Eduardo Marchiori

Eduardo Marchiori

CEO, Mercer Brasil

Eduardo entrou na Mercer em outubro de 2017 como CEO de operações da empresa no Brasil, mas seu histórico na Marsh & McLennan Companies (MMC) começou em 2012 na Mercer Marsh Benefits. Possui sólida experiência na distribuição de assistência social, benefícios e gestão de clientes multinacionais e investimentos.

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A automação está transformando o futuro do trabalho dos migrantes

A migração no mundo dos negócios evoluiu para uma troca mundial complexa de força humana e intelecto entre os países com diferentes culturas e necessidades de força de trabalho. Esse equilíbrio contínuo entre capital humano e necessidades econômicas continua causando impacto na geopolítica do mundo. No entanto, a transformação digital e a Quarta Revolução Industrial estão mudando bastante o papel e o valor das forças de trabalho migrantes. Dos músculos para as placas-mãe   As máquinas e os computadores são cada vez mais capazes de desempenhar trabalhos antes realizados por forças de trabalhos migrantes de baixa qualificação — com maior eficiência e menores custos também. Esse desenvolvimento mundial apresenta desafios inéditos para os trabalhadores migrantes, para os países e para a economia mundial uma vez que a automação e a tecnologia continuam substituindo o trabalho humano em diversos setores, tais como agricultura, automóveis e manufatura. O aumento em potencial no número de desempregados com perspectivas de salários menores mantém vários países preocupados com a ampla agitação econômica e caos político. Como será o mundo, exatamente, quando a automação da Quarta Revolução Industrial substituir as profissões de 258 milhões de migrantes internacionais que se sustentam viajando para locais que oferecem desemprego não qualificado? A promessa do desconhecido   Assim como nas revoluções industriais anteriores, a Quarta Revolução Industrial terá diferentes significados para diferentes pessoas. A transformação digital facilitou o acesso a praticamente qualquer informação via internet e ofereceu a populações inteiras (principalmente aos trabalhadores migrantes) novas oportunidades de obter educação e aprender novas habilidades, negócios e profissões. Os países que antes eram impedidos pela pobreza e isolamento econômico estão abraçando essas novas oportunidades. Por exemplo, a Índia, com 1,3 bilhão de habitantes, espera que seu mercado de transformação digital atinja US$ 710 bilhões até 2024.2 Para os trabalhadores migrantes, o aprendizado de novas habilidades e o desenvolvimento profissional são cruciais para manter o emprego. Vários países e governos já reconheceram a necessidade de oferecer aos cidadãos as habilidades e o conhecimento necessários para competir na era da automação, e isso começa com os trabalhadores tendo acesso a essas tecnologias para criar seu valor e negociabilidade em um mundo competitivo. No entanto, em países como Argentina, Brasil e Estados Unidos, as pessoas sentem fortemente que seus destinos dependem delas mesmas, e não dos governos, e sentem que têm a responsabilidade individual de lidar com as mudanças arrebatadoras da transformação digital.3 Para alguns, isso significa migrar para países e economias que oferecem perspectivas melhores do que as circunstâncias atuais. Um mundo de diferentes necessidades   Conforme visto durante a história, os trabalhadores migrantes são levados para regiões onde há disponibilidade de empregos adequados. Em um mundo definido pela automação e tecnologias computacionais, surge uma nova era de necessidades. Em países desenvolvidos, como Japão, Coreia do Sul, Espanha e Estados Unidos, as taxas de natalidade estão caindo em uma velocidade extraordinária.4 Um problema em particular que afeta a Coreia do Sul e o Japão é o envelhecimento da sociedade, onde o número de idosos está aumentando drasticamente enquanto as taxas de natalidade caem — a escassez de jovens capazes de cuidar da população mais velha e gerar impostos tão necessários por meio de empregos para fundos de aposentadoria para idosos já é uma realidade. O Japão e a Coreia do Sul estão utilizando robôs e automação para cuidar das necessidades físicas, psicológicas e emocionais dos idosos, mas essas tecnologias não são capazes de oferecer os recursos financeiros e serviços domésticos que essas nações precisam para continuar funcionando. O primeiro ministro japonês, Shinzo Abe, apresentou amplas reformas, chamadas geralmente de "Abenomia", que propõem afrouxar as antigas restrições culturais, colocando mais mulheres no mercado de trabalho em diferentes níveis de poder. Entretanto, o aspecto mais controverso da Abenomia é a intenção de abrir o Japão para os trabalhadores migrantes de modo a reduzir as deficiências internas de força de trabalho que exigem recursos exclusivamente humanos — uma medida que muitos cidadãos japoneses consideram ser uma ameaça à sua identidade cultural.5 Porém, sem trabalhadores jovens para estabilizar a economia, o Japão talvez não tenha escolha. A Quarta Revolução Industrial está mudando o jogo e diversos países precisarão de trabalhadores migrantes para preencher as lacunas entre os papéis em evolução do homem e máquina. Por muitos séculos, os migrantes trabalharam duro para satisfazer suas necessidades pessoais que, por sua vez, também satisfazem as necessidades dos países empregadores que exigem sua mão de obra. Nesse cenário econômico moderno, a automação e a tecnologia forçam as mudanças nas funções de trabalho, mas a necessidade de capital humano permanece. Fontes: 1. "International Migration Report," United Nations, 2017, https://www.un.org/en/development/desa/population/migration/publications/migrationreport/docs/MigrationReport2017_Highlights.pdf。/ 2."India Digital Transformation Market to Reach $710 Billion by 2024: P&S Intelligence", Prescient & Strategic Intelligence, 5 de março de 2019. https://www.globenewswire.com/news-release/2019/03/05/1747720/0/en/India-Digital-Transformation-Market-to-Reach-710-Billion-by-2024-P-S-Intelligence.html。 3. Wike, Richard and Stokes, Bruce, "In Advanced and Emerging Economies Alike, Worries About Job Automation," Pew Research Center, September 13, 2018, https://www.pewglobal.org/2018/09/13/in-advanced-and-emerging-economies-alike-worries-about-job-automation/。 4. Kotecki, Peter, "10 Countries at Risk of Becoming Demographic Time Bombs," Business Insider, August 8, 2018, https://www.businessinsider.com/10-countries-at-risk-of-becoming-demographic-time-bombs-2018-8。 5. Yoshida, Reiji, "Success of 'Abenomics' hinges on immigration policy," https://www.japantimes.co.jp/news/2014/05/18/national/success-abenomics-hinges-immigration-policy/#.XJr1GK2ZOgR。

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