Carreira

Imagine que você foi encarregado de criar uma cidade totalmente nova a partir do zero. Um rio largo e sinuoso corta um planalto de terra árabe, e você é responsável pelo que vai acontecer. O que você faz primeiro? Desenha uma grade de ruas? Instala os serviços de emergência? Reserva terrenos para preservação e desenvolvimento? Pense bem, porque a sua próxima decisão pode determinar o destino dos habitantes da sua cidade pelas próximas gerações. Essencialmente, esta é a mesma decisão que os líderes locais da megacidades emergentes em todo o mundo enfrentam atualmente. Eles podem não estar começando do zero, mas as megacidades do futuro estão diante de um potencial para o crescimento dinâmico e a expansão semelhantes ao das cidades de crescimento rápido do passado. Qual deve ser a prioridade número um desses líderes ao se concentrarem nos desenvolvimentos futuros? As pessoas. De acordo com um relatório recente da Mercer intitulado "People First: Driving Growth in Emerging Megacities," devemos priorizar os seres humanos (e não os robôs) para obter vantagens competitivas. Devemos projetar a tecnologia com o foco nos seres humanos. Citando Pearly Siffel, Líder Internacional de Estratégia e Expansão Geográfica da Mercer: "No futuro, o trabalho envolverá não só o uso da tecnologia, mas também a interação com a tecnologia." 1. A tecnologia é descartável, as pessoas não   A desgastada máxima de que a IA transformará o futuro é mais verdadeira hoje do que nunca, mas desvirtua a maneira como o futuro será transformado. O que pode começar como uma corrida para adotar e alavancar a IA no local de trabalho acabará inevitavelmente em uma saturação de tecnologia: assim que uma empresa libera o potencial pleno da automação, é uma questão de tempo até que seus concorrentes repliquem o modelo. Quem ganha em um mundo onde a IA está presente em todos os escritórios? As organizações com os melhores talentos. As demandas dos consumidores e da força de trabalho inevitavelmente se adaptarão a um futuro movido a IA, e o verdadeiro diferencial será a conexão entre habilidades humanas e tecnologia. Um relatório recente do Fórum Econômico Mundial resume as 10 habilidades de que os seres humanos precisam para criar valor em um mundo cada vez mais automatizado, e é um grande lembrete de que o foco deve permanecer nas pessoas se quisermos construir alguma coisa que funcione no futuro do trabalho.1 Tamara McCleary, fundadora e CEO da Thulium, resumiu bem esta questão em uma conversa recente que tivemos: "Se estivermos distraídos com todo o glamour da promessa de um futuro sem atritos com a IA, certamente erraremos o alvo. Embora a tecnologia possa ser um acelerador econômico no futuro do trabalho, as pessoas ainda são os fatores principais para a produtividade sustentada." 2. Quando a IA estiver por toda parte, as pessoas ainda estarão em algum lugar   Todos conhecem as distopias futuristas apresentadas na literatura e nos filmes: megacidades tecnocêntricas e automatizadas atendidas por um exército de robôs onde as pessoas são desprezadas. Não é assim que eu vejo o futuro do trabalho. A proliferação da IA pode significar que alguns empregos serão automatizados, mas os trabalhadores deslocados ainda apresentarão potencial para as cidades, os empregadores e as economias. A McKinsey estima que a disrupção causada pela transformação digital, pela automação e pela IA forçará aproximadamente 14% da força de trabalho global (375 milhões de trabalhadores) a encontrar novas direções para suas carreiras.2 Contudo, à medida que a economia do futuro se torna menos nebulosa e a requalificação torna-se um fundamento de todo plano de carreira, acontecerá uma corrida maciça para encontrar talentos para preencher papéis recém-criados na força de trabalho. Essa nova economia é a causa de tanta procura pelas habilidades das pessoas no futuro do trabalho, segundo April Rudin, CEO e fundadora do The Rudin Group. "A IA será uma ferramenta para empoderar os seres humanos e não para substituí-los, capacitando as pessoas a investir tempo naquilo que fazem melhor: construir relacionamentos, exercitar a capacidade crítica, expressar empatia e usar sua capacidade de solução de problemas." As cidades que permanecerem focadas nas pessoas serão aquelas com talentos disponíveis, e elas é que alcançarão o sucesso. 3. Começar de novo ajuda bastante   Pense no investimento que as potências econômicas de hoje fizeram na sua infraestrutura comercial em nível mais amplo. Pense nos sistemas de transporte público, redes elétricas e de TI, desenvolvimento do setor privado e zoneamento público de bairros. Bilhões de libras, dólares, ienes, renminbi, rúpias, euros e outras moedas sendo gastos para preparar essas cidades para a economia de hoje. Qual será o retorno desses investimentos no futuro do trabalho? As megacidades emergentes de hoje estão "livres dos sistemas legados de suas irmãs maiores e mais estabelecidas", de acordo com a pesquisa People-First da Mercer. Embora possam ser necessários investimentos maciços para lançar os alicerces de uma economia focada no futuro, não existem os custos nem a necessidade de concessões envolvidos na reabilitação de uma cidade ultrapassada para o futuro movido pela tecnologia. Essas cidades podem concentrar tempo e recursos na construção de cidades atrativas e focadas em pessoas, onde os empregados vão desejar morar, trabalhar e criar famílias no futuro. "É difícil compreender a vantagem competitiva que um sistema moderno de transporte em massa oferece para uma cidade", diz Walter Jennings, CEO do Asia Insights Circle. "Quando começaram as reformas econômicas na China, Shenzen era uma aldeia de pescadores com 50.000 pessoas. Hoje, estima-se que sejam de 12 a 16 milhões de habitantes." O que vem a seguir?   Voltemos ao planejador de cidades. Você está analisando o seu terreno e está tentando visualizar a cidade do futuro ideal. Podemos não saber os nomes das ruas, mas temos uma ideia melhor dos princípios norteadores da sua metrópole prestes a florescer. Deixo você com as minhas três lições, apenas uma lente pela qual explorar as oportunidades que se apresentam com as pessoas, a tecnologia e as megacidades emergentes que impulsionarão o crescimento global. 1. Construa a sua cidade (ou empresa) com foco nas pessoas. 2. Não descarte ativos preciosos. Sempre haverá um lugar para o bom talento em bons lugares. 3. Busque aquilo que conduzirá você ao futuro, não o que conduziu outras pessoas no passado. 1Desjardins, Jeff, "The Skills Needed to Survive the Robot Invasion of the Workplace," Visual Capitalist, June 27, 2018, https://www.visualcapitalist.com/skills-needed-survive-robot-workplace/. 2Illanes, Pablo, Lund, Susan, Mourshed, Mona, Rutherford, Scott and Tyreman, Magnus, "Retraining and Reskilling Workers in the Age of Automation," McKinsey Global Institute, January 2018, https://www.mckinsey.com/featured-insights/future-of-work/retraining-and-reskilling-workers-in-the-age-of-automation  

Danielle Guzman | 16 mai 2019
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