John Benfield

John Benfield

Sócio, Líder de Investimentos, Mercer Oriente Médio

John é o líder de negócios em Mercado de Investimentos para o Oriente Médio, África, Índia e Turquia. Ele tem mais de trinta anos de experiência trabalhando no setor de investimentos e, nos últimos dez anos, vem atuando no aconselhamento de clientes, cobrindo todos os aspectos da estratégia de investimentos.

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A hora é agora: por que investir com responsabilidade no Conselho de Cooperação do Golfo

Os tempos estão mudando. O mundo está rumando para o investimento ético e sustentável no longo prazo. Os governos que se preparam para o futuro estão cada vez mais enfatizando o papel dos mercados financeiros no incentivo ao desenvolvimento sustentável. A demanda dos investidores por soluções de investimento responsáveis (IR) cresceu significativamente, como podemos observar pelo crescimento dos ativos alocados a investimentos relacionados a IR. Junto com a transição para o monitoramento de índices de ações de baixo custos, isso tem causado um aumento no número de índices de IR disponíveis atualmente. Nossa expectativa é de que os índices de IR tornem-se um importante passo inicial para a integração de critérios ambientais, sociais e de governança corporativa para muitos investidores com passivos ou investimentos baseados nesses fatores. Na Mercer, definimos Investimento Responsável como a integração de fatores ambientais, sociais e de governança corporativa aos processos de gestão de investimentos e práticas relacionadas à propriedade, acreditando que estes fatores podem ter um impacto relevante sobre o desempenho financeiro. Entretanto, na região do CCG, com os esforços para diversificar a economia, os governos estão acumulando conhecimentos sobre a importância do investimento responsável. O CCG soma quatro dos seis Fundos Soberanos que fundaram o Grupo de Trabalho do One Planet Sovereign Wealth Fund em dezembro de 2017, por ocasião da Cúpula One Planet em Paris. Dentro dos próprios Emirados Árabes Unidos, numerosas iniciativas (como a Economia Verde para o Desenvolvimento Sustentável e a Agenda Verde) estão impulsionando o país para o futuro do investimento responsável. Em conformidade com a estratégia de diversificação, essas iniciativas apoiam o plano Vision 2030, em alinhamento com as ambições de crescimento econômico e os alvos de sustentabilidade ambiental da nação. Abu Dhabi está contribuindo muito para a causa com vários desenvolvimentos, como a Cidade de Masdar, um projeto de energia verde de muitos bilhões de dólares.1 Enquanto isso, Dubai estabeleceu um parque energético e ambiental chamado Enpark, uma Zona Franca para empresas de energia limpa e tecnologia ambiental.2 À medida que os motivos comerciais para investir com responsabilidade se fortalecem na região do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), existe uma demanda crescente para integrar fatores ambientais, sociais e de governança ou temas relacionados à sustentabilidade nas decisões e processos de investimento. As instituições estão considerando os benefícios do investimento responsável, não apenas para os seus investimentos como também para sua reputação e os resultados obtidos. O investimento sustentável oferece oportunidades atraentes para explorar o potencial de crescimento de empresas que oferecem soluções para vários desafios, de escassez de recursos, mudanças demográficas e mudanças na evolução das respostas às políticas públicas e a uma diversidade de questões ambientais e sociais. Pesquisas e evidências do setor têm demonstrado os benefícios da integração dos fatores ESG ao desempenho das empresas no longo prazo. Por exemplo, o Deutsche Bank analisou mais de 100 estudos acadêmicos em 2012 e concluiu que as empresas com maiores classificações ESG apresentavam um custo de capital menor em termos de dívida e capital próprio. Outro estudo realizado em 2015 por Hsu (professor na Universidade Nacional Taichung de Ciência e Tecnologia) e Cheng (Professor da Universidade Nacional Chung Sing), ambos de Taiwan, descobriu que empresas socialmente responsáveis apresentam melhor desempenho em termos de classificação de crédito e oferecem menor risco de crédito.3 Com empresas operando contrariamente à definição de interesse público quanto a questões ambientais e sociais, a incorporação dos fatores ESG agora também é reconhecida como uma prática recomendada. Cada vez mais, os empregados querem trabalhar e investir em empresas que apresentem um impacto ambiental positivo. Iniciativas e organismos globais, como o CFA Institute, têm ressaltado os riscos para as finanças e a reputação de não levar em consideração os fatores ESG. Embora o CCG esteja começando a compreender os benefícios da aplicação de fatores ESG, a região não avançou muito nesse conceito. Investimentos em conformidade com a Sharia têm estado disponíveis nas últimas duas décadas. Ambos os modelos aplicam a abordagem da triagem negativa e buscam investimentos que ofereçam retorno sustentável. Com a combinação entre fatores ESG e triagem Sharia, os investidores islâmicos podem melhorar o desempenho dos investimentos e cumprir as metas sociais e ambientais ao mesmo tempo. Com o foco atual dos EAU na diversificação do seus investimentos, o país pode se beneficiar muito da criação de um mercado e uma cultura de investimento responsável, em que a estratégia e os processos andem lado a lado como passos importantes para uma integração bem-sucedida. Ao buscar o crescimento sustentável, uma camada adicional de conhecimento e fiscalização é muito importante para mitigar riscos emergentes, como a mudança climática. Com esse propósito, implementar avaliações ambientais, sociais e de governança corporativa (ESG) ajudará a definir KPIs claros e identificar onde e como os projetos vão gerar valor e mitigar os riscos associados a eles. Por exemplo, a Mercer aplica um Modelo de Investimento para o Crescimento Sustentável com os seus clientes, que distingue as implicações financeiras (riscos) associadas aos fatores ambientais, sociais e de governança corporativa e as oportunidades de crescimento nos setores mais diretamente afetados por questões sustentáveis. Medir o impacto e mitigar riscos tornou-se cada vez mais importante e representa um forte processo de governança dos investimentos. Os benefícios de adotar os fatores ESG são inúmeros. Embora o CCG tenha iniciado a implementação de princípios ESG, ainda é necessário mais trabalho para assegurar que os governos estejam plenamente engajados com os stakeholders, incluindo os investidores, e que as estratégias estejam alinhadas em toda a região. As pressões regulatórias para cumprir padrões globais de integração de fatores ESG tendem apenas a aumentar nos próximos anos. Em lugar de fugir delas, é tempo de as empresas, os investidores e os governos se reunirem e definirem um modo de trabalho que traga avanços ao CCG em termos de investimento responsável e crescimento sustentável. Fontes: 1Carvalho, Stanley, "Abu Dhabi To Invest $15 Billion in Green Energy," Reuters, January 21, 2008, https://www.reuters.com/article/environment-emirates-energy-green-dc/abu-dhabi-to-invest-15-billion-in-green-energy-idUSL2131306920080121 2Energy and Environment Park:Setup Your Company In Enpark, UAE Freezone Setup, https://www.uaefreezonesetup.com/enpark-freezone 3Chen, Yu-Cheng and Hsu, Feng Jui, "Is a Firm's Financial Risk Associated With Corporate Social Responsibility?"Emerald City, 2015, https://www.emeraldinsight.com/doi/abs/10.1108/MD-02-2015-0047

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