. Por incrível que pareça, faz sentido concentrar-se primeiro na força de trabalho e depois na tecnologia. Os funcionários podem construir ou destruir até mesmo as soluções tecnológicas mais avançadas. Três requisitos para uma cultura de trabalho inovadora: 1.  Meios: referem-se às ferramentas e autoridade que os funcionários precisam para conceber uma ideia, montar a equipe certa, criar o caso de negócio e desenvolver e testá-lo. 2. Motivação: as organizações oferecem motivação incentivando os funcionários a pensarem além da sua função imediata e até mesmo a correrem riscos em uma estrutura predefinida. Elas também permitem que eles participem, talvez com um bônus, em qualquer resultado financeiro positivo oriundo do seu trabalho. 3. Oportunidade: os funcionários precisam de tempo, ferramentas e espaço para exercício mental e inovação. A agilidade também é essencial para um local de trabalho digital inovador. Os funcionários devem se sentir confiantes para colaborar com colegas entre funções e para compartilhar ideias sem receber críticas indevidas. Um orçamento substancial para treinamento também garantirá que os funcionários aprendam as habilidades necessárias para contribuir com o sucesso contínuo de sua empresa. Invista em tecnologia para manter o ritmo com a inovação   É claro que a tecnologia exerce um papel vital no sucesso digital. As restrições, como recursos de rede inadequados e aplicativos antigos que não se integram a novos sistemas, tiveram impacto nas atividades de transformação digital em 75% das marcas, segundo uma pesquisa da empresa de serviços de fabricação Jabil. Por sorte, 99% estão investindo em novas tecnologias para substituir plataformas ultrapassadas que atrapalham as operações.9 A ascensão da China como uma potência digital é resultado do planejamento, investimento e trabalho — e tanto as empresas quanto os países podem aprender com seus esforços digitais e casos de sucesso de comércio eletrônico. Fontes: 1 Academia China de Tecnología de la Información y las Comunicaciones, dependiente del Ministerio de Industria y Tecnología de la Información, Xinhua News, 23 de diciembre de 2018, http://www.xinhuanet.com/english/2018-12/23/c_137693489.htm. 2 Von Heimburg, Fabian, "Here are 3 lessons Europe can learn from China's flourishing start-ups," ("Aquí hay tres lecciones que Europa puede aprender de las florecientes empresas emergentes,") Foro Económico Mundial, 15 de septiembre de 2018, https://www.weforum.org/agenda/2018/09/3-lessons-europe-can-learn-from-china-flourishing-start-up-ecosystem/. 3World Payments Report 2018" ("Informe Mundial de Pagos 2018"),  Capgemini y BNP Paribas Services, https://worldpaymentsreport.com/non-cash-payments-volume 4 Consejo de Estado de la República Popular China, "Made in China 2025" ("Hecho en China 2025") IoT One, 7 de julio de 2015, http://www.cittadellascienza.it/cina/wp-content/uploads/2017/02/IoT-ONE-Made-in-China-2025.pdf. 5 Morrison, Wayne M., "The Made in China 2025 Initiative: Economic Implications for the United States," ("Iniciativa Made in China 2025: Implicaciones económicas para los Estados Unidos"), Servicio de Investigación del Congreso de los E.U.A., 29 de agosto de 2018, https://fas.org/sgp/crs/row/IF10964.pdf. 6Gross domestic spending on R&D" ("Gasto interno bruto en I+D",  Organización para la Cooperación y el Desarrollo Económicos​ (OCDE), consultado el 1 de abril de 2019, https://data.oecd.org/rd/gross-domestic-spending-on-r-d.htm. 7Academia China de Tecnología de la Información y las Comunicaciones, dependiente del Ministerio de Industria y Tecnología de la Información, "China's digital economy surges 18.9 %, drives growth" ("La economía digital de China aumenta un 18,9 % e impulsa el crecimiento") China Daily, 20 de julio de 2017, http://www.chinadaily.com.cn/business/2017-07/20/content_30179729.htm. 8Wenway, Winston Ma, "China's mobile economy, explained" ("La economía móvil de China explicada") Foro Económico Mundial, 26 de junio de 2017, https://www.weforum.org/agenda/2017/06/china-mobile-economy-explained. 9Digital Transformation Strategies: How are They Changing?" ("Estrategias de transformación digital: ¿Cómo están cambiando?") Jabil, https://www.jabil.com/insights/blog-main/how-are-digital-transformation-strategies-changing.html.

David Anderson | 22 ago 2019

A cidade viva. A cidade conectada. A cidade inteligente. A cidade ágil. A cidade orientada por dados. A cidade integrada. A cidade movida a blockchain. A cidade sustentável. A cidade pronta para o futuro. Não existe falta de visão, inspiração e talento quando se trata das cidades de hoje em dia. Ainda assim, elas devem atrair investimento estrangeiro direto (juntamente com empresas bem cotadas na bolsa de valores, empresas start-ups e grandes talentos) e ter acesso à melhor tecnologia possível para gerar crescimento. Mas o crescimento do PIB mundial não virá das mesmas fontes de sempre. Ele seguirá o destino das futuras cidades inteligentes com maior competitividade, muitas das quais são áreas urbanas esquecidas, com oportunidades para ultrapassar megacidades estabelecidas que já foram, no passado, verdadeiros lares dos funcionários e executivos de maior sucesso mundial. Com o investimento em tecnologias de informação e comunicação que aprimoram a qualidade e o desempenho dos serviços urbanos, tais como energia e mobilidade, essas cidades inteligentes estão competindo pelos trabalhadores altamente qualificados, que sustentarão suas organizações e garantirão o crescimento. As questões encaradas por empregadores e talentos   Na hora de decidir onde trabalhar, morar e criar sua família, esses funcionários priorizam os fatores humanos e sociais citados no recente estudo da Mercer, People First: Driving Growth in Emerging Megacities. Os funcionários tinham que classificar em ordem de importância os 20 fatores de tomada de decisão levando em consideração quatro pilares cruciais: humano, saúde, dinheiro e trabalho. Na hora de decidir em qual cidade morar e trabalhar, os entrevistados classificaram os fatores humanos, como satisfação com a vida em geral, segurança, respeito ambiental e proximidade de amigos e família, como os mais importantes. O estudo também analisa o modo como algumas das cidades mundiais de mais rápido crescimento, desde Kolkata, na Índia, a Lagos, na Nigéria, se desenvolvem economicamente, atraem pessoas, permitem que novos habitantes tenham sucesso e oferecem a seus cidadãos uma oportunidade para uma vida melhor. A partir desses insights, os líderes municipais e legisladores de todo o mundo podem aprender lições valiosas não só sobre o que é necessário para manter como também para promover o desenvolvimento. De fato, em um mundo cada vez mais urbanizado, onde há escassez de talentos altamente qualificados, os empregadores e as cidades estão fazendo importantes perguntas existenciais: ·  O que faz os profissionais se mudarem e ficarem em uma cidade específica? ·  Como os empregadores e as cidades podem reter funcionários talentosos com o alto nível de qualificação exigido pelas empresas start-ups emergentes, pelas futuras gigantes e por marcas globais nos locais promissores? ·  O que, exatamente, os funcionários produtivos querem do empregador e de sua cidade? As respostas podem estar no modo bem-sucedido como as megacidades emergentes mundiais priorizam sua transformação, de uma ideia urbana secundária a um membro de potência mundial. Sendo assim, é importante analisar a comparação de uma amostragem de cidades que mostram alto potencial para ter sucesso e mantê-lo no longo prazo. O que elas têm em comum é o compromisso com a superioridade regional de oportunidade e recursos, de se estabelecerem, à sua maneira, como versões do Vale do Silício, onde os futuros talentos de maior qualificação podem prosperar, construindo vidas com propósito em meio à evolução da inteligência artificial e da tecnologia avançada. De "Cyberbad" a outras candidatas   Um exemplo clássico de megacidade emergente é Hyderabad, capital de Telegana, estado ao sul da Índia. Com oito milhões de habitantes, Hyderabad é a sexta aglomeração urbana mais populosa da Índia, conhecida popularmente como Cyberbad — o "Vale do Silício da Índia" — devido à sua crescente reputação como centro mundial de tecnologia da informação. (As megacidades são definidas como as que possuem 10 milhões de habitantes ou mais; as cidades abordadas neste artigo ou atingiram esta marca ou devem atingir.) Juntamente com a TI, no entanto, Hyderabad está vivenciando o desenvolvimento no setor automotivo e farmacêutico, bem como na sua base agrícola tradicional. Com alto investimento em infraestrutura digital e de propriedade, a cidade está se atualizando para receber empresas de TI, principalmente com o desenvolvimento de sua cidade HITEC, local com instalações de tecnologia de ponta de gigantes americanas de TI. O varejo também teve sucesso, com lojas de marcas nacionais e internacionais abrindo na cidade. Em comparação, a cidade de Chennai, um pouco maior (com 9 milhões de habitantes em 2017 e PIB de US$ 59 bilhões em 2014), é conhecida como a "Detroit da Índia" e lidera o setor automotivo do país; porém, o aumento nos serviços de software, turismo médico, serviços financeiros e fabricação de hardware (juntamente com produtos petroquímicos e têxteis) também contribui para sua amplitude econômica. Ela também é uma importante exportadora de serviços de terceirização de processos comerciais e de TI. Em uma escala econômica absoluta, as megacidades emergentes da China são impressionantes. Com um PIB de US$ 234 bilhões em 2014 e 14 milhões de habitantes em 2017, Chengdu ocupa o primeiro lugar em área metropolitana no oeste da China e prospera com setores emergentes, em particular no setor de preservação de energia e proteção ambiental, que a torna um destino atraente para profissionais qualificados. De fato, a ênfase em setores de "nova energia" (em materiais, automóveis elétricos e híbridos e TI) está impulsionando Chengdu. Enquanto isso, a segunda maior cidade ao leste da China, Nanquim (com PIB de US$ 203 bilhões em 2014 e sete milhões de habitantes em 2017), é dominada pelos setores de serviços, liderados por serviços financeiros, cultura e turismo. TI, proteção ambiental, nova energia e redes de energia inteligentes têm se tornado pilares adicionais de Nanquim, com um grande número de empresas multinacionais estabelecendo centros de pesquisa ali. O índice de desemprego de Nanquim tem ficado abaixo da média nacional do país por vários anos. Do Quênia a Jalisco   Enquanto a China e a Índia podem dominar a escala de economias emergentes, outras regiões geográficas se destacam no mapa das megacidades emergentes. Nairóbi não só é a capital e maior cidade do Quênia, como também está a caminho de um crescimento populacional de quatro milhões em 2017 para 10 milhões até 2030. Com mais de 100 organizações internacionais, entre elas o Programa Ambiental das Nações Unidas e o Banco Mundial, além de sede regional de grandes corporações de fabricação e TI, Nairóbi compartilha sua superioridade agrícola com um pé na economia de hoje e de amanhã. Da mesma forma, Guadalajara (com PIB de US$ 81 bilhões em 2014 e cinco milhões de habitantes em 2017) é maior do que a capital e a maior cidade do estado de Jalisco, no México. É conhecida como o "Vale do Silício Mexicano", segundo o Financial Times, e é considerada a cidade com maior potencial de atração de investimentos no México. É tipo um centro social/cultural, com um Festival de Cinema e uma Feira do Livro internacionais, que complementam o desenvolvimento do setor de alta tecnologia, de fabricação de eletrônicos e produtos químicos, tornando-a um ímã hemisférico que atrai talentos. Cada uma dessas cidades comprova o caso de talentos à sua própria maneira, criando um ambiente de funcionários altamente qualificados que têm sucesso em várias dimensões. Isso requer colocar as pessoas em primeiro lugar e concentrar-se no que mais importa para elas. O estudo da Mercer sobre Megacidades Emergentes mostra que os empregadores geralmente se equivocam sobre o que motiva as pessoas a se mudarem para uma cidade e permanecerem lá: os fatores humanos e sociais são mais importantes do que o dinheiro e o trabalho. Nas cidades emergentes, o modelo de Vale do Silício pode ser uma forte estratégia de inspiração, mas, em cada caso, a cidade deve se comprovar como um local para viver, hoje e no futuro. Publicado originalmente em BRINK News.

back_to_top