Peta Latimer

Peta Latimer

CEO, Mercer, Cingapura

Peta é responsável por concretizar um crescimento lucrativo e pela gestão diária dos fatores financeiros da Mercer em Cingapura por meio da construção de relacionamentos fortes com os clientes e da excelência dos resultados dos projetos, da busca por oportunidades inorgânicas para expandir nosso portfólio, do investimento em nosso pessoal e de uma estrutura robusta de gestão de riscos.

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The Top 4 Threats to Asia-Pacific Growth Economies

As economias da região Ásia-Pacífico (APAC) passam pelas flutuações da economia mundial de maneiras muito peculiares, pois cada uma delas é definida por circunstâncias próprias em termos geográficos, sociais e financeiros. No entanto, o ritmo acelerado da transformação digital e o acirramento das tensões geopolíticas conectam os destinos de todas as economias em desenvolvimento da região APAC aos efeitos onipresentes da globalização. Embora as economias da região tenham uma projeção de crescimento sólido de 5,6% nos próximos dois anos, esta previsão otimista está sujeita a graves vulnerabilidades.1 As áreas de exposição podem ser organizadas em quatro categorias: econômica, geopolítica, técnica e ambiental. Vejamos cada uma dessas categorias e como elas podem criar desafios para as nações prontas para crescer no curto prazo. 1. Economia: dívidas e habitação   Em 2016, a região APAC superou a América do Norte como a maior parcela na dívida mundial. De fato, a região é responsável por 35% da dívida mundial, mantendo um crescimento notavelmente regular desde a crise financeira de 2008. Essa dívida deixa as economias regionais suscetíveis a taxas de juros mais altas e uma possível crise de inadimpléncia. Cada economia tem áreas específicas de exposição. Na China, por exemplo, as dívidas de corporações não financeiras e das famílias estão subindo, enquanto no Japão, a maior preocupação é a dívida pública que expõe seu mercado de títulos soberanos. A Índia também está enfrentando o impacto de seus US$ 210 bilhões em gastos com empréstimos de liquidação duvidosa. Os preços de imóveis residenciais em toda a região APAC vêm subindo em ritmo mais acelerado do que o da renda desde 2010, especialmente em lugares como Hong Kong, Austrália, Nova Zelândia e Índia, onde as famílias em Mumbai praticamente não conseguem encontrar imóveis a valores acessíveis. Embora o alto preço da moradia deixe a região alerta à possibilidade iminente do estouro de uma bolha imobiliária, cada país tem seus próprios mecanismos de crédito e números de dívidas familiares que determinam seus níveis de risco. Essas economias precisam se atentar às lições aprendidas com a crise do mercado imobiliário dos EUA em 2008, em que as famílias inadimplentes contribuíram para uma crise econômica mundial que assombra até hoje o setor bancário internacional. De fato, a Austrália apresenta hoje um dos mais altos níveis de dívida familiar do mundo. Considerando que os portfólios dos bancos australianos se baseiem majoritariamente em empréstimos hipotecários — que hoje estão em níveis bem mais elevados do que o mercado imobiliário americano imediatamente antes da deflagração da crise de 2008, muitos investidores americanos e internacionais estão mais inclinados a fazer um hedge do mercado australiano. 2. Geopolítica: protecionismo e desigualdade   Em uma economia global interconectada, todas as regiões são afetadas pelas dinâmicas e tarifas do comércio internacional. A crescente guerra comercial entre a China e os EUA ameaça cadeias de suprimento em toda a região APAC, e uma tendência protecionista pode se infiltrar na intrincada rede de economias de lá, considerando que alguns países têm mais dificuldades do que outros. O dinamismo dos acontecimentos geopolíticos gera incertezas. Essa ansiedade geralmente leva empresas e políticos a restringir e isolar a exposição de suas economias a consequências negativas. De fato, enquanto a China e os EUA redefinem suas prioridades, as nações da região APAC são forçadas a decidir onde e como elas se encaixam neste cenário inconstante. Da Austrália à Índia, as economias da Ásia-Pacífico precisam lidar com as complexidades da cooperação e a concorrência com outras nações sem criar indisposição entre parceiros comerciais nem sacrificar oportunidades de crescimento. Embora a região APAC busque estabilidade em um cenário geopolítico caótico, muitas economias estão passando por enormes mudanças demográficas internas em decorrência do comércio global. O acesso a portos marítimos preparados para operações comerciais, hubs tecnológicos e vagas para profissionais altamente qualificados fez nascer metrópoles e megacidades. A ininterrupta migração das gerações mais novas para zonas urbanas com infraestrutura, culturas e ideias inovadoras está marginalizando a periferia e as zonas rurais. Esta crescente disparidade entre privilegiados e desprivilegiados pode gerar desigualdade de renda e riqueza, disseminar a indignação e causar um mal-estar civil. Os políticos estão tentando administrar as atitudes e as regulamentações predominantes que moldam o gerenciamento de capital humano na região APAC. Josephine Teo, a Ministra do Trabalho de Cingapura, abordou recentemente que os cidadãos do país precisam ir para países vizinhos para trabalhar e pediu para seus conterrâneos não descartarem possibilidades de trabalho em outras economias em desenvolvimento na região APAC, especialmente agora que Cingapura está estreitando seus laços comerciais com a China.2 3. Tecnologia: milagres e ameaças   A tecnologia moldará o futuro da economia mundial. O ritmo de desenvolvimento de novos dispositivos e tecnologias é mais acelerado do que a regulamentação pelos governos, e esta falta de fiscalização criará oportunidades inéditas de crescimento econômico, inovações e crimes. A tecnologia ajudou a região APAC a aumentar a produtividade de sua força de trabalho, a avançar nas reformas sociais e a dominar a sustentabilidade ambiental. O impacto da transformação digital para as nações que formam a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) é impressionante, especialmente no setor de comércio eletrônico, no qual os membros da ASEAN responderam por 40% do volume de vendas mundial no primeiro trimestre de 2017. Só no Sudeste Asiático, espera-se que a quantidade de pessoas com acesso à Internet e a todas as suas possibilidades triplique até 2025, passando de 200 milhões para 600 milhões de usuários.3 Embora alguns postos de trabalho sejam extintos com a chegada de novas tecnologias, elas mesmas devem criar muitas vagas novas. De fato, muitas empresas que criam sistemas de inteligência artificial descobriram que trabalhadores humanos têm um papel ativo no projeto e na execução dessa tecnologia.4 A História também mostra que a inovação gera empregos. Peguemos o surgimento do computador, por exemplo. Embora a demanda por datilógrafos possa ter diminuído, a informática criou novas funções relativas ao desenvolvimento de softwares, operação dos computadores e programação. No entanto, esses prós também trouxeram desafios modernos. Hackers extremamente habilidosos de todas as partes do mundo continuarão atrás de pontos fracos de governos, instituições e empresas de todos os portes. À medida que os dados e a informação passarem a ser recursos cada vez mais valiosos e naturais, os ataques cibernéticos entre países aumentarão em frequência e complexidade. A confluência de alianças entre governos e multinacionais terá ramificações que mudarão a vida das populações e de seus direitos à privacidade. Considerando que cada país tem suas próprias políticas de direitos humanos e acesso a dados pessoais, uma nova geração de leis que regulamentam o ambiente digital emergirá para definir proteções e mitigar a falibilidade humana à medida que as pessoas estão cada vez mais conectadas à tecnologia. 4. Meio ambiente: desastres naturais e soluções criadas pelo ser humano   Os fatores ambientais determinarão as perspectivas econômicas e a qualidade de vida em geral para a região APAC. Geograficamente, ela é a região do planeta mais propensa a desastres. Intercorrências naturais, como inundações e ciclones tropicais, causam danos imensos às zonas litorâneas, onde há maior concentração de pessoas, infraestrutura e instituições. A imprevisibilidade de desastres naturais geralmente causa mortes repentinas — e, às vezes, em massa —, desalojamento de populações e caos socioeconômico. Após traumas tão grandes, cada cidadão e a sociedade em geral precisam lidar com o peso emocional e a desestabilização dos serviços de saúde até que o governo e outras entidades consigam prover meios de alívio. A região APAC precisa ser proativa na implementação de políticas e sistemas integrados capazes de mitigar a devastação que os desastres naturais causam a seus povos e a suas economias. Isso já está acontecendo: mercados mais maduros, como Hong Kong, aumentaram radicalmente sua capacidade de alinhar recursos e responder de forma rápida a fenômenos naturais, como furacões. Conforme as tecnologias e os interesses comerciais continuarem conectando ainda mais a região APAC, os governos precisarão decidir quais são exatamente suas responsabilidades perante outras nações e a região. Dados da UNESCAP   Em uma escala global, a região APAC tem um importante papel no controle de poluentes e emissões danosas. Infraestruturas antigas e regulamentações pouco rigorosas precisam ser substituídas por tecnologias e políticas modernas. No entanto, essa mudança pode ser lenta e cara. Muitas economias da região APAC ainda dependem de recursos energéticos tradicionais, como o carvão e outros combustíveis fósseis. Mesmo assim, um grande progresso tem acontecido nas esferas regionais e locais. A China, por exemplo, já teve um avanço notável ao implementar tecnologias de combustível verde para substituir o carvão e o petróleo e reduzir os poluentes atmosféricos.5 As novas iniciativas da China para trocar os combustíveis fósseis por recursos limpos, como as energias solar e eólica, resultaram em uma melhora significativa da qualidade do ar em cidades como Pequim, sem prejudicar a economia do país. De fato, a China considera que os recursos sustentáveis são o futuro da energia e está fazendo investimentos agressivos em negócios verdes, como painéis solares de alta tecnologia (dois terços dos painéis solares do mundo são fabricados na China) e veículos elétricos, superando até mesmo a Tesla com uma projeção de vendas anuais de 7 milhões de unidades até 2025.6 A região APAC também fez acordos sobre estruturas e novas tecnologias que promovam fontes de energia renovável para combater a poluição atmosférica e a escassez de água, problemas que se enquadram como ameaças diretas e imediatas. Equilibrar o desenvolvimento e o progresso econômico com iniciativas relacionadas ao clima e à sustentabilidade será desafiador, mas necessário. As mudanças climáticas, assim como outros desafios da região, exigirão uma nova era de cooperação entre as nações, governos e forças de trabalho locais. Com a saída dos EUA da Parceria Transpacífica (PTP) em janeiro de 2017, os países da Ásia-Pacífico se viram obrigados a considerar uma abordagem mais regional para solucionar problemas globais. Os líderes da APAC, no entanto, insistiram e, em 2018, assinaram uma nova versão do acordo da PTP e firmaram compromissos com Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Japão, Nova Zelândia, Malásia, México, Peru, Cingapura e Vietnã. O novo acordo, chamado Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífica (AAPPTP), representa cerca de 14% do PIB mundial (menos do que os 40% que a PTP original representava) e, além de detalhar novas dinâmicas comerciais e regulamentações de fiscalização entre os países-membros, também prevê o cumprimento de leis de proteção ambiental de acordo mútuo. Algumas das cláusulas sobre propriedade intelectual, arbitragem e solução de conflitos sobre investimentos foram deixadas de fora do novo tratado para manter a confiança na colaboração multilateral em questões específicas e intervenções locais por parte de governos individuais necessárias ao interesse público. O novo tratado não regula a migração de trabalhadores na região, e os países-membros confirmaram o interesse em proteger seus setores agrário e de serviços. O foco cada vez mais nacionalista dos EUA pode obrigar a região APAC a estreitar suas relações internas, abrindo mais espaço para oportunidades comerciais, intercâmbio de mão de obra e participação conjunta na transformação digital mundial. Com a maioria dos membros pronta para ratificar o novo tratado, este é um bastião do livre comércio em meio a uma crescente retórica protecionista presente em todo o mundo. Há muitos motivos para se ter otimismo quanto ao futuro da região APAC. A transformação digital oferece às economias da região APAC oportunidades inéditas de crescimento e a possibilidade de conectar suas forças de trabalho ao crescimento global da demanda de avanços tecnológicos, empreendedorismo e inovação. A necessidade premente de abordar questões ambientais e contratempos financeiros está gerando um senso de urgência em toda a região. A abertura à colaboração para resolver os problemas é um bom sinal para o futuro da Ásia-Pacífico, à medida que suas lideranças comprometidas e organizações locais coordenam seus pontos fortes coletivos para gerar prosperidade para toda a região. Com a evolução da economia mundial, a região APAC está pronta para desempenhar um papel cada vez mais influente. Leia o relatório 14 Shades of Risk da Marsh &amp; Mclennan na Ásia-Pacífico para saber mais. 1Evolving Risk Concerns in Asia-Pacific:, <a href="http://bit.ly/2APQVlZ.">http://bit.ly/2APQVlZ. 2Lee, Pearl. &quot;Ties with China Multifaceted and Strong: Josephine Teo.&quot; The Straits Times, 2 Mar. 2017, <a href="www.straitstimes.com/singapore/ties-with-china-multifaceted-and-strong-josephine-teo">www.straitstimes.com/singapore/ties-with-china-multifaceted-and-strong-josephine-teo. 3&quot;Asean the 'next Frontier' for e-Commerce Boom.&quot; Bangkok Post. <a href="https://www.bangkokpost.com/business/news/1249798/asean-the-next-frontier-for-e-commerce-boom">https://www.bangkokpost.com/business/news/1249798/asean-the-next-frontier-for-e-commerce-boom. 4Mims, Christopher. &quot;Without Humans, Artificial Intelligence Is Still Pretty Stupid.&quot; The Wall Street Journal,<a href="https://www.wsj.com/articles/without-humans-artificial-intelligence-is-still-pretty-stupid-1510488000?mod=article_inline">https://www.wsj.com/articles/without-humans-artificial-intelligence-is-still-pretty-stupid-1510488000?mod=article_inline. 5Song, Sha. &quot;Here's How China Is Going Green.&quot; Fórum Econômico Mundial,, <a href="www.weforum.org/agenda/2018/04/china-is-going-green-here-s-how/">www.weforum.org/agenda/2018/04/china-is-going-green-here-s-how/. 66Jeff Kearns, Hannah Dormido e Alyssa McDonald.. &quot;China's War on Pollution Will Change the World.&quot; Bloomberg, www.bloomberg.com/graphics/2018-china-pollution/.

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