Previdência

A aposentadoria compulsória é uma ideia obsoleta. Pertence ao passado, ao lado das videolocadoras, da internet discada e aqueles mapas desajeitados que, uma vez abertos, nunca podiam ser dobrados corretamente. Os tempos são outros, e os locais de trabalho precisam se adaptar a gerações que vivem mais, e de forma mais inteligente e produtiva. Obrigar homens e mulheres a se aposentar em determinada idade não é apenas injusto, mas também mostra denota falta de visão. Hoje, as pessoas têm muito mais a oferecer às empresas em termos sociais e pessoais, mesmo bem além dos 65 anos. Envelhecer não é mais o que costumava ser   Muitas culturas e diretrizes de emprego nos locais de trabalho não acompanharam a evolução da tecnologia, da automação e do progresso no desenvolvimento humano. As pessoas vivem e envelhecem de forma muito diferente hoje do que há poucos anos. Para efeitos de perspectiva histórica, analise as seguintes estatísticas de expectativa de vida em 1965 nos países abaixo: Esses números são surpreendentes. Em apenas 51 anos, a raça humana apresentou um aumento radical em sua expectativa de vida coletiva, e isso está transformando tudo em torno do que significa ser uma pessoa — incluindo a forma como trabalhamos, criamos nossos filhos e determinamos o que, exatamente, um emprego significa e como afeta nossas vidas. Os funcionários de 65 anos de idade ou mais podem esperar um futuro brilhante, à medida que a tecnologia e automação continuam a acomodar as necessidades, competências e talentos de funcionários que estão envelhecendo.  A automação em uma era de forças de trabalho cada vez mais velhas   Durante décadas, os funcionários tradicionais seguem horários de trabalho regulamentados, que os obrigam a chegar de manhã e sair no final do dia, ou mesmo à noite. Mais tarde, quando um funcionário chega aos 65 anos (ou a idade de aposentadoria em seus respectivos países), esse esquema termina de repente, e eles são forçados a viver como aposentados — com base na lógica de que pessoas após uma certa idade não podem mais funcionar no auge de sua capacidade. Além disso, ninguém está disposto a passar os últimos anos de sua vida trabalhando. As coisas mudaram. Para muitos profissionais, o trabalho já não é apenas um emprego, mas uma forma de se conectar aos demais, demonstrar seu valor para a sociedade, manter a acuidade mental e intelectual e continuar crescendo e participando. Felizmente, a automação está rompendo a dinâmica da aposentadoria. As avançadas tecnologias e softwares de gestão de capital humano estão permitindo às empresas contratar trabalhadores aposentados e oferecer-lhes novas formas de remuneração e horários de trabalho, mais compatíveis com seu estilo de vida. Muitas empresas estão capitalizando o valor de trabalhadores mais velhos empregando-os em uma condição mais limitada, como mentores, professores e servindo como exemplo para funcionários mais jovens. Em vez de serem obrigados a se aposentar contra a vontade, os trabalhadores mais velhos podem participar de forças de trabalho mais flexíveis, compostas de trabalhadores semiaposentados. Os empregadores também se beneficiam da situação, porque não são mais confrontados com uma escolha entre manter um funcionário mais velho em horário integral ou perdê-lo por completo para a aposentadoria. Isso permite que empregadores mantenham acesso ao incrível valor e conhecimento institucional que só um trabalhador mais velho pode oferecer e, ao mesmo tempo, que trabalhadores mais velhos permaneçam envolvidos com seus colegas e responsabilidades profissionais.  Concluindo: a automação e o futuro do trabalho   Uma carreira é um investimento para a vida inteira. Por tempo demais, políticas obsoletas dos locais de trabalho privaram injustamente trabalhadores dedicados das alegrias e recompensas derivadas de seus meios de subsistência. A automação não apenas está ajudando a manter os trabalhadores mais velhos conectados à sua carreira, mas também abrindo novas oportunidades para trabalhadores mais velhos prepararem os trabalhadores mais jovens para a mudança. Se a expectativa de vida dos seres humanos pode evoluir de forma tão significativa em 51 anos — menos que a duração de uma vida para a maioria das pessoas —, aqueles que testemunharam a mudança e fizeram parte dessa época contam com uma experiência e sabedoria inestimáveis que são adquiridas com a idade. A automação continuará a transformar a maneira como os seres humanos trabalham, mas nunca tornará o conhecimento, o talento e a experiência irrelevantes. Embora o futuro do trabalho possa testemunhar menos tarefas repetitivas e habilidades de baixo nível, sempre irá requerer a perspectiva, os insights e a orientação daqueles que vieram antes. No futuro, fazer 65 anos será motivo para uma pessoa celebrar sua carreira, não para se despedir dela. 

Neil Narale | 16 out 2018
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Bolinhos chineses caseiras, meias para os netos tricotadas com amor e uma empresa de marketing com uma única funcionária, especializada em contar histórias com IA para grandes marcas globais. Não se fazem mais avós como antigamente.  Muitos países já vêm testemunhando um aumento contínuo na média de idade de suas forças de trabalho, e essa tendência deve continuar na próxima década. As defasagens nas poupanças para a aposentadoria (diferença entre o custo de vida na aposentadoria e o dinheiro poupado para a aposentadoria) estão aumentando dramaticamente no mundo inteiro, devido à maior expectativa de vida e a programas inadequados de poupança para a aposentadoria. Uma análise desse fenômeno mostra que, em 2015, essa defasagem era da ordem de US$ 70 trilhões em âmbito global, enquanto para 2050 as projeções são de que venha a atingir US$ 400 trilhões. Essas amplas defasagens constituem uma poderosa motivação por trás do movimento de trabalhadores mais velhos que retornam ou permanecem na força de trabalho. Embora não faltem estatísticas bem documentadas sobre pessoas vivendo mais e com mais saúde — a defasagem da aposentadoria é real — a evolução do relacionamento das pessoas com o trabalho à medida que envelhecem — melhor dizendo, com a vida, não só com o trabalho — é geralmente ignorada.    Uma Nova Era de Relevância  A imagem de um trabalhador envelhecido soprando velinhas em uma reunião amena na sala de conferências, lendo recados emocionados em cartões de “Parabéns pela aposentadoria!”, ficou no passado. Poupem os seus aplausos. Esqueçam o bolo. Talvez não haja nenhum discurso. Cada vez mais os trabalhadores mais velhos estão dispensando essas cerimônias projetadas para marcar sua passagem para os “anos dourados”. Os idosos estão forjando seu próprio futuro e desfazendo um dos clichês mais danosos da vida de uma pessoa: o de que envelhecer é um processo de perda de relevância.  As pessoas que estão envelhecendo nos dias de hoje não pensam mais assim. Embora as razões financeiras constituam a motivação mais comum, trabalhadores mais velhos também costumam mencionar razões não financeiras para sua permanência na força de trabalho, inclusive o desejo de permanecerem ativos e saudáveis e o fato de se orgulharem de seu trabalho, cultivando um sentimento de autorrealização.2 Quase 60% dos trabalhadores com idades acima de 45 anos estão investindo em novas habilidades profissionais, com a maioria deles experimentando positividade e entusiasmo com relação a seus empregos.3 A ideia da aposentadoria lhes é indiferente e até mesmo ofensiva. E o que isso representa para alguém que comemora a aposentadoria porque passou os últimos 45 anos de sua vida fazendo algo que preferiria não fazer? Com certeza, pouca gente gosta de acordar cedo e se arrastar para o trabalho numa manhã de segunda-feira, mas esse pequeno ato de autodeterminação conecta essas pessoas a milhões de outros trabalhadores que compartilham a mesma experiência. Essa conexão lhes proporciona relevância, dignidade e um senso de propósito. As pessoas mais velhas sabem que sair para trabalhar é uma bênção, não uma maldição. E os trabalhadores que se aproximam da idade de se aposentar estão descobrindo que hoje, mais do que nunca, um emprego — e a relevância que ele traz — é algo que pode ser personalizado para adaptar-se ao seu modo de vida.    Inspiração Não Tem Idade  A inspiração não é exclusiva da juventude. O americano Charles Flint fundou a IBM com 61 anos de idade. Cézanne, o pintor pós-impressionista francês, criou suas obras mais valiosas com quase 70 anos. Após descobrir que uma aposentadoria precoce não servia para ele, o empresário de tecnologia Bob Parsons abriu sua empresa de registro de domínios de internet e hospedagem de sites, a GoDaddy, com 47 anos. O sonho de causar um impacto profundo no mundo acalentado por jovens empresários é compartilhado pelos empresários mais velhos, que são motivados pela mesma ambição. O desejo de fazer a diferença, de ser respeitado, de ser relevante, faz parte da natureza humana. Agora, mais do que nunca, com os avanços da tecnologia que conectam pessoas e oportunidades, os funcionários que estão envelhecendo são expostos a opções de carreira que não existiam vinte, dez ou cinco anos atrás. A tecnologia está sempre mudando, e as pessoas mais velhas — ao contrário do que se costuma acreditar — estão mais bem equipadas para enfrentar mudanças, porque já viram tudo, já passaram por isso.  São poucos os empresários mais famosos do mundo que alcançaram o sucesso sem precisarem lutar e enfrentar desafios. Steve Jobs foi demitido de sua própria empresa. Jack Ma, cofundador do Alibaba, foi recusado por 30 empregos aos quais se candidatou — entre eles um cargo na Kentucky Fried Chicken, empresa criada quando seu fundador, Harland David Sanders, tinha 65 anos de idade! A inspiração trilha diversos caminhos e assume diversas formas — desde um pensamento fugaz debaixo do chuveiro ao resultado de décadas de trabalho duro em determinado setor. Independentemente dos meios ou das circunstâncias, e apesar dos pressupostos culturais, a inspiração jamais foi determinada pela idade. O motivo pelo qual pessoas mais velhas nem sempre agem com base em seus momentos de inspiração é que a sociedade não espera tanto deles, ou talvez espere algo diferente. Mas os tempos estão mudando.    Os Elementos Essenciais do Empreendedorismo  O empreendedorismo requer três atributos essenciais: confiança, capacidade e perspectiva. E os trabalhadores mais velhos têm todos os três em grande abundância. Os mais jovens podem demonstrar confiança, mas sua pujança está geralmente fundamentada em uma exuberância otimista — e provavelmente em um certo grau de ingenuidade — proveniente, provavelmente, do fato de ignorarem que o infortúnio está sempre nos rondando. (A sorte é mais arbitrária do que as pessoas gostam de admitir.) As pessoas mais velhas oferecem uma confiança baseada na experiência e conhecimento acumulados ao longo do tempo. Uma confiança real. Do tipo advindo do fato de terem aproveitado o que há de melhor e sobrevivido ao que há de pior. Os trabalhadores que estão envelhecendo possuem competências reais, e podem comprová-lo como um reflexo de suas longas carreiras, que lhes ensinaram habilidades, formas de pensar e talentos que só podem ser adquiridos por meio da experiência. Pessoas que acreditam que os mais velhos não têm capacidade de aprender novas tecnologias estão praticando preconceito de idade — o que não apenas constitui uma perspectiva míope, mas é também contra a lei em diversos países.  Para terminar, o empreendedorismo requer uma perspectiva ousada: correr o risco, fechar os olhos e deixar-se levar. O senso comum dominante afirma que as pessoas mais jovens, especialmente na casa dos 20 anos, são naturalmente propensas ao risco porque têm mais tempo à sua disposição e menos responsabilidades; se um empreendimento falhar, podem se recuperar. Mas nada predispõe tanto a alma humana ao risco quanto a noção de que a mortalidade é real, e está nos rondando. Os trabalhadores que estão envelhecendo estão cada vez mais dispostos a assumir o controle de seus próprios destinos. Após a grande recessão de 2008, inúmeros trabalhadores mais velhos abriram seus notebooks, criaram sites e abriram seus próprios negócios, empresas de consultoria e organizações. É apenas uma questão de tempo até que o próximo trabalhador mais velho tenha uma inspiração e transforme o mundo de uma forma sem precedentes. Gente mais velha tem consciência de que nesta vida tudo pode acontecer. Se você duvida, pergunte ao Jack Ma, que hoje, aos 53 anos de idade, poderia estar vendendo galinha frita em sua cidade natal, mas, em vez disso, é cofundador e presidente executivo do Grupo Alibaba, um conglomerado de tecnologia multinacional e uma das empresas mais admiradas pela revista Fortune.  À medida que as pessoas se preparam para um futuro incerto, é essencial que as organizações também se planejem para as mudanças demográficas que ele acarreta. Pessoas mais velhas estão, certamente, tornando-se cada vez mais dispostas e mais capazes de se envolver em um trabalho significativo, e as empresas fariam bem em incorporar funcionários mais velhos às forças de trabalho de suas estratégias futuras.    Referências 1World Economic Forum (2017). We’ll Live to 100 – How Can We Afford It?  2Asia Pacific Risk Center (2017). Aging Workforce 3Lynda Gratton and Andrew Scott (2016). The 100 Year Life 4Comissão Europeia  (2015). Employment of older workers; The Centre on Aging & Work at Boston College (2005). Older Workers: What Keeps Them Working?

Billy Wong | 04 set 2018
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