Saúde

O Que é Economia Comportamental?  A teoria da economia comportamental diverge da teoria econômica tradicional ao afirmar que os indivíduos nem sempre atuam por interesse próprio - isto é, nem sempre nos envolvemos em comportamentos que nos ajudam a maximizar os benefícios e minimizar os custos. Podemos ser dependentes da primeira informação que nos é apresentada. Assim, em muitas ocasiões somos indevidamente influenciados por quem nos fornece as informações e tendemos a fazer o que aqueles que nos rodeiam fazem – um viés que pode nos impedir de tomar boas decisões.  Como a Economia Comportamental Pode ser Aplicada às Intervenções de Saúde?     Simplificando, nossos comportamentos influenciam nossa saúde. As doenças não transmissíveis, que incluem doenças cardiovasculares, certos tipos de câncer, distúrbios respiratórios crônicos e diabetes, representam 70% das mortes em todo o mundo. Essas doenças são em grande parte o resultado de escolhas de estilo de vida: a Organização Mundial de Saúde atribui quase todas as mortes prematuras ao tabagismo, à dieta não saudável, à falta de atividade física e ao consumo nocivo do álcool. Tomar melhores decisões pessoais poderia ajudar a reverter essa tendência negativa, potencialmente impedindo milhões de mortes prematuras por década. 2 Como podemos incentivar as pessoas a fazerem melhores escolhas de estilo de vida? De acordo com Sophia Van, Diretora de Tecnologia da Mercer Marsh Benefícios, aplicar a economia comportamental e a gamificação pode ajudar a tornar as pessoas a se “engajarem” em comportamentos saudáveis, causando um impacto positivo na saúde e reduzindo os riscos de mortalidade. Como apenas um exemplo, o movimento “auto quantificado” – usando a tecnologia wearable (vestível) para monitorar os alimentos que comemos e a quantidade de exercícios que fazemos a cada dia – está promovendo um estilo de vida mais saudável, incentivando as pessoas a rastrear, e assim mudar, seus comportamentos.  Incentivando os Empregados a Fazerem Escolhas Mais Saudáveis  A maior seguradora da África do Sul, a Discovery, em parceria com o Vitality Group, foi pioneira em um programa de seguro de bem estar que aproveita o poder da economia comportamental para engajar empregados e motivá-los a tomar melhores decisões de saúde.  A Discovery foi uma das primeiras a incorporar fatores de estilo de vida em seu modelo de subscrição de seguros de vida e saúde. O programa demonstra que proporcionar incentivos aos seus membros ajuda a criar mudanças sustentáveis. Oferecer descontos entre 10% e 25% para a compra de frutas, vegetais e outros alimentos saudáveis incentivou os membros a comerem de maneira mais saudável. Recompensar aqueles que completaram um teste da “Vitality Age” (Era da Vitalidade) - uma pesquisa desenhada para avaliar a saúde em geral - com ingressos de filmes ajudou a aumentar o engajamento dos membros com a sua saúde. 3 A Discovery acompanhou os resultados de engajamento durante um período de cinco anos, sendo que uma das categorias era exercício. Inicialmente, cerca de 50% das pessoas no programa eram inativas; no final do período de cinco anos, essa porcentagem caiu para 30%. Isso reduziu os custos hospitalares em 6% por membro para aqueles que começaram a se exercitar.  Ao contrário de outros modelos de negócios construídos exclusivamente com base em wearables (vestíveis), o modelo da Discovery provou ser sustentável por ser baseado em uma plataforma inovadora de engajamento do consumidor que oferece incentivos e recompensas aos seus membros.  Aplicando os Princípios da Economia Comportamental para a Seleção de Benefícios  Cada vez mais empregadores estão fornecendo opções de benefícios flexíveis, permitindo que os empregados selecionem produtos de benefícios que vão desde seguro médico e assistência odontológica/oftalmológica a produtos de estilo de vida (como adesão a academia de ginástica) para atender às suas necessidades. Os empregadores adquirem um número fixo de créditos flexíveis para cada empregado, e os empregados têm a opção de adquirir créditos adicionais para produtos premium.  Quando aplicamos os princípios da economia comportamental para melhor compreender os comportamentos dos indivíduos que compram benefícios flexíveis online, achamos três barreiras que proibem os indivíduos de tomar melhores decisões de benefícios:  1. Baixa motivação  As pessoas acessam o shopping de benefícios online apenas uma ou duas vezes por ano para fazer suas seleções de benefícios. Elas podem não apreciar plenamente o valor de seus benefícios e podem não estar dispostas a gastar tempo e esforço para fazer suas seleções.  Os benefícios adquiridos pelo empregador muitas vezes não são utilizados. Não importa quão bem desenhado seja o programa de benefícios flexíveis, se o programa não estiver sendo utilizado, ele não pode ajudar as pessoas a alcançarem suas metas de saúde desejadas.  2. Dificuldade em tomar decisões  Quando deparados com informações demais, os indivíduos podem “congelar” e não tomar nenhuma decisão. Se os empregados não conseguem entender facilmente como os produtos de benefícios oferecidos se relacionam com eles pessoalmente, eles podem não utilizá-los totalmente.  As pessoas procuram por “prova social”, como avaliações do produto, para o que comprar ou qual serviço utilizar. Sem saber como seus pares em um estágio de vida similar escolhem seus benefícios, as pessoas podem reverter ao padrão “sem decisão”.  3. Percepções sobre o preço  Os indivíduos muitas vezes não compreendem totalmente o verdadeiro valor dos produtos e são atraídos por descontos e produtos gratuitos. Se não vêem descontos ou “brindes” associados aos produtos de benefícios oferecidos, podem escolher outros produtos ou procurar suas necessidades de benefícios em outros lugares.  Para superar esses desafios, as organizações podem usar estratégias ancoradas por princípios da economia comportamental para melhorar a seleção de benefícios para os empregados:  Promovendo um Ambiente de Trabalho Saudável  Colocar os princípios da economia comportamental em ação pode ajudar os empregadores de mercados em crescimento a superar os obstáculos que impedem seus empregados de adotarem comportamentos mais saudáveis. Esses esforços podem moldar a forma como os empregados interagem com seus benefícios para melhor, ajudando as organizações e suas pessoas a criarem mudança sustentável de comportamento e alcançarem suas metas de gestão de saúde.    1 World Health Organization, “The Top 10 Causes of Death,” January 2017, available at http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs310/en/ 2 World Health Organization, Global Action Plan for the Prevention and Control of Noncommunicable Diseases 2013–2020, available at http://apps.who.int/iris/ bitstream/10665/94384/1/9789241506236_eng.pdf 3 Ralph L. Kenney, “Personal Decisions Are the Leading Cause of Death,” Operations Research 56.5, November–December 2008, available at  https://orsagouge.pbworks.com/f/keeney.pdf 4 “How Discovery Keeps Innovating,” available at http://healthcare.mckinsey.com/how-discovery-keeps-innovating 5 Discovery Vitality, 2014 Vitality Journal: Improving Health and Reducing the Cost of Health Care Through Lifestyle Interventions. 6 The Digital Insurer, “In View: Discovery Health Vitality Wellness Program,” available at https://www.the-digital-insurer.com/dia/discovery-health-vitality- wellness-program/ 7 Piyanka Jain, “Five Behavioral Economics Principles Marketers Can’t Afford to Ignore,” Forbes, March 1, 2013.

Meiqun Hu | 12 jul 2017
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O Que é Economia Comportamental?  A teoria da economia comportamental diverge da teoria econômica tradicional ao afirmar que os indivíduos nem sempre atuam por interesse próprio - isto é, nem sempre nos envolvemos em comportamentos que nos ajudam a maximizar os benefícios e minimizar os custos. Podemos ser dependentes da primeira informação que nos é apresentada. Assim, em muitas ocasiões somos indevidamente influenciados por quem nos fornece as informações e tendemos a fazer o que aqueles que nos rodeiam fazem – um viés que pode nos impedir de tomar boas decisões.  Como a Economia Comportamental Pode ser Aplicada às Intervenções de Saúde?     Simplificando, nossos comportamentos influenciam nossa saúde. As doenças não transmissíveis, que incluem doenças cardiovasculares, certos tipos de câncer, distúrbios respiratórios crônicos e diabetes, representam 70% das mortes em todo o mundo. Essas doenças são em grande parte o resultado de escolhas de estilo de vida: a Organização Mundial de Saúde atribui quase todas as mortes prematuras ao tabagismo, à dieta não saudável, à falta de atividade física e ao consumo nocivo do álcool. Tomar melhores decisões pessoais poderia ajudar a reverter essa tendência negativa, potencialmente impedindo milhões de mortes prematuras por década. 2 Como podemos incentivar as pessoas a fazerem melhores escolhas de estilo de vida? De acordo com Sophia Van, Diretora de Tecnologia da Mercer Marsh Benefícios, aplicar a economia comportamental e a gamificação pode ajudar a tornar as pessoas a se “engajarem” em comportamentos saudáveis, causando um impacto positivo na saúde e reduzindo os riscos de mortalidade. Como apenas um exemplo, o movimento “auto quantificado” – usando a tecnologia wearable (vestível) para monitorar os alimentos que comemos e a quantidade de exercícios que fazemos a cada dia – está promovendo um estilo de vida mais saudável, incentivando as pessoas a rastrear, e assim mudar, seus comportamentos.  Incentivando os Empregados a Fazerem Escolhas Mais Saudáveis  A maior seguradora da África do Sul, a Discovery, em parceria com o Vitality Group, foi pioneira em um programa de seguro de bem estar que aproveita o poder da economia comportamental para engajar empregados e motivá-los a tomar melhores decisões de saúde.  A Discovery foi uma das primeiras a incorporar fatores de estilo de vida em seu modelo de subscrição de seguros de vida e saúde. O programa demonstra que proporcionar incentivos aos seus membros ajuda a criar mudanças sustentáveis. Oferecer descontos entre 10% e 25% para a compra de frutas, vegetais e outros alimentos saudáveis incentivou os membros a comerem de maneira mais saudável. Recompensar aqueles que completaram um teste da “Vitality Age” (Era da Vitalidade) - uma pesquisa desenhada para avaliar a saúde em geral - com ingressos de filmes ajudou a aumentar o engajamento dos membros com a sua saúde. 3 A Discovery acompanhou os resultados de engajamento durante um período de cinco anos, sendo que uma das categorias era exercício. Inicialmente, cerca de 50% das pessoas no programa eram inativas; no final do período de cinco anos, essa porcentagem caiu para 30%. Isso reduziu os custos hospitalares em 6% por membro para aqueles que começaram a se exercitar.  Ao contrário de outros modelos de negócios construídos exclusivamente com base em wearables (vestíveis), o modelo da Discovery provou ser sustentável por ser baseado em uma plataforma inovadora de engajamento do consumidor que oferece incentivos e recompensas aos seus membros.  Aplicando os Princípios da Economia Comportamental para a Seleção de Benefícios  Cada vez mais empregadores estão fornecendo opções de benefícios flexíveis, permitindo que os empregados selecionem produtos de benefícios que vão desde seguro médico e assistência odontológica/oftalmológica a produtos de estilo de vida (como adesão a academia de ginástica) para atender às suas necessidades. Os empregadores adquirem um número fixo de créditos flexíveis para cada empregado, e os empregados têm a opção de adquirir créditos adicionais para produtos premium.  Quando aplicamos os princípios da economia comportamental para melhor compreender os comportamentos dos indivíduos que compram benefícios flexíveis online, achamos três barreiras que proibem os indivíduos de tomar melhores decisões de benefícios:  1. Baixa motivação  As pessoas acessam o shopping de benefícios online apenas uma ou duas vezes por ano para fazer suas seleções de benefícios. Elas podem não apreciar plenamente o valor de seus benefícios e podem não estar dispostas a gastar tempo e esforço para fazer suas seleções.  Os benefícios adquiridos pelo empregador muitas vezes não são utilizados. Não importa quão bem desenhado seja o programa de benefícios flexíveis, se o programa não estiver sendo utilizado, ele não pode ajudar as pessoas a alcançarem suas metas de saúde desejadas.  2. Dificuldade em tomar decisões  Quando deparados com informações demais, os indivíduos podem “congelar” e não tomar nenhuma decisão. Se os empregados não conseguem entender facilmente como os produtos de benefícios oferecidos se relacionam com eles pessoalmente, eles podem não utilizá-los totalmente.  As pessoas procuram por “prova social”, como avaliações do produto, para o que comprar ou qual serviço utilizar. Sem saber como seus pares em um estágio de vida similar escolhem seus benefícios, as pessoas podem reverter ao padrão “sem decisão”.  3. Percepções sobre o preço  Os indivíduos muitas vezes não compreendem totalmente o verdadeiro valor dos produtos e são atraídos por descontos e produtos gratuitos. Se não vêem descontos ou “brindes” associados aos produtos de benefícios oferecidos, podem escolher outros produtos ou procurar suas necessidades de benefícios em outros lugares.  Para superar esses desafios, as organizações podem usar estratégias ancoradas por princípios da economia comportamental para melhorar a seleção de benefícios para os empregados:  Promovendo um Ambiente de Trabalho Saudável  Colocar os princípios da economia comportamental em ação pode ajudar os empregadores de mercados em crescimento a superar os obstáculos que impedem seus empregados de adotarem comportamentos mais saudáveis. Esses esforços podem moldar a forma como os empregados interagem com seus benefícios para melhor, ajudando as organizações e suas pessoas a criarem mudança sustentável de comportamento e alcançarem suas metas de gestão de saúde.    1 World Health Organization, “The Top 10 Causes of Death,” January 2017, available at http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs310/en/ 2 World Health Organization, Global Action Plan for the Prevention and Control of Noncommunicable Diseases 2013–2020, available at http://apps.who.int/iris/ bitstream/10665/94384/1/9789241506236_eng.pdf 3 Ralph L. Kenney, “Personal Decisions Are the Leading Cause of Death,” Operations Research 56.5, November–December 2008, available at  https://orsagouge.pbworks.com/f/keeney.pdf 4 “How Discovery Keeps Innovating,” available at http://healthcare.mckinsey.com/how-discovery-keeps-innovating 5 Discovery Vitality, 2014 Vitality Journal: Improving Health and Reducing the Cost of Health Care Through Lifestyle Interventions. 6 The Digital Insurer, “In View: Discovery Health Vitality Wellness Program,” available at https://www.the-digital-insurer.com/dia/discovery-health-vitality- wellness-program/ 7 Piyanka Jain, “Five Behavioral Economics Principles Marketers Can’t Afford to Ignore,” Forbes, March 1, 2013.

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