Carreira

A histórica rivalidade entre as empresas Alibaba e Tencent continua se alastrando pelas tecnologias e aplicativos digitais em toda a China. A transformação digital iniciada por Jack Ma e Pony Ma, fundadores e forças espirituais por trás das duas potências de comércio eletrônico, foi acelerada por uma forte competição para ver quem conquistava a classe média chinesa. Há muito em jogo. A classe média chinesa deve crescer de 430 para 780 milhões até a metade de 2020, uma população representada amplamente por habitantes urbanos com conhecimento tecnológico, condicionados a comprar tudo on-line, desde cosméticos a eletrônicos.1 Uma esfera cibernética centralizada e emergente   Houve um tempo em que a Alibaba e a Tencent mantinham distância uma da outra. A Alibaba concentrava-se em promover o comércio eletrônico com seu site ultrapopular Taobao, e a Tencent dedicava sua energia ao WeChat, aplicativo com mais de 1 bilhão de usuários ativos.2 No entanto, à medida que a população da China (assim como o restante do mundo) se tornava cada vez mais e complexamente integrada ao mundo digital, os limites antes confortáveis que separavam os dois impérios começaram a desaparecer. Os consumidores de classe média queriam maneiras de centralizar os aspectos fragmentados de suas vidas digitais, desde serviços bancários, carteiras digitais e serviços financeiros até roteiros de viagem, contas de compras on-line e plataformas de comunicação. Hoje em dia, os consumidores chineses têm que decidir qual marca da internet melhor atende às suas necessidades específicas: a Alibaba ou a Tencent. A decisão é importante para as duas empresas. Afinal, depois que o consumidor se compromete com um tipo de serviço bancário, ambiente de compras e comunicação na internet, a fidelidade permanece alta devido à inconveniência de ter que trocar de conta e alterar as informações de contato. Para a Alibaba e a Tencent, ser a primeira escolha é essencial. No final das contas, os consumidores individuais determinarão qual versão melhor simplifica a conexão entre as diversas ramificações da internet. Dois poderes, duas culturas e estratégias divergentes   As culturas e estratégias internas de cada empresa são tão diferentes quanto as personalidades de seus fundadores. A Alibaba ainda incorpora a sensibilidade do articulado Jack Ma, que voltou às suas raízes de ensino e trabalho mais filantrópico. A empresa tenta ser mais influente comprando participações majoritárias importantes de afiliadas para complementar suas renomadas empresas de comércio eletrônico, entre elas a Fliggy, Tmall, Hema Grocery e a famosa fornecedora de serviços de pagamento on-line, a Ant Financial. A Tencent, entretanto, pratica uma abordagem mais ampla, adquirindo participações minoritárias em uma ampla gama de empresas que oferecem diversos graus de alinhamento com seu carro-chefe, o WeChat, tendo como objetivo estabelecer relações que abrirão portas para suas tecnologias.3 As duas estratégias foram concebidas essencialmente para conquistar a classe média chinesa, cada vez mais ansiosa por produtos de alta qualidade que ofereçam confiabilidade, praticidade e personalidade. Armadas com mascotes fofos e estratégias de marketing sofisticadas, a rivalidade entre a Alibaba e a Tencent mudou o cenário do marketing digital na China. Embora cada empresa se diferencie da outra através de suas culturas internas, planejamento estratégico e identidades de marca divergentes, elas têm em comum o mercado da classe média chinesa, e esse interesse compartilhado fez a Alibaba e a Tencent mergulharem nas tradições, na cultura e nos comportamentos de gastos dos chineses. Costumes e tradições: o portal digital para a classe média chinesa   A revolucionária campanha de Hongbao, o Envelope Vermelho   Em 2014, o WeChat lançou a campanha do Envelope Vermelho, tornando-se rapidamente um forte exemplo de como as novas tecnologias podem ser incorporadas de forma harmônica à dinâmica humana. A iniciativa explorava a tradição chinesa secular de oferecer envelopes vermelhos contendo dinheiro à família e amigos em festas como Ano-Novo e outras datas comemorativas. A campanha aconteceu no momento certo, atingindo uma classe média chinesa que vivia uma fase de riqueza e poder aquisitivo sem precedentes, além de uma obsessão crescente por tecnologias e dispositivos digitais. A China, famosa por celebrar sua herança e tradições milenares, incorporou totalmente a transformação digital em sua cultura e consciência. Em resposta, a Alibaba lançou sua própria campanha do Envelope Vermelho que, assim como as campanhas do WeChat, era composta por dinheiro virtual que podia ser distribuído a pessoas ou grupos, facilitando as transações entre amigos e parentes em casa, bem como entre colegas no local de trabalho. A mudança da oferta de dinheiro em espécie para a moeda digital foi rápida e revolucionária. Hoje, as duas marcas usam tecnologias de ponta, como inteligência artificial, para gamificar pagamentos e costumes ligados a essa histórica tradição. Juntas, a Alibaba e a Tencent influenciaram para sempre o modo como as famílias e comunidades chinesas vivem o Hongbao: um ponto de inflexão cultural na esfera cibernética e no mundo real. A batalha pelo Dia do Solteiro   Enquanto a Alibaba e a Tencent competem pela classe média chinesa, outras tradições culturais além do Hongbao têm se tornado ótimas oportunidades para atrair clientes. O Dia do Solteiro, comemorado no dia 11 de novembro, é a data comemorativa de compras mais popular da China, celebrada pelos jovens chineses solteiros e por aqueles em relacionamentos sólidos. (A data 11/11 se parece com quatro pessoas solteiras.) O feriado, que começou em 1993, explodiu como o evento de compras on-line mais lucrativo do mundo, em grande parte graças à capacidade da Alibaba de tirar proveito da data, desde 2009. Em 2017, as vendas da Alibaba no Dia do Solteiro arrecadaram a cifra recorde de US$ 25,3 bilhões.4 Embora o Dia do Solteiro tenha sido amplamente ignorado pelas marcas de luxo que constroem sua imagem com base na exclusividade e na qualidade, as grifes de moda e os produtos de luxo passaram a adotar a data, vendendo mercadorias com desconto em suas minilojas do WeChat no dia 11 de novembro. O alcance do WeChat oferece a essas marcas sofisticadas uma plataforma eficiente para anunciar seus produtos e vender aos clientes.5 Embora o Dia do Solteiro ainda pertença à Alibaba, o WeChat certamente vai explorar maneiras de se destacar nas 24 horas mais lucrativas do mundo. As empresas Alibaba e Tencent competem por fortunas nos lucros futuros, mas os dois impérios sabem bem que o sucesso significa conquistar os corações e mentes da classe média chinesa. À medida que as classes médias de todo o mundo continuam crescendo e aumentando seu poder aquisitivo, a Alibaba e a Tencent mostram que o segredo para criar oportunidades inéditas de crescimento é compreender o poder das pessoas. O jogo começou. 1Babones, Salvatore. "China's Middle Class Is Pulling Up the Ladder Behind Itself." Foreign Policy, 1 Feb. 2018, https://foreignpolicy.com/2018/02/01/chinas-middle-class-is-pulling-up-the-ladder-behind-itself/ 2Hollander, Rayna. "WeChat Has Hit 1 Billion Monthly Active Users." Business Insider, 6 Mar. 2018, https://www.businessinsider.com/wechat-has-hit-1-billion-monthly-active-users-2018-3. 3Lashinsky, Adam. "Alibaba v. Tencent: The Battle for Supremacy in China." https://fortune.com/longform/alibaba-tencent-china-internet/. 4Lashinsky, Adam. "Alibaba v. Tencent: The Battle for Supremacy in China." https://fortune.com/longform/alibaba-tencent-china-internet/ 5Pan, Yiling. "4 Takeaways for Luxury Brands from China's 2017 Singles Day Bonanza." Jing Daily, 14 Nov. 2017, https://jingdaily.com/4-takeaways-2017-singles-day-bonanza/

Sophia Powe | 09 mai 2019
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Carreira

A constante evolução da economia global é um reflexo das grandes mudanças que estão acontecendo na população. As economias antes deixadas de lado por correntes políticas, má infraestrutura e forças de trabalho subutilizadas, passaram a usar tecnologias digitais e acesso a recursos interconectados para gerar riqueza e influência sem precedentes. Mas as economias em crescimento estão fazendo mais do que somente se atualizar com os mercados tradicionais. Elas agora lideram uma onda de profundas mudanças no futuro do trabalho e em toda a economia global. A Índia superou os Estados Unidos e o Japão na liderança das tecnologias de inteligência artificial (IA, artificial intelligence) e automação de processos robóticos (RPA, robotic process automation);1 a antes estagnada economia da América Latina espera um crescimento estável em 2019;2 e o poder aquisitivo da classe média chinesa mudou para sempre o comércio eletrônico e o modo como os consumidores encontram, compram e adquirem produtos e serviços.3 É compreensível que os líderes sintam-se dominados pelo ritmo e âmbito das mudanças atuais e pelo que elas significam para suas organizações e dinâmica da força de trabalho. Estas três qualidades podem ajudar a orientá-los para o sucesso em um futuro incerto. 1. Demonstrar inteligência emocional e habilidades interpessoais   "Aprendi que as pessoas esquecem o que você diz, esquecem o que você faz, mas não esquecem como você as faz sentir". — Maya Angelou Os líderes devem ser verdadeiros com seus sentimentos ao mesmo tempo que reconhecem os sentimentos dos outros. A época de emprego vitalício e planos de aposentadoria garantidos está terminando em diversas regiões, o que significa que os funcionários em todo o mundo agora têm receios sobre a segurança do trabalho e sobre o bem-estar financeiro no longo prazo. Além disso, o relatório 2018 Global Talent Trends da Mercer mostra que os funcionários estão cada vez mais buscando cargos que lhes permitam trabalhar com um propósito, aumentando a pressão sobre os líderes de se conectarem de modo mais aprofundado com seus funcionários. Os líderes executivos que internalizam essa realidade e tomam medidas significativas para reduzir a ansiedade de seus funcionários ganham o respeito dos trabalhadores. A sinceridade é o pilar da verdadeira comunicação. Os líderes devem tentar desenvolver os quocientes de inteligência emocional (EQ) e habilidades interpessoais de modo que possam inspirar os funcionários e todas as equipes falando diretamente com suas emoções e expressando a verdade. A realidade sempre prevalece. As pessoas respeitam os líderes que as tratam com respeito e as preparam com informações que terão impacto em suas vidas. Inteligência emocional e habilidades interpessoais deveriam ser prioridade para os líderes executivos que querem ter sucesso no futuro do trabalho. Conseguir identificar-se com as aspirações, sensibilidades e desafios de outras pessoas requer um esforço conjunto para escutar, compreender e tomar medidas. À medida que as forças de trabalho (principalmente em países em crescimento) mudam de áreas rurais para megacidades emergentes, os líderes devem atender suas preocupações em encontrar creche e transportes acessíveis, ter acesso a oportunidades de investimento financeiro e buscar programas de desenvolvimento profissional. As habilidades interpessoais permitem que os líderes comuniquem, e não "ditem" informações. Essa conexão fomenta relações fortes e produtividade entre os funcionários, que, por sua vez, se sentem peças fundamentais para os objetivos e sucesso do negócio. Porque, na verdade, eles são. A verdadeira valorização é um poderoso fator motivacional. 2. Ter paixão pela tecnologia   Os líderes que acham que o sucesso está garantido estão fadados à desatualização. A imagem de um líder em um escritório grande com equipes de funcionários cumprindo ordens e divulgando seus comunicados está se tornando obsoleta. A tecnologia está sempre evoluindo e os líderes executivos não podem contar com os outros para preencher a lacuna quando se trata de saber usar dispositivos digitais, plataformas e estratégias modernas. Aprender novas tecnologias exige tempo e, para muitos líderes, o tempo é um bem precioso. A transformação digital, no entanto, exige que os líderes executivos se envolvam ativamente no desenvolvimento de inovações tecnológicas e tendências que causem impacto nas operações comerciais, no engajamento com os clientes e nas estratégias de vendas. O futuro do trabalho requer que os líderes tenham habilidade técnica para se comunicar nos mais novos ecossistemas digitais e canais de mídia. Essa visão demonstra sua compreensão de como a tecnologia está evoluindo e de como ela conduz os negócios em um mundo hiperinterconectado. Os líderes executivos devem pedir com frequência aos funcionários e fornecedores externos (até mesmo os concorrentes) para "mostrar-lhes" ou "ensinar-lhes", pois essas perguntas denotam uma paixão por aprender e uma inteligência emocional que valoriza a necessidade de se manterem informados e atualizados. Ter conhecimento tecnológico também permite que os líderes façam conexões em termos de recursos operacionais, conjuntos de habilidades da força de trabalho e necessidade de alternar entre prioridades e investimentos em crescimento. Em caso de dúvida, não é vergonhoso perguntar como se usa o mais novo aplicativo ou dispositivo. O futuro não espera por ninguém. 3. Saber que todo o conhecimento é global   Pense no seu smartphone. Ele provavelmente contém lítio do Chile, índio da China e coltan de Ruanda.4 Até mesmo o negócio mais local depende da economia global, e os líderes que conseguem contextualizar oportunidades de negócio com uma mentalidade internacional estão prontos para o sucesso no futuro do trabalho. Em 2025, a população mundial será de 8,1 bilhões de pessoas — o que representa um nível histórico de oportunidades de negócios, mercados inexplorados e fontes de renda esperando para serem descobertos.5 O crescimento é o resultado de iniciativas visionárias que planejam o caminho futuro do negócio. Enquanto as economias ocidentais continuam enfrentando dificuldades com a turbulência política (desde a implementação do Brexit até dinâmicas incertas de comércio internacional dos EUA), as economias em crescimento conseguem exercer maior influência em todos os setores. Os líderes voltados para o crescimento, no entanto, enfrentam o desafio de obter consenso e de garantir a adesão dos vários envolvidos. Desde os executivos e funcionários de alto escalão até investidores e acionistas, os líderes devem conseguir comunicar uma visão e estratégia que capture o potencial do futuro do trabalho. Os líderes devem sempre pensar em termos de uma economia globalizada, pois é aí que reside a oportunidade: nos corações, mentes e necessidades de uma população em expansão. Isso continuará impulsionando os negócios no futuro, desde que os líderes mantenham uma visão de avanço. As economias em crescimento oferecem mais do que mercados de vendas lucrativos aos líderes executivos. Elas oferecem importantes cadeias de suprimentos e oportunidades de investimento em ativos que vão desde a infraestrutura e fabricação até o capital humano e tecnologias digitais. Em um mundo globalizado, o futuro do trabalho pertence aos líderes que compreendem que as oportunidades virão de economias em crescimento e que entendem a influência exercida pela inteligência emocional, tecnologia e mentalidade global em sua capacidade de ter sucesso. 1Some, Kamalika. "India Leads US and Japan in Driving RPA and AI Based Technologies." Analytics Insight, 2 Oct. 2018, https://www.analyticsinsight.net/india-leads-us-japan-driving-rpa-ai-based-technologies/. 2"Latin America Outlook 3Q18." BBVA Research, https://www.bbvaresearch.com/wp-content/uploads/2018/08/Latin_America_Outlook_3Q18.pdf. 3Riming, Nie. "How China's Middle Class Will Dictate the Future of E-Commerce." Sixth Tone, 16 Jan. 2018, https://www.sixthtone.com/news/1001560/how-chinas-middle-class-will-dictate-the-future-of-e-commerce. 4Olingo, Allan. "Minerals in Your Mobile Phone." The East African, https://www.theeastafrican.co.ke/business/Minerals-in-your-mobile-phone-/-/2560/2739730/-/xveeqw/-/index.html 5Olson, Alexandra. "U.N.: World Population to Reach 8.1B in 2025." USA Today, Gannett Satellite Information Network, 13 June 2013, https://www.usatoday.com/story/news/world/2013/06/13/un-world-population-81-billion-2025/2420989/.

Sophia Powe | 25 abr 2019
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